Top 10 blogs do Brasil sobre investimentos
Publicado em 15/06/2022
A reserva de emergência é uma quantia disponível para enfrentar despesas inesperadas ou períodos de redução da renda sem comprometer outros investimentos ou recorrer imediatamente a dívidas.
Não existe um único valor adequado para todas as pessoas, assim como nao existe uma classe de investimento chamada “Reserva de Emergência”.
O tamanho da reserva depende dos gastos mensais, da estabilidade da renda, da composição familiar e de outros fatores.
Neste artigo, você vai entender como calcular sua reserva de emergência, quais investimentos podem ser considerados e em quais situações faz sentido utilizar o dinheiro.
A reserva de emergência é um valor destinado a despesas inesperadas ou períodos de redução de renda como uma proteção financeira de curto prazo, equivalente a pelo menos 6 meses das despesas.
O dinheiro pode ser utilizado diante de situações como perda do emprego, redução temporária da renda, despesas médicas inesperadas ou reparos essenciais na residência.
Por isso, a reserva deve estar disponível quando necessária. Diferentemente de investimentos destinados à aposentadoria ou a objetivos de longo prazo, não é possível saber quando o dinheiro será utilizado.
Também é importante entender o que não é reserva de emergência. O valor não deve ser confundido com recursos destinados a:
Viagens.
Troca de carro.
Entrada de um imóvel.
Compras planejadas.
Aposentadoria.
Investimentos de longo prazo.
Gastos anuais previsíveis.
Oportunidades de investimento.
A diferença principal está na previsibilidade.
Por exemplo, IPVA, matrícula escolar ou uma viagem de férias, que podem representar despesas relevantes, mas são gastos que podem ser planejados antecipadamente.
Uma referência utilizada pelo Portal do Investidor é manter o equivalente a 6 a 12 meses de gastos. O próprio órgão ressalta, entretanto, que o valor exato depende da realidade de cada pessoa.
O cálculo deve considerar principalmente quanto custa manter as despesas necessárias todos os meses, e não simplesmente multiplicar o salário.
Uma pessoa que recebe R$ 8 mil líquidos, mas possui R$ 5 mil em despesas mensais consideradas necessárias.
Uma reserva equivalente a seis meses seria:
R$ 5.000 × 6 = R$ 30.000.
Para 12 meses:
R$ 5.000 × 12 = R$ 60.000.
O número de meses pode variar de acordo com fatores como:
Estabilidade da renda: Uma renda variável pode exigir uma margem maior.
Vínculo profissional: Autônomos e empresários podem enfrentar oscilações diferentes de trabalhadores com renda mais previsível.
Dependentes: Quanto mais pessoas dependem daquela renda, maior pode ser a necessidade de proteção.
Número de fontes de renda: Uma família com duas fontes independentes pode ter uma situação diferente de outra sustentada por apenas uma pessoa.
Despesas essenciais: Moradia, alimentação, saúde, transporte e outras obrigações precisam entrar no cálculo.
Seguros e outras proteções: Algumas despesas extraordinárias podem estar parcialmente cobertas por seguros.
Por isso, seis meses não devem ser tratados como uma regra universal. É uma referência para iniciar o planejamento.
💡 Quer descobrir quanto guardar? Use a Calculadora de Reserva de Emergência para estimar o valor da sua reserva de acordo com seus gastos e período de proteção.
O prazo depende do valor necessário e de quanto é possível poupar mensalmente.
Se a meta for R$ 30 mil e a pessoa conseguir destinar R$ 1 mil por mês, por exemplo, serão necessários aproximadamente 30 meses sem considerar os rendimentos obtidos durante o período.
Isso não significa que seja necessário esperar dois anos e meio para começar a investir na reserva. A construção pode ocorrer gradualmente.
Uma pessoa que acumulou R$ 5 mil de uma meta de R$ 30 mil ainda não possui a reserva completa, mas já conta com alguma proteção diante de despesas inesperadas.
Uma estratégia é definir um aporte mensal recorrente com valores variáveis e direcioná-lo à reserva até atingir o valor estabelecido.
Depois disso, os novos aportes podem ser destinados aos demais objetivos financeiros.
O investimento utilizado para a reserva possui uma função diferente daquele escolhido para objetivos de longo prazo.
Nesse caso, o retorno é menos importante do que baixo risco e alta liquidez.
Assim, três características merecem atenção:
Liquidez: O dinheiro precisa estar disponível quando surgir uma emergência.
Segurança: A preservação dos recursos é prioridade para mitigar riscos.
Rentabilidade: O dinheiro pode continuar rendendo, desde que o retorno não comprometa os dois critérios anteriores.
Entre as alternativas que podem ser analisadas estão investir a reserva de emergência no Tesouro Selic, CDBs com liquidez diária, determinados fundos de renda fixa e poupança.
A reserva de emergência no Tesouro Selic fica aplicada em um título público cuja rentabilidade acompanha a taxa Selic e que apresenta baixa volatilidade em comparação a outros títulos do Tesouro Direto.
O título possui liquidez diária e pode ser vendido antes do vencimento.
Para a reserva, é importante observar os horários e prazos de liquidação do resgate, já que liquidez diária não significa necessariamente acesso instantâneo ao dinheiro.
A rentabilidade está sujeita ao Imposto de Renda regressivo, conforme o prazo da aplicação.
O Tesouro Selic não possui cobertura do FGC, pois é um título emitido pelo Tesouro Nacional.
A reserva de emergência em CDB (Certificado de Depósito Bancário) com liquidez diária permite manter o dinheiro aplicado em um título de renda fixa bancário com possibilidade de resgate sem precisar esperar o vencimento.
A remuneração costuma ser atrelada ao CDI, como nos CDBs que pagam determinado percentual desse indicador. Para a reserva, porém, é importante avaliar não apenas quanto rende, mas também prazo efetivo de resgate, tributação e solidez da instituição emissora.
Os CDBs também contam com cobertura do FGC, respeitados os limites e as regras da garantia.
Por isso, CDBs com liquidez diária podem ser uma alternativa para a reserva de emergência, desde que o dinheiro esteja disponível em prazo compatível com essa finalidade.
A reserva de emergência em Fundos de renda fixa e Fundos DI pode funcionar quando o produto combina baixo risco e alta liquidez, permitindo resgatar o dinheiro em prazo compatível com a necessidade de uma emergência.
Esses fundos costumam investir principalmente em títulos públicos e outros ativos de renda fixa, mas as características variam conforme a política de cada produto.
Por isso, é importante verificar o prazo de resgate, composição da carteira, taxa de administração e tributação antes de utilizar um fundo para essa finalidade.
Fundos com resgate em D+0 ou D+1 podem ser mais adequados do que aqueles com prazos maiores, já que a reserva precisa estar acessível.
Também vale observar que fundos de investimento não contam com cobertura do FGC.
Portanto, a escolha deve considerar a qualidade dos ativos da carteira e a estrutura do fundo, e não apenas a facilidade de aplicação.
A reserva de emergência na Poupança combina liquidez e facilidade de acesso aos recursos, enquanto sua remuneração varia conforme a Selic.
Quando a taxa está acima de 8,5% ao ano, a poupança rende 0,5% ao mês + TR. Quando está igual ou abaixo desse patamar, rende 70% da Selic + TR.
Um ponto de atenção é a data de aniversário. O rendimento é creditado mensalmente e, caso o dinheiro seja retirado antes dessa data, o poupador pode perder a remuneração correspondente ao período sobre o valor resgatado.
Por isso, apesar da liquidez e simplicidade, a poupança deve ser comparada a outras opções para reserva de emergência considerando rentabilidade, segurança e disponibilidade dos recursos.
Esse ponto merece entrar no artigo porque houve uma mudança recente.
O Tesouro Reserva é um novo produto do Tesouro Direto criado especificamente com foco na formação de reservas.
Segundo o Tesouro Direto, o produto rende 100% da Selic, permite começar com R$ 1 e possui possibilidade de saque.
Neste primeiro momento, entretanto, sua disponibilização está vinculada ao Banco do Brasil.
A página do Portal do Investidor ainda descreve o título como em fase de testes e preparação para disponibilização geral.
Por se tratar de um produto novo e ainda em processo de expansão, é importante verificar as condições vigentes no momento da aplicação.
A reserva precisa ter alta liquidez, mas existe uma diferença importante entre liquidez diária e dinheiro instantaneamente disponível.
Liquidez representa a facilidade e a rapidez com que um investimento pode ser convertido novamente em dinheiro a um valor adequado.
Um investimento pode permitir solicitações de resgate diariamente, por exemplo, mas efetuar o pagamento apenas depois de determinado prazo.
Também podem existir regras relacionadas a:
Horário da solicitação.
Dias úteis.
Finais de semana.
Feriados.
Prazo de liquidação.
Funcionamento da instituição financeira.
Por isso, antes de utilizar determinado investimento para a reserva, vale verificar quanto tempo realmente leva entre solicitar o resgate e conseguir utilizar o dinheiro.
É melhor deixar toda a reserva de emergência no mesmo investimento?
Não existe uma obrigação de manter toda a reserva em um único produto.
Uma possibilidade é manter uma parte do dinheiro em uma alternativa com disponibilidade mais imediata e outra parcela em investimentos conservadores que também apresentem alta liquidez.
Isso pode ser útil porque diferentes emergências exigem diferentes velocidades de acesso ao dinheiro.
Uma despesa que precisa ser paga em poucas horas é diferente de um período de desemprego, no qual os recursos provavelmente serão utilizados gradualmente ao longo dos meses.
A divisão, entretanto, não deve transformar a reserva em uma estratégia complexa de busca por rentabilidade. A finalidade principal continua sendo manter recursos seguros e acessíveis.
Quando usar a reserva de emergência?
A reserva existe justamente para ser utilizada quando uma situação realmente inesperada compromete o orçamento.
Alguns exemplos são:
Perda inesperada da renda.
Demissão.
Despesa médica necessária e não planejada.
Reparo urgente na residência.
Conserto indispensável de um veículo utilizado para trabalhar.
Outra despesa necessária que não poderia ser prevista adequadamente.
Por outro lado, despesas previsíveis devem ser planejadas separadamente.
Uma viagem, IPVA, presentes de fim de ano ou troca planejada de celular não se tornam emergências apenas porque o dinheiro disponível no orçamento naquele mês é insuficiente.
Uma pergunta útil antes de utilizar a reserva é: essa despesa é necessária, inesperada e não poderia ter sido planejada?
💡Saiba mais: Investidor10: plataforma de análise de investimentos, gestão de carteira e IRPF
Reserva de emergência é a mesma coisa que reserva de oportunidade?
Não. Embora as duas envolvam dinheiro disponível, possuem objetivos diferentes.
A reserva de emergência existe para proteger a vida financeira diante de imprevistos.
Já a chamada reserva de oportunidade é um valor que alguns investidores mantêm disponível para aproveitar possíveis oportunidades de investimento.
Imagine que a bolsa sofra uma queda expressiva. Utilizar a reserva de emergência para comprar ações pode deixar o investidor sem recursos justamente se uma demissão ou despesa médica acontecer logo depois.
Por isso, se a estratégia envolver uma reserva de oportunidade, o ideal é tratá-la como um objetivo separado da proteção destinada às emergências.
Usar a reserva diante de uma emergência real não representa um erro. Significa que o dinheiro cumpriu a finalidade para a qual foi acumulado.
Depois que a situação estiver controlada, o próximo passo é avaliar quanto foi utilizado e quanto falta para retornar ao valor definido como adequado.
O próprio guia de planejamento financeiro disponibilizado pela CVM recomenda programar a recomposição da reserva depois de sua utilização.
Por exemplo, se a reserva-alvo era de R$ 30 mil e R$ 8 mil foram utilizados, o saldo passou para R$ 22 mil.
A nova meta de recomposição será de R$ 8 mil.
O investidor pode então voltar a direcionar parte dos aportes mensais para a reserva até atingir novamente o valor desejado.
Não existe um imposto específico chamado "Imposto de Renda da reserva de emergência".
A tributação depende do investimento escolhido para manter o dinheiro.
Tesouro Selic e CDBs, por exemplo, seguem as regras tributárias aplicáveis aos investimentos de renda fixa. Fundos possuem suas próprias regras, enquanto a poupança tem tratamento tributário diferente para pessoas físicas.
Por isso, a tributação deve ser considerada na comparação entre alternativas, mas não deve ser analisada isoladamente.
Para uma reserva, liquidez e segurança continuam sendo características fundamentais, mesmo quando outro produto apresenta alguma vantagem tributária.
A reserva de emergência é protegida pelo FGC?
Depende de onde o dinheiro está investido.
O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) oferece garantia para determinados produtos emitidos por instituições financeiras dentro das condições estabelecidas pelo fundo.
Entre os produtos abrangidos estão:
CDB e RDB.
Poupança.
LCI.
LCA.
LC.
Outros depósitos e títulos elegíveis.
A garantia ordinária é de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ e por instituição ou conglomerado financeiro, observadas também as demais regras e limites do FGC.
O Tesouro Selic não possui cobertura do FGC porque não é um título bancário. Trata-se de um título público emitido pelo Tesouro Nacional.
Portanto, não é correto dizer simplesmente que "a reserva de emergência tem FGC". A cobertura depende do produto no qual a reserva está aplicada.
Levantar as despesas essenciais: Identifique quanto é necessário mensalmente para manter moradia, alimentação, saúde, transporte e demais compromissos necessários.
Definir o período de proteção: Considere estabilidade da renda, dependentes e demais características pessoais.
Calcular a meta: Multiplique as despesas mensais pelo número de meses escolhido.
Definir o aporte: Determine quanto do orçamento pode ser destinado mensalmente à construção da reserva.
Escolher onde guardar: Priorize segurança e liquidez compatíveis com a finalidade.
Automatizar os aportes: Quando possível, programe transferências para reduzir a dependência de decisões mensais.
Acompanhar a evolução: Compare periodicamente o saldo acumulado com a meta.
Revisar o valor: Mudanças relevantes no custo de vida podem exigir uma nova estimativa.
Uma pessoa que passa a pagar um aluguel maior, tem um filho ou começa a trabalhar como autônoma, por exemplo, pode precisar recalcular sua reserva.
💡Saiba mais: Calculadora de Reserva de Emergência do Investidor10
Uma reserva bem dimensionada pode perder parte de sua utilidade se estiver em um investimento incompatível com o objetivo ou for utilizada para despesas que poderiam ser planejadas.
Entre os principais erros estão:
Buscar a maior rentabilidade: Retorno não deve superar segurança e liquidez na hierarquia da reserva.
Investir em ativos muito voláteis: Ações e outros ativos de renda variável podem estar em queda justamente quando o dinheiro for necessário.
Ignorar a liquidez real: Liquidez diária não significa necessariamente disponibilidade imediata.
Escolher investimentos com carência: O dinheiro pode ficar inacessível durante uma emergência.
Usar Tesouro Prefixado ou IPCA+ sem considerar marcação a mercado: A venda antecipada pode ocorrer por valor diferente do esperado.
Calcular com base no salário: O valor necessário está mais relacionado às despesas que precisam ser mantidas.
Usar a reserva para gastos previsíveis: Essas despesas devem ter planejamento próprio.
Não recompor o dinheiro: Depois de uma emergência, a reserva precisa ser reconstruída.
Nunca revisar a meta: Mudanças no custo de vida podem tornar o valor antigo insuficiente.
O ponto central é manter coerência entre a finalidade do dinheiro e as características do investimento.
Qual é o valor ideal para uma reserva de emergência?
Uma referência é acumular entre 6 e 12 meses de despesas, mas o valor deve ser adaptado à estabilidade da renda, dependentes, fontes de renda familiar e outras características pessoais.
Reserva de emergência de três meses é suficiente?
Pode representar uma primeira meta, mas não existe um número adequado para todas as pessoas. Quem possui renda instável ou mais dependentes, por exemplo, pode precisar de uma proteção maior.
Tesouro Selic ou CDB é melhor para reserva de emergência?
Os dois podem apresentar características compatíveis com esse objetivo. A comparação deve considerar liquidez, risco, remuneração, tributação e, no caso do CDB, a instituição emissora e eventual cobertura do FGC.
Posso deixar a reserva de emergência na poupança?
A poupança possui alta liquidez e cobertura do FGC dentro dos limites aplicáveis. Sua remuneração, entretanto, deve ser comparada às demais alternativas disponíveis.
Tesouro IPCA+ serve para reserva de emergência?
Em geral, possui características mais adequadas a objetivos com horizonte definido. A venda antes do vencimento está sujeita à marcação a mercado, enquanto o Tesouro Selic apresenta menor oscilação diária.
Posso deixar a reserva na conta corrente?
Manter uma pequena parcela com disponibilidade imediata pode fazer sentido em determinadas situações. Para valores maiores, é possível avaliar alternativas que conciliem liquidez e remuneração.
Quem tem estabilidade no emprego precisa de reserva?
A estabilidade da renda pode influenciar o tamanho necessário, mas desemprego não é a única emergência possível. Saúde, reparos e outras despesas inesperadas também podem exigir recursos.
Posso investir enquanto ainda estou montando minha reserva?
Não existe uma regra única. É necessário considerar sua situação financeira, objetivos e tolerância a riscos. Quanto menor a reserva disponível, entretanto, menor será a proteção caso seja necessário acessar dinheiro rapidamente.
A reserva de emergência funciona como uma proteção para lidar com imprevistos sem depender imediatamente de crédito ou comprometer investimentos destinados a outros objetivos.
Como vimos, o valor deve partir das despesas mensais e da realidade de cada pessoa, enquanto o local escolhido para manter o dinheiro deve priorizar segurança e liquidez.
Depois de definir a meta, o mais importante é construir a reserva gradualmente, utilizá-la quando houver uma emergência real e recompor o valor sempre que necessário.
Investidor10: sua plataforma de análise de investimentos, gestão de carteira, acompanhamento de dividendos e apoio ao Imposto de Renda.
Cadastre sua conta
Já tem uma conta? Entrar
Olá! Você pode nos ajudar respondendo apenas 2 perguntinhas?
Oba! Que ótimo saber que você curte nosso trabalho!
Já que você é um investidor Buy And Hold e adora nossa plataforma, gostaria de te apresentar uma solução que vai turbinar o retorno de seus investimentos! Topa?