Ibovespa dispara 2% e bate recorde histórico acima de 192 mil pontos com cessar-fogo

O cessar-fogo entre EUA e Irã derrubou o petróleo abaixo de US$ 100 e levou o Ibovespa ao maior fechamento da história, acima de 192 mil pontos.

Publicado em 08/04/2026 às 17:55h Publicado em 08/04/2026 às 17:55h por Matheus Silva
No campo das ações, os grandes bancos foram os principais destaques (Imagem: Shutterstock)
No campo das ações, os grandes bancos foram os principais destaques (Imagem: Shutterstock)
🚨 O Ibovespa (IBOV) encerrou esta quarta-feira (8) com alta de 2,09%, aos 192.201 pontos, maior fechamento da história do índice e a primeira vez que o indicador ultrapassa os 192 mil pontos.
Durante a sessão, o índice chegou a renovar a máxima intradia acima de 193 mil pontos. O movimento foi impulsionado pelo anúncio de cessar-fogo entre os EUA e o Irã, com a consequente sinalização de reabertura do Estreito de Ormuz.
O dólar comercial recuou 1,01%, fechando a R$ 5,10, com mínima intradia de R$ 5,065. Os DIs caíram ao longo de toda a curva.

Cessar-fogo frágil, mas suficiente para mover os mercados

O vice-presidente americano J.D. Vance classificou o cessar-fogo como "frágil", e os analistas do cenário geopolítico apontam que muitos dos fatores centrais do conflito seguem em aberto. 
Daniel Byman, diretor do Programa de Guerra, Ameaças Irregulares e Terrorismo no CSIS, em Washington, avaliou que a trégua, prevista para durar duas semanas, deixou sem resposta questões-chave que podem comprometer sua durabilidade.
A Casa Branca confirmou que conversas presenciais com o Irã estão agendadas para este sábado (11), no Paquistão. O Irã, por sua vez, sinalizou que adotará cautela nas negociações. 
Ao longo do dia, surgiram informações de que o Estreito de Ormuz havia sido fechado novamente e que os ataques de Israel ao Líbano colocavam o cessar-fogo em risco. Israel alega que o acordo não incluía o Líbano e que pode continuar sua ofensiva contra o Hezbollah no território vizinho.

Petróleo cai abaixo de US$ 100 e bolsas globais disparam

O principal efeito imediato do alívio geopolítico foi a queda ampla dos preços do petróleo, que voltaram a operar abaixo de US$ 100 o barril. Os principais índices em Wall Street aceleraram para a máxima de um mês e as bolsas europeias registraram o melhor desempenho do ano. 
A ata do Fed (Federal Reserve), divulgada no mesmo dia com tom mais cauteloso em razão do conflito, não foi suficiente para conter o otimismo dos mercados globais.

Bancos lideram altas; Petrobras cai com o petróleo

No campo das ações, os grandes bancos foram os principais impulsionadores do Ibovespa. Bradesco (BBDC4) avançou 5,00%, Banco do Brasil (BBAS3) subiu 4,48%, Itaú Unibanco (ITUB4) ganhou 3,50% e Santander (SANB11) valorizou 2,11%. A B3 (B3SA3) subiu 3,66%, a Vale (VALE3) avançou 2,27% e a Embraer (EMBJ3) valorizou 4,41%.
A Petrobras (PETR4) foi exceção entre os pesos-pesados, recuando 3,92% em razão da queda do petróleo. As petro juniores também sofreram, com a Brava Energia (BRAV3) perdendo 3,38%, mesmo com analistas elevando a recomendação do papel para compra.
Os destaques individuais do pregão foram a Tenda (TEND3), que disparou 11,24% após desempenho recorde no primeiro trimestre de 2026, e a Hapvida (HAPV3), que avançou 9,06% em reação a mudanças na estrutura societária da companhia.

Analistas alertam que inflação já absorveu os efeitos da guerra

Apesar do alívio geopolítico, as principais casas de análise do mercado financeiro alertam que a disparada de 50% no preço do petróleo ao longo do conflito já alterou a trajetória da inflação e da Selic. O IPCA de março, com divulgação prevista para esta semana, deve começar a refletir esses efeitos, segundo analistas.
📊 Na quinta-feira (9), os investidores acompanham a leitura final do PIB do 4T24 dos EUA e o PCE, índice de inflação de consumo pessoal de fevereiro, referência central para as decisões do Fed sobre juros.