RAIL3 à venda? Cosan (CSAN3) diz que não vai se desfazer de ativos a qualquer preço

Em call com analistas, CEO da Cosan também defendeu a separação dos negócios da Raízen.

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Publicado em 10/03/2026 às 15:32h - Atualizado 1 minuto atrás Publicado em 10/03/2026 às 15:32h Atualizado 1 minuto atrás por Marina Barbosa
Rumo é a maior operadora logística ferroviária independente do Brasil (Imagem: Divulgação)
Rumo é a maior operadora logística ferroviária independente do Brasil (Imagem: Divulgação)
A Cosan (CSAN3) pretende vender ativos para conseguir zerar a sua dívida. Contudo, não vai fazer isso a qualquer preço.
O recado é do CEO, Marcelo Martins, que ainda descartou nesta terça-feira (10) a venda da participação da empresa na Rumo (RAIL3) neste momento.
🗣️ "A especulação atual de que a gente estaria engajado numa venda efetiva da participação total da Rumo é incorreta", declarou, depois que rumores sobre a transação circularam no mercado.
Segundo ele, a Cosan pode considerar a venda de participações em qualquer um dos seus ativos -Rumo, Compass, Moove, Radar e Raízen (RAIZ4).
Contudo, só vai executar qualquer transação "no momento adequado, na melhor estrutura que possa surgir". Por isso, não mantém negociações sobre a Rumo neste momento.
"Vamos reduzir a alavancagem com a venda de participações no decorrer do tempo, dependendo das oportunidades e dos valores que estiverem na mesa", afirmou o CEO.
⚠️ E seguiu: "Entregar ativos a um valor que não faz sentido não é o nosso objetivo e não será feito".
Por causa desse direcionamento, Martins disse que não há um prazo que a Cosan atinja a meta de zerar a dívida.
Segundo ele, isso vai acontecer "em algum momento", quando a empresa conseguir executar a sua estratégia de desinvestimento de forma eficiente e inteligente.
O executivo garantiu, por sua vez, que esse plano está evoluindo e indicou que o próximo passo nesse sentido pode ser o IPO da Compass Gás e Energia.

Balanço do 4T25

Marcelo Martins falou sobre o assunto ao apresentar os resultados da Cosan no quarto trimestre de 2025.
O balanço mostrou uma redução significativa da dívida e do prejuízo da holding, na esteira da capitalização de R$ 10 bilhões recebida do BTG Pactual (BPAC11), da Perfin e do seu fundador, Rubens Ometto.
A Cosan teve um prejuízo líquido de R$ 5,8 bilhões no trimestre, 38% menor que o do mesmo período de 2024. Já a dívida líquida expandida recuou de R$ 23,4 bilhões para R$ 9,7 bilhões ao longo de 2025. Veja aqui os detalhes do balanço da Cosan.

Raízen

Ao apresentar os resultados trimestrais, o CEO da Cosan ainda falou das negociações para a reestruturação da Raízen.
Ele disse que a holding não vai participar da capitalização da subsidiária, pois o acordo firmado com o BTG e a Perfin é de que a prioridade é a melhora da sua estrutura de capital. Ainda assim, a Cosan segue acompanhando as negociações e acredita que haverá desdobramentos em breve.
A Raízen anunciou na semana passada uma proposta que prevê o aporte de R$ 4 bilhões na empresa, sendo R$ 3,5 bilhões do Grupo Shell e R$ 500 milhões de Rubens Ometto, o fundador da Cosan.
A proposta também inclui uma reestruturação mais ampla da dívida, o que pode envolver a conversão de parte do endividamento em capital, com o alongamento do saldo remanescente da dívida, e a continuidade do processo de simplificação dos seus negócios, por meio da venda de ativos não estratégicos. A Raízen também não descartou a possibilidade de uma recuperação extrajudicial.
O CEO da Cosan explicou que essa contribuição de capital não será o suficiente para resolver os problemas financeiros da Raízen. Por isso, outras alternativas já foram discutidas, incluindo a separação dos negócios de distribuição de combustíveis e açúcar e etanol ou a venda de participação em alguma dessas operações.
Na avaliação da Cosan, a separação dos negócios seria importante, já que essas operações apresentam fluxos distintos de geração de caixa. A empresa, contudo, não impôs essa condição, já que não está injetando dinheiro na Raízen. Por isso, espera que a Shell e os credores da Raízen consigam chegar a um acordo satisfatório, que resolva de forma definitiva a situação da empresa.

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