Oncoclínicas (ONCO3) perde todos os membros do conselho após renúncia coletiva

A companhia mergulhou em uma nova crise após a saída do presidente do conselho provocar a renúncia coletiva de todos os conselheiros.

Publicado em 07/04/2026 às 14:45h Publicado em 07/04/2026 às 14:45h por Matheus Silva
A empresa está temporariamente sem conselho de administração (Imagem: Divulgação)
A empresa está temporariamente sem conselho de administração (Imagem: Divulgação)
🚨 A Oncoclínicas (ONCO3) entrou em uma fase crítica de sua trajetória após anunciar a renúncia do presidente do conselho de administração, Marcelo Gasparino da Silva. 
A saída, no entanto, não ocorreu de forma isolada. Como os conselheiros haviam sido eleitos pelo sistema de voto múltiplo, a decisão provocou a renúncia simultânea de todos os integrantes do colegiado.
Com isso, a companhia ficou temporariamente sem conselho de administração, uma situação incomum para empresas listadas. Em fato relevante, a empresa informou que uma nova composição será definida em assembleia geral extraordinária convocada para o dia 30 de abril de 2026.
O movimento acontece em meio a um cenário de forte deterioração financeira e operacional, que já começa a impactar diretamente o funcionamento da rede de tratamento oncológico.

Caixa pressionado e impactos na operação

A situação de liquidez da Oncoclínicas é considerada delicada. Segundo informações apuradas pelo mercado e divulgadas pelo jornal Valor Econômico, a companhia possui caixa suficiente para cerca de 15 dias.
Esse nível de restrição financeira já tem reflexos concretos no atendimento. A falta de recursos para aquisição de medicamentos vem levando ao adiamento de tratamentos, um ponto sensível considerando a natureza dos serviços prestados pela empresa.
Ainda de acordo com o jornal, aproximadamente 3 mil pacientes tiveram atendimentos postergados em apenas uma semana. Em casos mais graves, há relatos de transferência de pacientes para hospitais parceiros, numa tentativa de garantir continuidade no tratamento.
Além disso, o ambiente de incerteza também afeta o corpo clínico. Profissionais de saúde estariam deixando a companhia, o que amplia os desafios operacionais em um momento já pressionado.

Mudança na governança destrava negociações

A renúncia coletiva do conselho não ocorreu apenas por questões internas de governança. O movimento está diretamente ligado às negociações com investidores e credores em busca de capital para sustentar as operações.
A companhia recebeu ao menos três propostas de socorro financeiro. Duas delas tinham como objetivo, a saída do conselho de administração, o que indica que potenciais investidores buscavam mudanças estruturais antes de aportar recursos.
Entre os interessados está a Mak Capital, fundo norte-americano que detém cerca de 6,3% da empresa. A gestora propôs um empréstimo entre R$ 100 milhões e R$ 150 milhões, com o objetivo principal de garantir a continuidade da compra de medicamentos.
Como garantia, seriam utilizados recebíveis de operadoras de planos de saúde. Vale lembrar que a Oncoclínicas já havia solicitado antecipação desses valores no passado recente, mas enfrentou atrasos por parte de algumas operadoras, o que agravou a situação de caixa.
A Mak Capital já havia feito uma proposta anterior, envolvendo um aporte de R$ 500 milhões. Na ocasião, o fundo condicionou o investimento à destituição do conselho e à convocação de assembleia para revisão da governança.

Proposta bilionária e criação de nova estrutura

Outra proposta relevante veio da Starboard, gestora especializada em empresas em dificuldades financeiras. A oferta prevê um aumento de capital que pode chegar a R$ 1 bilhão, incluindo a conversão de dívida em ações.
Esse valor pode ser ampliado caso outros acionistas decidam não acompanhar a operação, aumentando a participação da gestora.
Além disso, a Starboard já havia demonstrado interesse em adquirir créditos da companhia com desconto, podendo envolver montantes de até R$ 1,7 bilhão, em uma estratégia típica de reestruturação.
Um dos pontos centrais das negociações é a criação de uma nova empresa, conhecida como “NewCo”. Nesse modelo, os ativos ligados às clínicas oncológicas, considerados o coração do negócio, seriam transferidos para essa nova estrutura, permitindo uma reorganização operacional e financeira.
Nesse contexto, a Fleury (FLRY3) surge como potencial co-investidor, o que pode reforçar a viabilidade da operação.

Papel dos acionistas e medidas emergenciais

A composição acionária também influencia o cenário atual. A Latache, que detém cerca de 14,62% das ações, teve papel relevante na formação do conselho anterior, elegendo a maioria dos membros.
Enquanto as negociações estruturais avançam, medidas emergenciais também são discutidas para aliviar o caixa no curto prazo.
Uma dessas iniciativas envolve a Porto Seguro, principal pagadora da Oncoclínicas. A seguradora propôs acelerar o pagamento pelos serviços prestados, reduzindo o prazo tradicional de cerca de 90 dias.
Essa antecipação pode representar um alívio relevante no fluxo de caixa, permitindo à companhia manter parte de suas operações enquanto busca uma solução mais ampla.
A atual situação não surgiu de forma repentina. Nos últimos anos, a Oncoclínicas já realizou dois aumentos de capital, em 2023 e 2024, com o objetivo de reduzir o nível de endividamento.
Nesse período, a entrada do Banco Master como acionista relevante foi vista como uma tentativa de reforçar a estrutura financeira.
Apesar dessas iniciativas, a companhia continuou enfrentando dificuldades para equilibrar sua geração de caixa com o nível de despesas e investimentos realizados ao longo dos últimos anos.
📊 A assembleia geral extraordinária marcada para o dia 30 de abril será um ponto importante para o futuro da empresa. A definição de um novo conselho é vista como condição essencial para avançar nas negociações com investidores e credores.

ONCO3

Oncoclínicas
Cotação

R$ 1,55

Variação (12M)

-70,36 % Logo Oncoclínicas

Margem Líquida

-47,38 %

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-0,62

P/VP

1,81