Novo Desenrola: Como o programa afeta o seu bolso e os bancos?

Haverá descontos de até 90% e juros de até 1,99% ao mês na renegociação de dívidas.

Publicado em 01/05/2026 às 09:21h Publicado em 01/05/2026 às 09:21h por Marina Barbosa
Governo projeta a renegociação de R$ 100 bilhões em dívidas com o programa (Imagem: Shutterstock)
Governo projeta a renegociação de R$ 100 bilhões em dívidas com o programa (Imagem: Shutterstock)
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) confirmou o lançamento de um novo programa de renegociação de dívidas nessa quinta-feira (30), no pronunciamento do Dia do Trabalhador.
💳 Batizado de Novo Desenrola Brasil ou Desenrola 2.0, o programa vai permitir a renegociação de dívidas do cartão de crédito, do cheque especial, do rotativo, do crédito pessoal e até do FIES (Fundo de Financiamento Estudantil) com condições especiais.
O programa prevê descontos de 30% a 90% no valor da dívida, além de juros de no máximo 1,99% ao mês e a possibilidade de uso de até 20% do saldo da conta do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) no pagamento dos débitos.
Os brasileiros que recebem até cinco salários mínimos por mês devem ter acesso ao benefício e uma ajuda também deve ser oferecida às pequenas empresas que estão endividadas.
🎲 Em contrapartida, quem aderir ao programa será bloqueado dos sites de apostas on-line por um prazo de um ano. "O que não pode é renegociar a dívida e continuar perdendo dinheiro apostando em bet", disse Lula, no pronunciamento.
O presidente afirmou ainda que o programa será lançado oficialmente na próxima segunda-feira (4), "para ajudar a resolver a vida financeira das famílias endividadas".
O endividamento das famílias brasileiras avançou de forma consistente nos últimos meses, chegando ao patamar recorde de 49,9% em fevereiro. Por isso, as dívidas já comprometem 29,7% da renda familiar, segundo dados do BC (Banco Central). 
O problema entrou na mira do governo Lula (PT), sobretudo diante da recente queda da popularidade do governo e do desempenho de Lula nas pesquisas eleitorais, e foi discutido diretamente com os bancos nas últimas semanas.
A expectativa do governo é, portanto, que a iniciativa permita a renegociação de aproximadamente R$ 100 bilhões em dívidas nos próximos meses.

Bancos negociam com o governo

🏦 Os detalhes do Novo Desenrola foram acertados na última segunda-feira (27), entre o ministro da Fazenda, Dario Durigan, e principais bancos brasileiros.
Os CEOs do Itaú (ITUB4), Santander (SANB11), BTG Pactual (BPAC11), Bradesco (BBDC4) e Nubank (ROXO34) participaram da reunião com o ministro, além do presidente da Febraban, Isaac Sidney.
O ministro ainda conversou com os presidentes do Banco do Brasil (BBAS3) e da Caixa Econômica Federal.
Na saída do encontro, Durigan disse que chegou a um "bom consenso técnico" com os bancos a respeito de todos os pontos do programa. 
O presidente da Febraban confirmou que o desenho do Desenrola havia melhorado nesta segunda edição, durante entrevista à "GloboNews". 
Uma das mudanças é a renegociação direta com os bancos e não em uma plataforma do governo.
Já o CEO do Santander, Mario Leão, disse que o programa vem em bom momento, ao apresentar os resultados do banco no primeiro trimestre de 2026, que foram pressionados justamente pelo aumento da inadimplência.
"A renda disponível das famílias não está evoluindo e elas estão sobrealavancadas. Então, o diagnóstico do governo está absolutamente certo", explicou.
O executivo ainda disse que não vê o programa como uma medida eleitoral, mas como algo que "de fato é necessário" e que "está sendo bem desenhado junto aos bancos".

O impacto nas ações

Apesar da coordenação entre o setor financeiro e o governo, as ações dos bancos oscilaram na B3 nos últimos dias.
🔎 Ainda assim, o JP Morgan publicou um relatório nessa quinta-feira (30) dizendo que o Desenrola 2.0 deve ser positivo para os bancos.
Na avaliação do banco americano, o programa não resolve o problema do elevado endividamento das famílias brasileiras de forma definitiva e pode até incentivar a inadimplência.
Porém, permitirá que os bancos recuperem alguns créditos que eram tratados como praticamente perdidos e, assim, elevem suas receitas contábeis.
Pelos cálculos do JP Morgan, os bancos devem recuperar de R$ 5 bilhões a R$ 10 bilhões com o Desenrola 2.0 e o Nubank pode ser um dos principais beneficiários, dada a sua forte atuação no segmento de média e baixa renda, que é o foco do programa.