Não foi só o BRB (BSLI4): Veja empresas que adiaram o balanço do 4T25

Ao menos outras oito empresas listadas na B3 também não apresentaram o balanço no prazo.

Publicado em 01/04/2026 às 17:12h Publicado em 01/04/2026 às 17:12h por Marina Barbosa
Empresas podem ter que pagar multa diária à CVM por atraso (Imagem: Shutterstock)
Empresas podem ter que pagar multa diária à CVM por atraso (Imagem: Shutterstock)
O BRB (BSLI4) adiou a apresentação dos resultados do quarto trimestre de 2025, devido à crise desencadeada pelo Banco Master. E, com isso, ficou sujeito ao pagamento de multas de até R$ 51 mil por dia.
🔎 O Banco de Brasília, porém, não foi o único a adiar a apresentação dos resultados. Ao menos outras oito empresas listadas na B3 também não apresentaram o balanço dentro do prazo regulatório, que acabou nessa terça-feira (31). E três delas também estão ligadas ao caso Master.
A Fictor Alimentos (FICT3) entrou em recuperação judicial, depois que o seu controlador, o Grupo Fictor, tentou comprar o Master e acabou entrando em crise. Por isso, também adiou o balanço do quarto trimestre de 2025.
Segundo a Fictor Alimentos, o processo de recuperação judicial gera impactos relevantes na elaboração das Demonstrações Financeiras, pois exige análises contábeis adicionais, ajustes e tratamentos específicos, inclusive no que se refere à avaliação de continuidade operacional da empresa.
Diante disso, a companhia não definiu a data de divulgação do balanço, mas disse que "está envidando todos os esforços necessários para que as Demonstrações Financeiras sejam concluídas, auditadas e divulgadas no menor prazo possível".
A Arandu (ARND3) também não passou ilesa pela crise do Master. A empresa é a antiga Reag Investimentos, suspeita de operar fundos ligados ao banco de Daniel Vorcaro. Por isso, ganhou novos controladores, mas ainda tenta ajustar as suas contas depois do esquema.
Em fato relevante, a Arandu disse que adiou a publicação do balanço porque os auditores independentes da companhia precisam de mais tempo para emitir um parecer sobre os dados.
A empresa disse ainda que a sua administração "está empenhada em esclarecer os pontos pendentes com a maior brevidade possível, visando à conclusão dos trabalhos de auditoria e à disponibilização das demonstrações financeiras aos acionistas".
Já a Oncoclínicas (ONCO3) mantinha mais de R$ 430 milhões investidos em CDBs do Banco Master quando a instituição de Daniel Vorcaro foi liquidada pelo BC (Banco Central). Por isso, tenta reaver o prejuízo e também acabou adiando o balanço. Neste caso, porém, já há uma data para a apresentação dos dados: 9 de abril.
Vale lembrar que, enquanto tenta recuperar os valores investidos no Master e renegociar a sua dúvida, a Oncoclínicas também discute a venda de ativos para a Porto (PSSA3) e a Fleury (FLRY3), além de uma proposta de capitalização do Mak Capital.

Para além do Master

Outras cinco empresas listadas na B3 também adiaram a apresentação dos resultados, mesmo sem nenhum envolvimento aparente com o Master. A maioria está em recuperação judicial ou extrajudicial.
É o caso da AgroGalaxy (AGXY3), que postergou a apresentação dos resultados para o dia 30 de abril. Segundo a companhia, o prazo adicional é necessário para assegurar a adequada qualidade, precisão e conformidade das informações financeiras, em razão do seu processo de reestruturação interna.
Em recuperação extrajudicial, a Sequoia (SEQL3) também prometeu o balanço para 30 de abril, em razão da complexidade adicional decorrente do seu atual processo de reestruturação financeira.
Já a Ambipar (AMBP3) ainda não apresentou nem o balanço do terceiro trimestre de 2025 e também não deu data para o resultado do quarto trimestre.
A companhia pediu recuperação judicial em outubro do ano passado e disse que o processo afetou a revisão das demonstrações financeiras. 
A Teka Tecelagem (TEKA4) está em uma situação parecida. A companhia está em recuperação judicial e ganhou uma nova diretoria em junho do ano passado. Agora, informou que, depois da troca de comando, foram identificadas inconsistências e inadequações relevantes nos seus balanços anteriores.
Diante disso, a Teka contratou uma empresa de auditoria independente para revisar as demonstrações financeiras e poder apresentar dados que reflitam de forma real a sua situação financeira -um trabalho que ainda não foi concluído.
A Infracommerce (IFCM3) também adiou o balanço, mas disse que se trata de um atraso "excepcional", para permitir a conclusão da auditoria independente dos dados. Além disso, garantiu que está trabalhando para apresentar o material ao mercado o mais rapidamente possível.

O caso do BRB

Segundo as investigações da PF, o BRB teria injetado mais de R$ 12 bilhões em carteiras de crédito falsas do Master. O banco ainda tentou comprar a instituição de Daniel Vorcaro em 2025.
Por isso, trocou de comando e contratou uma auditoria externa especializada para apurar o tamanho do rombo deixado por esse esquema. 
Segundo o BRB, essa auditoria ainda não foi finalizada. Por isso, a apresentação do balanço do quarto trimestre de 2025 foi adiada para assegurar a fidedignidade, transparência e integridade das informações.
Segundo a instituição, o balanço será divulgado "após a conclusão dos trabalhos e a devida validação das informações necessárias, assegurando plena observância às normas regulatórias e contábeis aplicáveis".
Com isso, no entanto, o BRB ficou sujeito ao pagamento de uma multa de até R$ 51 mil por dia -R$ 50 mil ao Banco Central e R$ 1 mil à CVM (Comissão de Valores Mobiliários).

Punição

As outras empresas que adiaram a apresentação do balanço também estão sujeitas a punições da CVM, pois a chefe do mercado de capitais brasileiro determina que os resultados anuais sejam apresentados até 31 de março.
Segundo a CVM, quem não respeita esse prazo pode ter que pagar uma multa diária de R$ 1 mil e ainda pode ter o registro de companhia aberta suspenso caso o atraso se arraste por mais de 12 meses.
A Ambipar e outras 18 empresas já foram notificadas por causa de um atraso desse tipo no início de março, por sinal. Veja aqui as empresas notificadas pela B3.
A CVM ressaltou, porém, que "a aplicação das penalidades ocorre em face da análise de todo o conteúdo processual, inclusive, as circunstâncias da infração administrativa".

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