Petrobras (PETR4) teve 12 presidentes desde o 1º governo Lula, veja lista

Indicada para substituir Jean Paul Prates, Magda Chambriard é a quarta indicada por Lula, considerando os três mandatos do petista.

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Publicado em 15/05/2024 às 17:23h - Atualizado 1 mês atrás Publicado em 15/05/2024 às 17:23h Atualizado 1 mês atrás por Marina Barbosa
Trocas na Petrobras aceleraram após a Lava Jato e no governo Bolsonaro (Shutterstock)
Trocas na Petrobras aceleraram após a Lava Jato e no governo Bolsonaro (Shutterstock)

A Petrobras (PETR4) já teve 12 presidentes nos últimos 21 anos e agora caminha para uma nova gestão: Magda Chambriard substituirá Jean Paul Prates no comando da empresa. Ela é o quarto nome escolhido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), considerando os três mandatos do petista.

Lula demitiu Prates, o escolhido para chefiar a Petrobras no início deste governo, em 2023, na terça-feira (14). A demissão ocorre na esteira da crise dos dividendos extraordinários, quando o governo decidiu reter os proventos para garantir o plano de investimentos da estatal, mas Prates foi contra.

A escolhida para ocupar o cargo foi a engenheira Magda Chambriard, que já foi funcionária de carreira da Petrobras e diretora-geral da ANP (Agência Nacional do Petróleo). A indicação, no entanto, ainda passará pelos procedimentos internos de governança corporativa da Petrobras.

Por isso, a companhia passou a ser presidida de forma interina pela diretora executiva de Assuntos Corporativos da companhia, Clarice Coppetti. Clarice Coppeti será, então, a 13ª presidente da Petrobras desde 2003 e Magda Chambriard, a 14ª, se confirmada no cargo.

Lula: 4 indicações em 3 governos

Além de Prates e Chambriard, Lula já havia escolhido outros dois presidentes para a Petrobras: José Eduardo Dutra, em 2003, e Sergio Gabrielli, em 2005.

Gabrielli ficou sete anos à frente da companhia. Foi o presidente mais longevo da Petrobras das últimas duas décadas e acelerou os investimentos da estatal, inclusive na construção de refinarias. Contudo, não poderia voltar ao cargo neste momento por causa dos escândalos de corrupção da Lava Jato.

Ainda assim, Gabrielli teria sido consultado por Lula sobre a demissão de Prates e a indicação de Magda Chambriard. Segundo a CNN, Gabrielli teria dito ao presidente que Chambriard é a "pessoa ideal para fazer “um bom trabalho à frente da Petrobras".

Apesar de ter escolhido só dois presidentes para a Petrobras, o atual governo Lula já teve dois presidentes interinos na companhia: João Henrique Rittershaussen em janeiro, antes da posse de Prates, e agora Clarice Coppetti.

Bolsonaro: 4 nomes em 4 anos

Enquanto Lula indicou dois presidentes para a Petrobras nos seus dois primeiros mandatos e mais dois no atual governo, Dilma Rousseff (PT) e Michel Temer (MDB) indicaram dois nomes cada um. As trocas aceleraram no governo de Jair Bolsonaro (PL). A Petrobras teve quatro presidentes entre 2018 e 2022.

Veja os presidentes da Petrobras, desde o primeiro governo Lula:

  • José Eduardo Dutra, 2003-2005;
  • Sergio Gabrielli, 2005-2012;
  • Graça Foster: 2012-2015;
  • Aldemir Bendine: 2015-2016;
  • Pedro Parente: 2016-2018;
  • Ivan Monteiro: 2018-2019;
  • Roberto Castello Branco: 2019-2021;
  • Joaquim Silva e Luna: 2021-2022;
  • José Mauro Ferreira Coelho: 2022;
  • Caio Mário Paes de Andrade: 2022-2023;
  • João Henrique Rittershaussen: 2023 (interino);
  • Jean Paul Prates: 2023-2024;
  • Clarice Coppetti: 2024 (interina);
  • Magda Chambriard: 2024.

Lava Jato e combustíveis impulsionam trocas

Ao ser eleito presidente pela primeira vez, em 2003, Lula nomeou o ex-senador José Eduardo Dutra como presidente da Petrobras. Ele ficou no cargo até julho de 2005, quando o economista Sergio Gabrielli assumiu o comando da empresa.

💰 Gabrielli foi o presidente mais longevo da Petrobras nas últimas duas décadas. Deixou o posto só em fevereiro de 2012, já no governo Dilma Rousseff (PT). Nesses quase sete anos, a Petrobras acelerou investimentos, construindo refinarias, por exemplo.

O economista deixou a presidência da Petrobras para assumir a Secretaria de Planejamento da Bahia, em 2012. Depois disso, no entanto, foi proibido de ocupar cargos públicos por causa dos casos de superfaturamento e corrupção denunciados pela Operação Lava Jato. A proibição por oito anos foi anunciada pelo TCU (Tribunal de Contas da União) em 2018 e confirmada em 2022, na véspera do terceiro governo Lula. Gabrielli não poderia, portanto, voltar ao comando da Petrobras neste momento.

Leia também: Quem é Magda Chambriard, a nova presidente da Petrobras (PETR4)

Após a saída de Gabrielli, a Petrobras passou a ser chefiada por Graça Foster. Advogada, engenheira química e funcionária de carreira da estatal, Foster comandou a Petrobras por três anos. Deixou o cargo em 2015, em meio à Operação Lava Jato, à queda no lucro e à alta do endividamento da empresa, devido, entre outras coisas, aos gastos com importação de combustíveis.

Depois desse momento de turbulências, as trocas de comando da Petrobras se acentuaram. O administrador Aldemir Bendine assumiu na sequência, mas deixou a empresa depois de pouco mais de um ano, quando o então presidente Michel Temer indicou o ex-ministro de Minas e Energia Pedro Parente para o posto, com o objetivo de colocar alguém mais técnico no cargo.

Parente, no entanto, renunciou em junho de 2018, em meio à greve dos caminhoneiros e das críticas à política de preços da Petrobras. O diretor financeiro da Petrobras, Ivan Monteiro, assumiu o comando da empresa, mas saiu seis meses depois, no início do governo de Jair Bolsonaro.

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Nos dois primeiros anos do governo Bolsonaro, a Petrobras foi comandada pelo economista Roberto Castello Branco. Ele era amigo do então ministro da Economia, Paulo Guedes, mas foi alvo de críticas de Bolsonaro por causa dos preços dos combustíveis e deixou a empresa.

O general Joaquim Silva e Luna foi nomeado para o cargo em 2021, mas também foi demitido por Bolsonaro depois de aproximadamente um ano por causa do mesmo problema (o preço dos combustíveis). A companhia teve, então, mais dois presidentes no governo Bolsonaro: José Mauro Ferreiro Coelho, que ficou no cargo por apenas 60 dias, e Caio Mário Paes de Andrade, que saiu no início do governo Lula.

Depois da presidência interina do diretor João Henrique Rittershaussen, a Petrobras passou a ser comandada por Jean Paul Prates em janeiro de 2023. Ele ficou no cargo por cerca de um ano e três meses. Neste período, a Petrobras mudou as suas políticas de preços e dividendos. Além disso, acelerou os investimentos, tanto em petróleo, quanto em energia renováveis.

Jean Paul Prates, no entanto, também vinha sendo criticado por membros do governo por causa dos preços dos combustíveis. A tensão aumentou depois da crise dos dividendos extraordinários, quando o ex-presidente da Petrobras revelou que a orientação de reter o provento partiu do governo, que queria ter certeza de que os dividendos não atrapalhariam o plano de investimentos da estatal.

Ele acabou sendo demitido por Lula na terça-feira (14), em reunião que contou com a presença dos seus principais críticos: os ministros Alexandre Silveira (Minas e Energia) e Rui Costa (Casa Civil).

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