JP Morgan detalha estratégia que turbina lucro do BTG Pactual (BPAC11); veja

Créditos antigos e “special sits” elevam rentabilidade

Publicado em 18/03/2026 às 15:06h - Atualizado 1 minuto atrás Publicado em 18/03/2026 às 15:06h Atualizado 1 minuto atrás por Wesley Santana
BTG é um dos bancos mais valiosos do Brasil (Imagem: Shutterstock)
BTG é um dos bancos mais valiosos do Brasil (Imagem: Shutterstock)

Considerado um dos bancos de maior sucesso da B3, no ano passado, o BTG Pactual (BPAC11) alcançou a marca de R$ 16,7 bilhões em lucro líquido. Na comparação com o período anterior, houve uma alta de 35% nos números, segundo o balanço financeiro publicado pelo banco no mês passado.

O resultado é fruto de uma expansão da companhia em vários aspectos, mas também de uma estratégia traçada há alguns anos. Um relatório do JP Morgan, publicado nesta quarta-feira (18), mostra que um terço do lucro líquido da instituição fundada por André Esteves vem das chamadas “situações especiais” (ou special sits, no termo em inglês).

Essa é uma categoria de créditos pagos a bancos que foram comprados pelo BTG e que eram credores do governo federal nos anos de 1970, como Nacional, Besa e Sistema. Ao assumir essas instituições, o banco passou a ter direito aos valores que são pagos até hoje pelo Tesouro e que, apenas no ano passado, somaram cerca de R$ 1,5 bilhão, conforme destaca o JP.

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“Na nossa visão, esses ganhos podem explicar parte do aumento de 40 basis points no yield do corporate lending no período entre 2022 e 2025”, escreve o analista Yuri Fernandes. “Ainda que esses casos sejam de certa forma únicos, e que o FCVS deva acabar em breve, o BTG tem construído um forte track record em tornar ganhos não recorrentes em ganhos recorrentes”, continuou.

Fernandes destaca três frentes em que o BTG tem sido beneficiado pelos créditos: correção do saldo em 6% ao ano, ajustes na marcação a mercado e reversões de provisões. A junção de tudo isso pode ter favorecido o banco em até R$ 14 bilhões nos últimos anos, ainda de acordo com os cálculos do JP.

O relatório também projeta novos recebimentos, que podem chegar a R$ 4 bilhões nas próximas temporadas. Para 2026, a conta deve ficar entre R$ 800 milhões e R$ 1,4 bilhão.

“Mas há duas ressalvas. Não temos os dados do Banco Central para o quarto trimestre, e parte disso pode já ter sido reconhecida, especialmente considerando os fortes resultados do Nacional no trimestre”, escreveram os analistas. “Se excluirmos proporcionalmente um de cinco trimestres (ou seja, o quarto tri dentro da janela do 4T25 a 4T26), o EBT futuro ajustado a ser reconhecido seria de R$ 800 milhões a R$ 1,4 bilhão em 2026.”

Em resposta ao Brazil Journal, uma fonte disse que o banco norte-americano exagerou nos cálculos. Disse, ainda, que uma parte do que foi apontado como lucro, na verdade, é receita do banco, que atua tanto no segmento de varejo como de investimentos.