Conselho da Caixa avalia incorporação do BRB (BSLI4) após crise do Master

A discussão ocorre em momento delicado para o BRB, que enfrenta dificuldades após a crise do Banco Master.

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Publicado em 23/02/2026 às 15:46h - Atualizado 12 horas atrás Publicado em 23/02/2026 às 15:46h Atualizado 12 horas atrás por Matheus Silva
Segundo estimativas, o BRB teria herdado perdas entre R$ 4,7 bilhões e R$ 5 bilhões (Imagem: Shutterstock)
Segundo estimativas, o BRB teria herdado perdas entre R$ 4,7 bilhões e R$ 5 bilhões (Imagem: Shutterstock)
🚨 O conselho de administração da Caixa Economica Federal deve se reunir nesta segunda-feira (23) para discutir os riscos de uma possível incorporação do Banco de Brasilia - BRB (BSLI4), segundo apuração do Valor Econômico. Até o momento, Caixa e BRB não comentaram oficialmente o tema.
A discussão ocorre em um contexto delicado para o banco regional, que enfrenta dificuldades após os desdobramentos da crise envolvendo o Banco Master. 
Estimativas apontam que o BRB teria herdado perdas entre R$ 4,7 bilhões e R$ 5 bilhões para provisionar, relacionadas a carteiras adquiridas da instituição.

Corrida aos saques e crise de liquidez

Após a crise do Master, o BRB teria enfrentado corrida de clientes para resgates, pressionando sua liquidez. 
Para fazer frente às saídas, a instituição vendeu ativos que somaram cerca de R$ 5 bilhões. Ainda assim, a situação não foi totalmente equacionada.
A estimativa é de que o banco possa carregar um passivo de até R$ 15 bilhões, além dos R$ 5 bilhões herdados nas carteiras do Master. 
O banco chegou a solicitar empréstimo ao FGC (Fundo Garantidor de Crédito), mas o pedido foi negado, ampliando as dificuldades financeiras.

Caixa teria capacidade parcial de absorção

Segundo o Valor, a incorporação pela Caixa é vista como uma alternativa para evitar um agravamento da crise. 
A instituição federal teria cerca de R$ 10 bilhões em caixa, mas poderia precisar de montante adicional caso o passivo consolidado do BRB alcance R$ 20 bilhões.
Um fator que pesa a favor da operação é o fato de a Caixa não ter capital aberto nem captação relevante no exterior. 
Como seu capital é integralmente da União, o risco de crédito está diretamente associado ao Tesouro Nacional. Na prática, eventual cobertura de perdas poderia envolver recursos públicos.

Riscos estratégicos e políticos

Por outro lado, a aquisição pode comprometer o processo de reestruturação que a própria Caixa vem conduzindo nos últimos anos. 
A instituição ainda busca consolidar indicadores financeiros e operacionais após ajustes internos, e uma incorporação dessa magnitude poderia pressionar seu balanço.
O cenário político também entra na equação. O BRB é controlado pelo governo do Distrito Federal, liderado por Ibaneis Rocha (MDB-DF). 
Uma eventual aquisição por parte do governo federal, sob a gestão de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), pode ter repercussões eleitorais e ampliar o debate sobre o uso de recursos públicos.
📈 A reunião do conselho deve avaliar não apenas os números envolvidos, mas também os impactos estratégicos, fiscais e políticos de uma eventual incorporação.

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