O processo que pode destruir a OpenAI às vésperas do maior IPO da história; entenda

O julgamento do processo de US$ 150 bilhões de Musk contra a OpenAI começa na próxima segunda-feira (27) com Altman e grandes nomes como testemunhas.

Publicado em 24/04/2026 às 19:15h Publicado em 24/04/2026 às 19:15h por Matheus Silva
Um júri de nove pessoas vai decidir sobre as acusações (Imagem: Shutterstock)
Um júri de nove pessoas vai decidir sobre as acusações (Imagem: Shutterstock)
🚨 A partir desta segunda-feira (28), começa a seleção do júri no tribunal federal de Oakland, na Califórnia, para o julgamento que vai decidir se Elon Musk foi, como ele próprio sugere, o "financiador ingênuo" de Sam Altman na criação da OpenAI.
O processo, que pode se estender por várias semanas, envolve pedido de indenização superior a US$ 150 bilhões e tem potencial para redesenhar a corrida global por inteligência artificial.
Musk pede que a OpenAI e a Microsoft, principal parceira da empresa, paguem as indenizações. Além disso, quer que a Justiça afaste Altman do conselho da OpenAI e reverta a transformação da companhia em um negócio com fins lucrativos.
Um júri de nove pessoas vai decidir sobre as acusações. Se Musk vencer, caberá à juíza Yvonne Gonzalez Rogers definir o valor das indenizações e outras medidas.

De um e-mail em 2015 ao banco dos réus em 2026

Em 25 de maio de 2015, Sam Altman enviou um e-mail a Elon Musk propondo um "Projeto Manhattan para IA", com a ideia de criar um laboratório de pesquisa no Vale do Silício para desenvolver uma inteligência artificial poderosa e compartilhá-la com o mundo por meio de uma organização sem fins lucrativos. 
Musk respondeu na mesma noite dizendo que a proposta "provavelmente valia uma conversa." Antes do fim daquele ano, os dois fundaram a OpenAI.
Quando o ChatGPT decolou e transformou a companhia em uma das mais influentes do planeta, Musk já havia deixado a organização após uma disputa de poder com Altman. Em 2024, ele entrou com o processo, alegando que Altman se aproveitou de seu dinheiro e traiu o acordo original ao colocar o lucro acima do interesse público.

Musk, Altman, Nadella e Murati devem depor ao longo do processo

O julgamento promete expor desavenças pessoais e discussões técnicas que vêm moldando o desenvolvimento da IA.
Entre as testemunhas confirmadas estão Satya Nadella, CEO da Microsoft (MSFT34); Mira Murati, ex-diretora de tecnologia da OpenAI; Shivon Zilis, ex-conselheira da organização e mãe de quatro filhos de Musk; e Ilya Sutskever, além de Helen Toner e Tasha McCauley, três integrantes do conselho que, em 2023, surpreenderam o mercado ao demitir Altman, decisão revertida cinco dias depois após pressão de funcionários e investidores.
"Não é comum ver empresas do Vale do Silício partindo para uma estratégia de terra arrasada nos tribunais, mas Elon é um caso à parte. Quando o homem mais rico do mundo processa você, é natural ficar preocupado, mesmo se achar que está completamente certo", disse Anupam Chander, professor de direito e tecnologia na Universidade Georgetown.

OpenAI avaliada em US$ 730 bi pode sair duramente enfraquecida

Musk afirma no processo que a OpenAI, hoje avaliada em cerca de US$ 730 bilhões e operando como empresa com fins lucrativos supervisionada pela ONG original, abandonou sua missão humanitária em troca de lucro. 
Ele alega que Altman e Greg Brockman o manipularam, garantindo que a organização seguiria um caminho mais seguro do que o de gigantes orientadas pelo lucro, como Google (GOGL34) e Microsoft, e com isso o convenceram a doar dezenas de milhões de dólares.
A OpenAI rebate a narrativa. Documentos do processo indicam que, em 2017, Jared Birchall, chefe do family office de Musk, registrou uma empresa chamada Open Artificial Intelligence Technologies, que seria justamente uma versão com fins lucrativos da OpenAI. 
"As próprias palavras e ações dele falam por si. Elon não só queria, como de fato criou, uma estrutura com fins lucrativos como novo modelo proposto para a OpenAI", escreveu a companhia em documento enviado ao tribunal. A OpenAI sustenta ainda que Musk só quer travar a empresa enquanto tenta emplacar seu próprio projeto de IA, a xAI, hoje sob o guarda-chuva da SpaceX.
Marc Toberoff, advogado de Musk, afirmou em comunicado que "ele está pedindo que a Justiça devolva tudo o que foi tirado de uma organização de interesse público e garanta que os responsáveis nunca mais possam fazer isso de novo." 
Em atualização recente ao pedido original, Musk alterou o destino das indenizações: em vez de recebê-las, quer que o dinheiro vá para a própria organização sem fins lucrativos ligada à OpenAI.

Desfecho pode beneficiar Google, Anthropic e DeepSeek

"Isso é só uma frente de uma guerra total entre bilionários por dinheiro, apoio político e, no fim das contas, a liderança absoluta em IA", avaliou Oren Etzioni, pesquisador veterano de inteligência artificial e cofundador do Allen Institute for AI e da startup Vercept.
Se Musk vencer, rivais como Google, Anthropic e até concorrentes internacionais como a chinesa DeepSeek tendem a sair ganhando, com a OpenAI enfraquecida justamente quando parece se preparar para um dos maiores IPOs da história. 
⚖️ Se perder, Altman deve consolidar ainda mais o controle sobre a companhia, que ficará livre para tocar seu plano de expansão de data centers, projeto que pode consumir centenas de bilhões de dólares.