Como investir na renda fixa em abril de 2026?

Entenda a narrativa dos mercados para saber aproveitar o poder dos juros compostos.

Publicado em 01/04/2026 às 16:42h Publicado em 01/04/2026 às 16:42h por Lucas Simões
Guerra no Irã mantém taxas elevadas na renda fixa brasileira (Imagem: Shutterstock)
Guerra no Irã mantém taxas elevadas na renda fixa brasileira (Imagem: Shutterstock)
Investir em renda fixa é, na verdade, mais sobre emprestar o seu dinheiro a alguém por determinado tempo e recebê-lo de volta acrescido de bons juros compostos. Casar uma meta financeira ou um sonho ao prazo de vencimento de um título é o ideal a se fazer, na visão de especialistas.
Todavia, vale muito a pena entender qual é a narrativa dos mercados em abril de 2026, pois tal conhecimento aumenta as chances dos investidores de renda fixa se travarem com boas taxas e protegerem o seu patrimônio dos intensos solavancos da bolsa de valores.
Sem mais delongas, para quem é mais conservador ou só está focado em completar a sua reserva de emergência, o momento ainda é oportuno para colocar dinheiro em títulos indexados à Selic ou ao CDI
Como noticiamos aqui no Investidor10, apenas o Tesouro Selic 2031 pagou 1,23% ao mês durante março de 2026, enquanto títulos públicos mais arriscados e que estão na boca do povo derreteram até -10% na marcação a mercado, diante da disparada das taxas.
Mesmo com a queda progressiva da taxa Selic ao longo do ano, a chamada renda fixa seguirá atrativa no curto prazo, embora analistas do BTG Pactual não escondam que o CDI, historicamente, apresenta o pior desempenho 12 meses prospectivamente antes do início do ciclo de corte de juros. 
Caso o investidor se depare com um CDB (Certificado de Depósito Bancário) oferecendo 105% do CDI, ao aplicar R$ 25 mil e manter a quantia travada pelos próximos 12 meses, colherá o rendimento líquido de R$ 28.045,90. Enquanto isso, a caderneta de poupança renderia apenas R$ 27.055,00. 
Nas projeções do estrategista de produtos de investimento do C6 Bank, Marcelo Freller, um CDB pagando 105% do CDI ainda tem condições de bancar o cobiçado 1% ao mês pelos próximos 12 meses, uma vez que a taxa Selic não cairá tão rápido quanto se previa antes. 

Prefixados e IPCA+

Quem tolera mais risco na carteira e deseja lucrar pesado na marcação a mercado geralmente está olhando para os títulos prefixados e indexados à inflação (IPCA+), sobretudo, títulos públicos disponíveis no Tesouro Direto, dada a facilidade de entrada e saída.
Conforme Álvaro Frasson, estrategista-chefe do BTG Pactual, são os títulos públicos Tesouro IPCA+ de longo prazo que ostentam as melhores oportunidades na renda fixa brasileira em abril de 2026.
"Acreditamos que a curva de juros reais segue bastante atrativa, sobretudo nos vértices médios/longos, e com expectativas de inflação (ainda que marginalmente melhores) desancoradas para os próximos 12 meses, compondo fundamentos atrativos para o posicionamento tático", explica o especialista.
Embora o Tesouro Renda+ 2065 tenda a entregar ganhos exponenciais se os juros compostos recuarem bastante e rapidamente, na outra ponta, quaisquer ligeiras subidas das taxas, como vimos no mês passado, podem destravar prejuízos na marcação a mercado.
Por isso, Frasson recomenda que os investidores construam uma carteira diversificada de títulos indexados à inflação, buscando um prazo de vencimento médio de 7 anos, mas com viés de maior alongamento nos vencimentos em razão dos elevados prêmios de risco e timing atrativo para a redução dos mesmos. 
Ou seja, o investidor pode mesclar posições no próprio Tesouro Renda+ 2065, mas também mirar no Tesouro IPCA+ 2050 e até mesmo no Tesouro IPCA+ 2032, cujo juro real se aproxima de 8% ao ano.
Sobre os títulos prefixados, o BTG Pactual recomenda não extrapolar um prazo de vencimento médio de 4 anos, já que trata-se do indexador de renda fixa mais arriscado, fora o risco inflacionário que a guerra no Irã pode provocar ao Brasil. Ainda é possível encontrar títulos privados emitidos por empresas resilientes pagando acima de 16% ao ano.