Trump fala sobre guerra, Otan e Ormuz e gera aversão ao risco

Declarações aumentam incerteza sobre fim da guerra no Irã, e derrubam indices.

Publicado em 02/04/2026 às 11:07h Publicado em 02/04/2026 às 11:07h por Wesley Santana
Guerra no Irã entra em seu segundo mês sem resolução no horizontes (Imagem: The White House)
Guerra no Irã entra em seu segundo mês sem resolução no horizontes (Imagem: The White House)

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez um discurso em cadeia nacional na noite desta quarta-feira (2). O principal objetivo do político foi tentar acalmar os ânimos dos norte-americanos, que veem os preços de muitas coisas subirem em decorrência da guerra no Irã.

"Tenho o prazer de informar que esses objetivos estratégicos fundamentais estão quase concluídos. Nós vamos terminar o trabalho, e vamos terminar logo", disse ele, em púlpito na Casa Branca.

Ele afirmou novamente que a guerra está “quase no fim”, dizendo que deve durar mais duas ou três semanas, mesmo sem o Irã confirmar um acordo de cessar-fogo. Segundo ele, os objetivos já foram atingidos.

"Para esses terroristas, ter armas nucleares seria uma ameaça intolerável", disse. "O regime mais violento e truculento da Terra estaria livre para realizar suas campanhas de terror, coerção, conquista e assassinato em massa por trás de um escudo nuclear", acrescentou.

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Durante o discurso, Trump também falou sobre o Estreito de Ormuz, rota marítima por onde passa quase 80% do petróleo global. Ele praticamente deu de ombros para a situação do local, dizendo que os EUA quase não usam a rota.

"Os Estados Unidos praticamente não importam petróleo pelo Estreito de Ormuz, e não vamos importar nada no futuro. Não precisamos disso. Os países do mundo que recebem riqueza pelo Estreito de Ormuz devem cuidar dessa passagem", disse o presidente americano.

"Tenho uma sugestão. Primeiro, comprem petróleo dos Estados Unidos. Nós temos bastante. Temos muito. E segundo, criem um pouco de coragem, ainda que tardia. [...] Vão até o estreito e simplesmente tomem conta dele, protejam-no e usem-no para vocês mesmos", continuou, em mensagem direta aos países que utilizam a rota hoje fechada pelas forças militares do Irã.

No mesmo dia, Trump chegou a considerar retirar os EUA da Otan, dizendo estar descontente com a falta de apoio de seus aliados históricos. “Eu diria que isso está em um nível além da reconsideração (...) Eu nunca fui convencido pela Otan. Sempre soube que eram um tigre de papel, e Vladimir Putin também sabe disso, aliás”, disse, referindo-se ao fato de que a entidade até parece grande, mas é frágil.

O discurso público de Trump acontece em um momento no qual a maioria dos eleitores dos EUA desaprova a guerra no Oriente Médio. 66% dos entrevistados pela Reuters/Ipsos na semana passada disseram que o país deve trabalhar para encerrar rapidamente a guerra, mesmo sem que os EUA atinjam seus objetivos.

As falas de Trump pressionaram a bolsa brasileira, que vinha de dias de baixa. No Brasil, antes do pregão, o índice futuro do Ibovespa chegava a cair mais de 1%, mostrando que os investidores devem reagir às falas do presidente.

Ataques a outros presidentes

Além de falar dos desdobramentos da guerra, no mesmo dia, Trump aproveitou para atacar outros presidentes. Ele citou o presidente francês, Emmanuel Macron, e fez referência a um vídeo em que sua esposa lhe dá um soco antes de sair de um avião.

“Eu ligo para a França. Macron, cuja esposa o trata extremamente mal, ainda está se recuperando do soco que levou no queixo”, disse. “Adoraríamos ter alguma ajuda. Se possível, poderia enviar navios imediatamente, por favor?”, acrescentou, em comentário sobre o Ormuz. “Não podemos fazer isso, Donald. Podemos fazê-lo após a guerra ser vencida”, complementou, com sotaque francês, em referência a uma suposta resposta do líder europeu.