A guerra no Oriente Médio completa um mês neste sábado (28) e segue sem perspectivas de trégua, afetando cada vez mais a economia e os mercados mundiais.
📊 Diante desse cenário, apenas oito ações do
Ibovespa conseguiram fechar esse mês de conflito no azul, segundo dados da B3. Já os outros papeis sofreram perdas de até 28%. O resultado foi um baque de 4% do principal índice da B3.
Como era de se esperar, os ganhos foram puxados por
empresas do setor de óleo e gás. Afinal, o
petróleo disparou depois que o conflito levou ao bloqueio do canal de Ormuz e afetou a produção de alguns dos exportadores do mundo.
⛽ A
Prio (PRIO3) foi a companhia brasileira que mais subiu primeiro mês da guerra. Afinal, ganha com a alta do petróleo e ainda avançou com projetos estratégicos que prometem impulsionar a sua produção, como o início das operações no
campo de Wahoo.
A Petrobras ficou em segundo e é seguida por uma ação do
agronegócio: a
SLC Agrícola (SLCE3). Afinal, a guerra também impulsionou os preços de commodities agrícolas como
soja e
milho, que são usadas em combustíveis renováveis -um insumo que pode ganhar espaço no mercado caso o petróleo siga em disparada.
Outra ação do agro que conseguiu sair com ganhos do primeiro mês da guerra é a
MBRF (MBRF3). É que, enquanto outros frigoríficos passaram a ter dificuldades de exportação com o bloqueio do Estreito de Ormuz, a MBRF disse estar bem posicionada para enfrentar o problema, devido ao bom nível de estoques mantido no Oriente Médio.
Além disso, só as demais petroleiras juniores da B3; a
Eneva (ENEV3), que ganha com a alta do gás natural; e a
Ultrapar (UGPA3), que pode ampliar suas margens com a alta dos combustíveis, registraram ganhos no período.
🔎 Contudo, algumas empresas também passaram a ver algumas oportunidades com o conflito. É o caso da
Braskem (BRKM5), que vinha sofrendo com a baixa dos preços da indústria química e petroquímica, mas agora vê uma alta dos spreads.
As
empresas de utilidade pública, sobretudo as elétricas, também são apontadas por analistas como uma opção defensiva neste momento. Afinal, desfrutam de um fluxo regular de receita e podem transferir para o consumidor eventuais altas da inflação. De toda forma, a principal recomendação é de que o investidor mantenha a cautela neste momento.
"Estamos diante de um cenário muito indeterminado. Não sabemos quanto tempo a guerra vai durar, nem o seu impacto total sobre a economia. Então, é preciso manter uma postura bastante cautelosa", afirmou o economista Pedro Paulo Silveira.
Ele lembrou ainda que mesmo as ações de petróleo sofreram fortes oscilações nas últimas semanas, já que a cotação do barril tem variado de acordo com qualquer sinal de alívio ou recrudescimento do conflito.
Quem mais perdeu?
A maior parte das ações do Ibovespa, no entanto, saiu no vermelho do primeiro mês da guerra. E as perdas passaram dos dois dígitos em muitos casos.
💲 O destaque é de
ações cíclicas, como as do
varejo e da
construção civil, que são sensíveis aos ciclos econômicos. Afinal, a guerra criou novos riscos inflacionários e colocou em xeque os cortes da
Selic.
Com o conflito, dispararam os preços do petróleo e também do gás natural, das commodities agrícolas e dos fertilizantes ficaram mais caros. Por isso, os combustíveis já começaram a subir e há um temor de que os alimentos também fiquem mais caros.
Por isso, o mercado e o BC (Banco Central) passaram a projetar uma inflação mais forte no Brasil. E, consequentemente, reviram as chances de cortes de juros.
Antes da guerra, a expectativa era de que a taxa Selic caísse para 12% até o final do ano. Agora, essa expectativa já está em 12,50%, segundo o
Boletim Focus.
A
Cosan (CSAN3) também aparece na lista de maiores quedas do primeiro mês de guerra, já que a alta dos juros pressiona o seu já elevado endividamento.
A relação ainda conta com
CSN (CSNA3) e
Minerva (BEEF3), que, embora sejam afetadas pela alta do frete, sofreram fortes baixas nas últimas semanas devido aos dados do quarto trimestre de 2025.
Em relação à guerra, os analistas ainda destacam o efeito negativo sobre empresas de logística e
transportes, que passaram a enfrentar custos maiores diante da alta dos preços do petróleo e do gás. As companhias aéreas, por exemplo, já discutem com o governo federal uma forma de enfrentar o problema.
Veja as ações do IBOV que subiram no 1º mês de guerra:
E as que mais caíram: