Após recordes, Ibovespa recua com pressão externa e inflação no radar

O índice voltou aos 197 mil pontos após sequência de recordes, com tensão no Oriente Médio e dados econômicos no radar.

Publicado em 15/04/2026 às 17:52h Publicado em 15/04/2026 às 17:52h por Matheus Silva
O dólar fechou praticamente estável, com leve recuo de 0,03% (Imagem: Shutterstock)
O dólar fechou praticamente estável, com leve recuo de 0,03% (Imagem: Shutterstock)
📉 O Ibovespa interrompeu nesta quarta-feira (15) uma sequência de 5 recordes consecutivos e 11 pregões seguidos de valorização. 
O principal índice da bolsa brasileira encerrou o dia em queda de 0,46%, aos 197.737 pontos, em uma sessão marcada por volatilidade e vencimento de opções.
Já o dólar à vista fechou praticamente estável, com leve recuo de 0,03%, cotado a R$ 4,99.
No cenário local, investidores repercutiram novos indicadores econômicos e atualizações do ambiente político.
O IGP-10, divulgado pela Fundação Getulio Vargas, avançou 2,94% em abril, revertendo a queda registrada em março e superando as expectativas. O movimento reflete, em parte, os impactos indiretos das tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.
Por outro lado, o varejo brasileiro manteve trajetória positiva. O volume de vendas cresceu 0,6% em fevereiro frente a janeiro, renovando o maior nível da série histórica iniciada em 2000, ainda que abaixo das projeções de mercado.
Outro destaque foi a atuação do Tesouro Nacional, que anunciou emissão de títulos em euros, marcando o retorno do Brasil ao mercado europeu após mais de dez anos. Segundo o secretário do Tesouro, Dario Durigan, a operação levantou cerca de 5 bilhões, com demanda acima do esperado.

Ações em destaque no pregão

Entre os destaques negativos, os papéis da MBRF (MBRF3) lideraram as perdas, com queda de 10,38%, no pior desempenho desde a estreia na bolsa. O movimento veio após a venda de 70 milhões de ações pelo fundo Salic.
Nos pesos-pesados, a Petrobras (PETR4) também pressionou o índice. As ações PETR4 caíram 2,07%, enquanto PETR3 recuou 1,94%, refletindo o ambiente mais cauteloso no mercado.
Na ponta positiva, os papéis da Azzas 2154 (AZZA3) lideraram os ganhos. Já a Porto (PSSA3) também se destacou, em meio a um movimento de rotação no setor de seguros após revisões de recomendação feitas pelo Itaú BBA.

Bolsas globais refletem tensão geopolítica

No exterior, os principais índices de Wall Street tiveram desempenho misto, com investidores atentos à possibilidade de novas negociações entre Estados Unidos e Irã.
O S&P 500 avançou 0,80% e renovou máxima histórica, enquanto o Nasdaq subiu 1,60%, também em nível recorde. Já o Dow Jones recuou 0,15%.
Na Europa, o índice Stoxx 600 caiu 0,43%, refletindo cautela diante do cenário global. Na Ásia, o Nikkei avançou 0,44%, enquanto o Hang Seng teve alta de 0,29%.

O que ficou no radar

A combinação entre realização de lucros, indicadores domésticos e tensões no Oriente Médio contribuiu para a pausa no movimento de alta do Ibovespa.
📊 O comportamento dos ativos nos próximos dias deve seguir sensível ao cenário externo, especialmente à evolução do conflito envolvendo o Irã, além da leitura de novos dados econômicos no Brasil e no exterior.