Crise no Banco Ueno leva BC do Paraguai a intervir; dólar dispara

Fintech ligada ao presidente Santiago Peña pode estar insolvente, segundo autoridade monetária.

Publicado em 04/11/2026 às 08:38h Publicado em 04/11/2026 às 08:38h por Wesley Santana
Presidente do Banco Central do Paraguai renunciou ao cargo (Imagem: Shutterstock)
Presidente do Banco Central do Paraguai renunciou ao cargo (Imagem: Shutterstock)

O Banco Central do Paraguai interveio na maior instituição financeira digital do país nesta terça-feira (3). O Banco Ueno tem mais de 3 milhões de clientes e é ligado ao presidente da República, Santiago Peña.

A ordem foi assinada pela instituição, que destacou que o banco enfrenta diversas investigações criminais. Além disso, a autarquia destacou que o banco digital pode estar insolvente, ou seja, sem dinheiro para arcar com suas despesas.

O último relatório publicado pelo banco mostra que o índice de solvência caiu para menos da metade do exigido para que uma instituição esteja em atividade.

O Ministério Público do Paraguai também determinou a prisão de ao menos oito pessoas que estariam envolvidas na crise bancária. A maioria delas é formada por diretores da instituição, inclusive Federico Miguel Vazquez Villasanti, vice-presidente da instituição.

Estima-se que um em cada três paraguaios tenha uma conta aberta no Ueno. Cerca de 30% dos depósitos recebidos pelo banco eram feitos pelo próprio governo paraguaio.

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Crise chega à Presidência da República

A situação do banco coloca o presidente Santiago Peña no meio de um turbilhão. Até março de 2025, ele era sócio do grupo controlador do Ueno, que administrava US$ 850 milhões em dinheiro público.

Por isso, o presidente negociou com o Congresso para acelerar a votação de medidas que possam beneficiar os clientes do banco. Está prevista a aprovação de um Fundo de Garantia, nos moldes do FGC, que possa garantir o saldo de contas de correntistas.

Em outra ponta, o presidente do Banco Central do Paraguai divulgou um pedido de renúncia ao cargo. Carlos Carvallo deve permanecer à frente da instituição durante a crise, mas destacou que a decisão deve ajudar a manter a credibilidade do BC diante do caso de repercussão internacional.

“Minha renúncia está assinada”, afirmou Carvallo em entrevista coletiva em Assunção, “pela simples razão de que o Banco Central do Paraguai precisa de tranquilidade para fazer seu trabalho”.

Dólar salta mais de 6%

Em meio à crise, que parece ser sem precedentes no país vizinho, a cotação do dólar disparou mais de 6%. Segundo dados do próprio BC, cada unidade da moeda norte-americana era cotada em 6.060 no fim desta terça.

O BC deve fazer uma intervenção no câmbio para conter a aceleração. Está prevista uma operação de venda de US$ 10 milhões ainda nesta quarta como parte dos esforços para conter os efeitos da crise.

A situação acende o alerta para um problema que muitos países buscam evitar: a dolarização. Com suas moedas desvalorizadas, a população tende a trocar a moeda local por dólar, fazendo com que a cotação da divisa estrangeira suba ainda mais.

No entanto, agentes do mercado descartam que isso esteja em andamento neste momento. Em entrevista ao jornal ABC, o economista paraguaio Arnold Benítez diz, porém, que ainda não há dados concretos que possam justificar a alta do dólar.

“Não há evidência de uma dolarização generalizada e o BCP apresentou o caso como uma situação particular”, diz Benítez. "Ainda não temos dados para atribuir a eles uma proporção concreta do movimento", esclarece.