Balanceamento de carteira: o que é e como fazer o rebalanceamento dos investimentos

O balanceamento de carteira ajuda a manter os investimentos alinhados à estratégia definida pelo investidor. Entenda como funciona o rebalanceamento, quando fazer e veja exemplos práticos.

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Publicado em 13/08/2026 às 19:05h Publicado em 13/08/2026 às 19:05h por João Henrique Possas
O que é balanceamento de carteira? Fonte: Shutterstock
O que é balanceamento de carteira? Fonte: Shutterstock

Com o passar do tempo, a composição de uma carteira de investimentos pode mudar mesmo que o investidor não compre ou venda nenhum ativo.

Isso acontece porque os investimentos apresentam desempenhos diferentes. Se as ações de uma carteira se valorizarem mais do que os ativos de renda fixa, por exemplo, a participação da renda variável no patrimônio aumentará.

É nesse contexto que entra o rebalanceamento de carteira: o processo de ajustar novamente a distribuição dos investimentos para aproximá-la da alocação definida pelo investidor.

Na prática, o rebalanceamento pode envolver novos aportes, compras ou vendas de ativos. O objetivo principal não é aumentar automaticamente a rentabilidade, mas manter a carteira coerente com a estratégia, os objetivos e o nível de risco escolhido.

O que é balanceamento de carteira?

Balanceamento de carteira é a definição de como o patrimônio será distribuído entre diferentes investimentos, considerando fatores como risco, objetivos, prazo e necessidade de liquidez.

Uma carteira pode ser distribuida, por exemplo, entre:

Essa distribuição é chamada de alocação de ativos.

Um investidor pode estabelecer que deseja manter 60% do patrimônio em renda fixa e 40% em renda variável. Outro pode escolher uma composição completamente diferente.

Não existe uma proporção universalmente adequada para todos os investidores. A distribuição depende da estratégia adotada, do horizonte de investimento, dos objetivos financeiros e da tolerância ao risco.

Qual a diferença entre balanceamento e rebalanceamento de carteira?

O balanceamento define a distribuição desejada dos investimentos, enquanto o rebalanceamento ajusta a carteira quando essa distribuição se afasta do planejamento.

Imagine uma carteira inicialmente dividida da seguinte maneira:

Classe

Alocação definida

Renda fixa

60%

Renda variável

40%

Depois de um período de valorização das ações, a composição poderia passar para:

Classe

Alocação atual

Renda fixa

50%

Renda variável

50%

Nesse caso, a carteira passou a ter uma exposição à renda variável maior do que a originalmente definida.

O rebalanceamento consiste em fazer os ajustes necessários para aproximar novamente a carteira da proporção de 60% em renda fixa e 40% em renda variável.

Essa distinção é importante porque o investidor não precisa necessariamente mudar sua estratégia. Muitas vezes, está apenas restaurando a estratégia que já havia definido.

Para que serve o rebalanceamento de carteira?

O rebalanceamento serve principalmente para evitar que as oscilações dos investimentos alterem excessivamente a exposição ao risco e a composição planejada da carteira.

Quando uma classe de ativos apresenta desempenho muito superior às demais, sua participação no patrimônio tende a crescer.

Com isso, uma carteira originalmente moderada, por exemplo, pode ficar mais concentrada em ativos voláteis sem que o investidor tenha tomado conscientemente essa decisão.

Entre as funções do rebalanceamento estão:

  • Manter a carteira próxima da alocação planejada;

  • Controlar concentrações excessivas;

  • Preservar a diversificação;

  • Manter a exposição ao risco dentro dos parâmetros definidos;

  • Direcionar novos aportes de forma mais organizada.

A B3 destaca que o objetivo central do rebalanceamento está relacionado à manutenção da estratégia e ao controle da exposição ao risco, e não à garantia de maior rentabilidade.

Como funciona o rebalanceamento de carteira?

O rebalanceamento começa pela comparação entre a composição atual da carteira e a alocação que o investidor pretende manter.

O processo pode ser dividido em quatro etapas:

  1. Verificar quanto cada ativo ou classe representa atualmente;

  2. Comparar os percentuais com a alocação definida;

  3. Identificar posições acima ou abaixo da proporção desejada;

  4. Realizar os ajustes necessários.

Esses ajustes não precisam ocorrer necessariamente por meio da venda de investimentos.

Quando o investidor realiza aportes periódicos, por exemplo, pode direcionar o dinheiro novo para as classes que ficaram abaixo da meta.

Exemplo de rebalanceamento de carteira

Imagine um investidor com R$ 10 mil, distribuídos da seguinte maneira:

  • R$ 6 mil em renda fixa, equivalentes a 60%;

  • R$ 4 mil em renda variável, equivalentes a 40%.

Depois de algum tempo, suponha que a renda variável se valorize e a carteira passe a valer R$ 12 mil, sendo:

  • R$ 6 mil em renda fixa;

  • R$ 6 mil em renda variável.

Agora, a carteira está dividida em 50% de renda fixa e 50% de renda variável.

Caso a estratégia continue sendo 60/40, a distribuição desejada sobre R$ 12 mil seria:

  • R$ 7,2 mil em renda fixa;

  • R$ 4,8 mil em renda variável.

Há, portanto, um desvio de R$ 1,2 mil em relação à alocação planejada.

O investidor poderia corrigir essa diferença vendendo parte da renda variável e realocando os recursos ou utilizando novos aportes para aumentar gradualmente a participação da renda fixa.

Como rebalancear uma carteira sem vender ativos?

É possível rebalancear a carteira utilizando novos aportes, direcionando o dinheiro para os ativos ou classes que ficaram abaixo da proporção planejada.

Essa alternativa pode ser especialmente útil para quem ainda está na fase de acumulação de patrimônio.

Imagine que a renda variável deveria representar 40% da carteira, mas caiu para 35%.

Em vez de vender ativos que estão acima da meta, o investidor pode direcionar seus próximos aportes para renda variável até que sua participação se aproxime novamente dos 40%.

A própria B3 apresenta o direcionamento de novos aportes para posições sub-representadas como uma das formas de realizar o rebalanceamento.

Quando fazer o rebalanceamento da carteira?

Não existe uma frequência única para rebalancear uma carteira. O investidor pode utilizar períodos definidos ou estabelecer limites de desvio para cada classe.

Entre as abordagens mais utilizadas estão:

Rebalanceamento por período

A carteira é revisada em intervalos previamente estabelecidos, como a cada seis meses ou uma vez por ano. A vantagem é evitar mudanças constantes motivadas por oscilações de curto prazo.

Rebalanceamento por percentual

Outra estratégia é definir uma margem de tolerância.

Se uma classe deveria representar 30% da carteira, por exemplo, o investidor pode estabelecer que fará ajustes quando a participação se afastar determinado número de pontos percentuais da meta.

A B3 cita como exemplo um limite de 5 pontos percentuais acima ou abaixo da alocação planejada. Isso é uma referência de método, e não uma regra que necessariamente serve para todos os investidores.

Mudança de objetivos ou perfil

A carteira também pode precisar ser revista quando ocorre uma mudança relevante na situação do investidor.

Alterações de objetivos, horizonte de investimento ou capacidade de assumir riscos podem exigir não apenas um rebalanceamento, mas uma nova alocação de ativos.

Rebalancear significa vender o que subiu?

Não necessariamente.

Uma forma de rebalancear consiste em reduzir posições que ficaram acima da proporção planejada e aumentar aquelas que ficaram abaixo.

Mas novos aportes também podem cumprir essa função.

Por isso, rebalanceamento não deve ser resumido à ideia de simplesmente “vender o que subiu e comprar o que caiu”.

Antes de realizar vendas, também é importante considerar custos, tributação, liquidez e a própria estratégia utilizada para selecionar os investimentos.

Quais critérios podem ser usados para balancear uma carteira?

A composição pode considerar diferentes dimensões do patrimônio.

Classes de ativos: Uma das divisões mais comuns é entre renda fixa, renda variável e outras classes.

Risco: O investidor pode avaliar quanto do patrimônio está exposto a diferentes tipos e níveis de risco.

Liquidez: Também é possível observar quanto da carteira pode ser convertido em dinheiro rapidamente.

Recursos destinados a necessidades de curto prazo ou reserva de emergência, por exemplo, exigem características diferentes daqueles destinados a objetivos de longo prazo.

Indexadores

Na renda fixa, também pode ser relevante observar a exposição a diferentes formas de remuneração, como:

  • Títulos prefixados;

  • Ativos pós-fixados;

  • Títulos indexados à inflação.

Isso evita que toda a parcela de renda fixa dependa do mesmo cenário econômico.

Setores e empresas

Dentro da renda variável, o investidor também pode observar a concentração em determinados setores ou companhias.

Ter várias ações não necessariamente significa possuir uma carteira bem distribuída caso grande parte do patrimônio esteja exposta aos mesmos riscos.

O que é alocação de ativos?

A alocação de ativos é a forma como o investidor distribui seu patrimônio entre diferentes classes de investimentos de acordo com seus objetivos, horizonte de tempo, necessidade de liquidez e tolerância ao risco.

Na prática, é a alocação que determina quanto da carteira ficará exposto a cada tipo de investimento.

Uma carteira pode ser distribuída, por exemplo, entre:

Dentro da renda fixa, a alocação também pode considerar diferentes características dos investimentos, como prazo, liquidez, risco de crédito e forma de remuneração, incluindo títulos prefixados, pós-fixados ou indexados à inflação.

Nesse contexto, indicadores como CDI e IPCA podem servir como referências para diferentes investimentos, mas não são classes de ativos.

A alocação não precisa ser igual para todos. Um investidor pode estabelecer uma carteira com maior participação em renda fixa, enquanto outro pode aceitar uma exposição maior à renda variável.

Essa distribuição funciona como uma estrutura de referência para a carteira. A partir dela, é possível acompanhar se os investimentos continuam próximos dos percentuais definidos ou se as oscilações do mercado alteraram significativamente sua composição.

Qual a relação entre alocação, balanceamento e rebalanceamento?

Os três conceitos estão relacionados, mas representam etapas diferentes da gestão de uma carteira.

Alocação de ativos é a definição de como o patrimônio será distribuído.

Balanceamento de carteira é a organização dessa distribuição de acordo com a estratégia estabelecida.

Rebalanceamento é o ajuste realizado posteriormente quando a composição da carteira se distancia da alocação desejada.

 

Quais são as principais estratégias de balanceamento?

Existem diferentes referências para definir uma alocação de carteira.

Elas podem servir como ponto de partida para compreender a relação entre risco e distribuição de ativos, mas não devem ser interpretadas como fórmulas universais de investimento.

Estratégia 50/50 de Benjamin Graham

Benjamin Graham apresentou uma estratégia de referência baseada na divisão entre ações e títulos de renda fixa.

Em O Investidor Inteligente, Graham utiliza 50% em ações e 50% em títulos como uma divisão de referência para o investidor defensivo.

Ele também admitia uma faixa entre 25% e 75% para cada uma das duas classes, dependendo das circunstâncias, mantendo 50/50 como referência central.

O princípio é particularmente interessante para entender o rebalanceamento: quando a valorização de uma classe altera significativamente a proporção, parte do patrimônio pode ser realocada para restaurar a distribuição planejada.

Conheça o Ranking de Benjamin Graham e saiba quais ações mais baratas deacordo com a estratégia. 

Estratégia Barbell

A chamada estratégia Barbell, associada às ideias de Nassim Nicholas Taleb, trabalha com exposições concentradas nos extremos de risco, evitando uma concentração intermediária.

O artigo anterior apresentava essa estratégia simplesmente como 90% em ativos de menor risco e 10% em ativos de maior risco.

Essa divisão pode aparecer como uma representação didática da estratégia, mas o conceito central está na combinação entre uma parcela fortemente protegida e uma parcela pequena exposta a riscos elevados e retornos potencialmente assimétricos.

Regra dos 60 de Gustavo Cerbasi

A Regra dos 60, atribuída ao educador financeiro Gustavo Cerbasi, utiliza a idade como referência para definir a parcela da carteira destinada à renda variável.

O cálculo consiste em subtrair a idade do investidor de 60. O resultado representa o percentual sugerido para renda variável, enquanto o restante seria destinado à renda fixa.

Por exemplo, para uma pessoa de 30 anos:

60 - 30 = 30%

Pela regra, a carteira teria 30% em renda variável e 70% em renda fixa.

A estratégia parte da ideia de reduzir gradualmente a exposição à renda variável conforme a idade avança. No entanto, a idade não deve ser o único critério para definir a alocação de uma carteira. Objetivos, patrimônio, horizonte de investimento, necessidade de liquidez e tolerância ao risco também precisam ser considerados.

Regra dos 80

A Regra dos 80 segue uma lógica semelhante, mas utiliza 80 como referência:

80 - idade = percentual destinado à renda variável.

Assim, uma pessoa de 30 anos teria, pela fórmula, 50% em renda variável e 50% em renda fixa. O próprio artigo original apresenta essa regra como uma alternativa mais arrojada à Regra dos 60.

Só faria uma distinção importante: pelo arquivo, conseguimos sustentar a atribuição da Regra dos 60 ao Cerbasi. Eu não atribuiria automaticamente a Regra dos 80 a ele sem outra fonte.

 

Qual é o melhor balanceamento de carteira?

Não existe um balanceamento de carteira ideal para todos os investidores.

A alocação adequada depende de fatores como:

  • Objetivos financeiros;

  • Horizonte de investimento;

  • Tolerância e capacidade de assumir riscos;

  • Necessidade de liquidez;

  • Situação patrimonial;

  • Estratégia de investimento.

Uma carteira com maior participação em renda variável pode ser compatível com determinado investidor e inadequada para outro.

Da mesma forma, uma carteira concentrada em renda fixa não é automaticamente conservadora: prazo, emissor, risco de crédito, indexador e marcação a mercado também influenciam seu risco.

Por isso, o balanceamento deve considerar as características dos ativos e a função que cada um exerce dentro da carteira, e não apenas percentuais genéricos.

Quais os riscos de não rebalancear a carteira?

Uma carteira que não é revisada pode se afastar progressivamente da estratégia originalmente definida.

Isso pode provocar:

  • Concentração excessiva em uma classe;

  • Exposição ao risco maior ou menor que a desejada;

  • Perda de diversificação;

  • Inadequação aos objetivos atuais;

  • Concentração em ativos que tiveram forte valorização.

Por outro lado, rebalancear excessivamente também pode ser prejudicial.

Alterações frequentes podem aumentar custos, gerar eventos tributários e fazer com que decisões de longo prazo sejam influenciadas por movimentos de curto prazo.

O objetivo, portanto, não é manter cada percentual perfeitamente imóvel, mas estabelecer uma política coerente para revisar a carteira.

Balanceamento de carteira reduz riscos?

O balanceamento pode ajudar a controlar a exposição aos riscos definidos na estratégia, mas não elimina o risco dos investimentos.

Uma carteira diversificada continua sujeita a oscilações de mercado, risco de crédito, liquidez, inflação, juros e outros fatores.

O papel do balanceamento é evitar que mudanças no valor dos investimentos transformem silenciosamente a composição da carteira em algo muito diferente do planejado.

Balanceamento de carteira aumenta a rentabilidade?

Não há garantia de que rebalancear uma carteira aumentará sua rentabilidade.

Esse é um ponto importante porque o artigo anterior associa algumas práticas de balanceamento a “sucesso” e “maximização dos rendimentos”.

O principal objetivo do rebalanceamento é manter a alocação e o risco da carteira coerentes com a estratégia. A própria B3 ressalta que, embora o processo possa contribuir para o desempenho em determinadas situações, sua função central não é garantir retornos maiores.

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Como acompanhar o balanceamento da carteira?

O primeiro passo é conhecer a participação que cada investimento representa no patrimônio total.

Para isso, o investidor pode acompanhar:

  • Valor atual da carteira;

  • Percentual por classe de ativo;

  • Percentual por ativo;

  • Rentabilidade;

  • Concentração;

  • Evolução patrimonial.

Essas informações permitem comparar a carteira atual com a alocação definida inicialmente e identificar eventuais desvios.

No Gerenciador de Carteiras do Investidor10, é possível reunir os investimentos e acompanhar a composição e o desempenho do patrimônio em um único ambiente.

Conclusão: como manter uma carteira balanceada?

Manter uma carteira balanceada significa acompanhar se a distribuição dos investimentos continua coerente com a estratégia definida.

Como os ativos apresentam desempenhos diferentes ao longo do tempo, os percentuais tendem a mudar. O rebalanceamento permite corrigir esses desvios, seja por meio de novos aportes ou pela realocação de recursos.

Mais importante do que seguir uma proporção fixa ou uma fórmula genérica é estabelecer uma alocação compatível com os objetivos e definir quando e por quais critérios ela será revisada.

Dessa forma, o investidor consegue acompanhar não apenas quanto sua carteira está rendendo, mas também como seu patrimônio está distribuído e quais riscos está assumindo ao longo do tempo.

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