Renda fixa entrou no buraco em 2026? Empresas já emitem menos títulos

Investimentos como CRAs, CRIs e debêntures captaram menos dinheiro durante o mês de janeiro, diz Anbima.

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Publicado em 19/02/2026 às 15:49h - Atualizado Agora Publicado em 19/02/2026 às 15:49h Atualizado Agora por Lucas Simões
Enquanto a renda fixa minguava, investidores correm para FIIs e ofertas de ações (Imagem: Shutterstock)
Enquanto a renda fixa minguava, investidores correm para FIIs e ofertas de ações (Imagem: Shutterstock)
Se nos últimos anos a renda fixa brasileira reinava absoluta como a queridinha das empresas para buscar dinheiro e, ao mesmo tempo, pagando juros compostos generosos aos investidores, agora em 2026, a situação é outra: menos captações em CRAs, CRIs e debêntures, enquanto FIIs e ofertas de ações brasileiras se fortalecem.
O mais recente boletim da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), divulgado nesta quinta-feira (19), mostra que as emissões de debêntures atingiram R$ 26,9 bilhões em janeiro de 2026, queda de -5,8% na comparação anual.
Quem empresta o seu dinheiro diretamente às empresas segue concentrando aportes no setor de infraestrutura (41,4%), que engloba as chamadas debêntures incentivadas, as quais são títulos de renda fixa totalmente isentos da cobrança de imposto de renda. 
Tanto os CRAs (Certificados de Recebíveis do Agronegócio) quanto os CRIs (Certificados de Recebíveis Imobiliários) amargaram reduções de -60,1% e -21,3%, respectivamente, nas captações em janeiro de 2026 ante seus volumes há um ano. Os títulos do agronegócio angariaram R$ 908 milhões, ao passo que os títulos imobiliários somaram R$ 3,2 bilhões. 
Por sua vez, as captações dos Fundos Imobiliários foram de R$ 4,8 bilhões no mês passado, com aumento de +18,9% no confronto anual. Já os seus primos do campo, os Fiagros, descolaram R$ 955 milhões no período, baixa de -8,6% na mesma base comparativa. 
Outro destaque positivo na renda variável brasileira é a retomada das ofertas subsequentes de ações (follow-ons, no termo em inglês), que totalizaram R$ 7,9 bilhões em janeiro de 2026, enquanto no mesmo período do ano passado as empresas listadas na bolsa de valores não haviam captado nenhum centavo com essa modalidade. 
“É interessante notar o desempenho neste início de ano de notas comerciais e FIDCs, tipos de investimento que atendem também empresas de menor porte, evidenciando o leque de opções no mercado de capitais para atender às necessidades de financiamento das companhias de diversas características e portes”, afirma Guilherme Maranhão, presidente do Fórum de Estruturação de Mercado de Capitais da Anbima.