PF prende dono da Choquei e outros artistas em operação contra lavagem de dinheiro

Caso envolve criptomoedas, rifas digitais e crime organizado

Publicado em 15/04/2026 às 13:27h Publicado em 15/04/2026 às 13:27h por Wesley Santana
Ele é acusado de receber dinheiro para 'limpar a imagem' de personalidades envolvidas com jogos ilegais (Imagem: Shutterstock)
Ele é acusado de receber dinheiro para 'limpar a imagem' de personalidades envolvidas com jogos ilegais (Imagem: Shutterstock)

O influenciador digital Raphael Sousa Oliveira, dono da página Choquei, foi preso na manhã desta quarta-feira (15). Além dele, os cantores MC Ryan e Poze do Rodo também foram detidos pela Polícia Federal.

Os três são acusados de receber dinheiro fruto de lavagem de dinheiro do crime organizado. No caso de Raphael, as investigações apontam que ele operava como mídia da organização, conforme informações da PF.

No desenho montado pelos investigadores, o dinheiro era recebido para que ele publicasse em suas redes informações que reduzissem crises envolvendo personalidades públicas. Entre esses artistas, estariam justamente alguns dos investigados, como Poze do Rodo, que já foi preso outras vezes.

“Sua função consiste, em tese, na divulgação de conteúdos favoráveis ao artista e na promoção de plataformas de apostas e rifas, além de potencialmente atuar na mitigação de crises de imagem relacionadas às investigações", diz o pedido de busca e apreensão criminal da PF.

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Já em relação aos MCs, que estão em outra operação, apelidada de Narco Fluxo, a PF diz que eles movimentaram parte de R$ 1,6 bilhão identificada como sendo da organização, um dinheiro obtido de forma ilícita. Foram apreendidos também diversos carros de luxo, bolsas de marca e relógios de alto padrão.

Neste caso, estariam envolvidos com casas de apostas ilegais e rifas digitais. A associação fazia as movimentações bilionárias por meio de criptomoedas no Brasil e no exterior.

“Segundo apurado, o investigado teria estruturado mecanismos de blindagem patrimonial, transferindo participações societárias a familiares e pessoas interpostas, utilizando operadores financeiros para distanciar o capital ilícito de sua pessoa física antes de reinseri-lo na economia formal mediante aquisição de imóveis, veículos de luxo, joias e outros ativos de alto valor”, diz o pedido de busca e apreensão.

A PF cumpriu quase 100 mandados de busca em diferentes localidades ao redor do país. Outras dezenas de influenciadores digitais estão na lista, que investiga sobretudo a ocultação do patrimônio.

Essa não é a primeira vez que personalidades do mundo digital são investigadas pela Polícia ou em comissões do Congresso. Nomes como Virginia Fonseca, Rico Melquiades, Jojo Todynho, Gustavo Lima e Deolane Bezerra já passaram por investigações que envolveram casas de apostas, as chamadas bets.