Acordo Mercosul-UE entra em vigor: Veja produtos que ficam isentos

O Brasil já pode exportar frutas, café e máquinas sem tarifa para a União Europeia.

Publicado em 01/05/2026 às 14:48h Publicado em 01/05/2026 às 14:48h por Marina Barbosa
Acordo deve criar a maior zona de livre comércio do mundo (Imagem: Shutterstock)
Acordo deve criar a maior zona de livre comércio do mundo (Imagem: Shutterstock)
O acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia entra em vigor de forma provisória nesta sexta-feira (1º), após 26 anos de negociação.
Com isso, mais de 5 mil produtos brasileiros passam a entrar no mercado europeu com tarifa zero, o que pode elevar as exportações do agronegócio e da indústria nacional.
Entre os produtos isentos, estão frutas, sucos, café e alimentos industrializados, além de máquinas e equipamentos, materiais elétricos, químicos e produtos de metal.
Já itens como carne, açúcar, etanol, milho e cachaça terão a tarifa de importação reduzida de forma gradual e ficarão sujeitos a cotas, para que os produtores locais tenham tempo de se adaptar.

Aumento de US$ 1 bi das exportações

💲 De toda forma, a expectativa é de que as exportações brasileiras tenham um incremento de US$ 1 bilhão já no primeiro ano do acordo.
Isso porque os efeitos do acordo são imediatos para cerca de 54% das exportações sul-americanas, segundo a Apex Brasil, que projeta o mesmo efeito para apenas 10% dos produtos europeus.
Produtos como queijos, azeites vinhos europeus, por exemplo, também terão cotas ou cortes graduais de tarifa no Mercosul.
Em nota, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços acrescentou que a incidência de cotas é limitada, abrangendo apenas 4% das exportações e 0,3% das importações brasileiras.
A pasta ainda lembrou que a expectativa é liberalizar mais de 90% do comércio bilateral com a União Europeia ao longo dos próximos anos.

Implementação gradual

📅 Pelo tratado, a União Europeia deve eliminar tarifas para cerca de 93% dos produtos do Mercosul em até 10 anos, enquanto o Mercosul fará o mesmo para aproximadamente 91% dos produtos europeus em um prazo que pode chegar a 15 anos.  
Com isso, o acordo deve criar a maior zona de livre comércio do mundo, com mais de 700 milhões de consumidores e aproximadamente US$ 22,4 trilhões de PIB (Produto Interno Bruto).
O governo projeta, portanto, um acréscimo de R$ 37 bilhões no PIB do Brasil até 2044, além de um aumento de R$ 52,1 bilhões das exportações e de R$ 13,6 bilhões dos investimentos realizados no país.
Vale lembrar, porém, que a aplicação do acordo é provisória, pois os termos da parceria ainda serão analisados pelo Tribunal de Justiça da União Europeia.

As expectativas do setor produtivo

🌱 O agronegócio brasileiro é apontado por analistas como o grande beneficiado do acordo Mercosul-União Europeia.
Afinal, os europeus já estão entre os principais compradores das carnes, do café e da celulose brasileira e esses produtos vão ficar mais baratos no Velho Continente com a redução das tarifas comerciais. Além disso, analistas veem espaço para maiores vendas de açúcar, etanol e grãos, como soja.
Ainda assim, a CNA (Confederação Nacional do Agronegócio) manteve a cautela, dizendo o acordo traz oportunidades, mas também alguns desafios.
Em nota, a confederação explicou que o tratado derruba as tarifas de importação, mas não substitui as exigências sanitárias, técnicas e ambientais da União Europeia. Além disso, pode expor alguns setores brasileiros a uma maior competição com os itens europeus.
A CNA disse, então, que os resultados do acordo vão depender de fatores como produtividade, escala, sanidade, rastreabilidade e acesso à assistência técnica e crédito.
Para analistas, os maiores desafios são esperados nos setores em que os europeus são referência, como vinhos, espumantes, farmacêuticos e laticínios. 
🏭 Parte da indústria também está em alerta, dada ao maior desenvolvimento tecnológico europeu em setores como automóveis, têxteis e vestuários.
Ainda assim, o presidente da CNI (Confederação Nacional da Indústria), Ricardo Alban, destacou as oportunidades trazidas pelo tratado.
"O acordo representa uma oportunidade para ampliar, de forma significativa, a presença do Brasil no mercado internacional e fortalecer a agenda de competitividade industrial do país", disse.