Governo anuncia pacote de R$ 7 bi em incentivos para diesel, gás e aviação

O governo federal criou uma subvenção de R$ 1,20 por litro para a importação de diesel rodoviário, em cooperação com os estados.

Publicado em 06/04/2026 às 19:05h Publicado em 06/04/2026 às 19:05h por Matheus Silva
Segundo o governo, o impacto fiscal do conjunto é neutro (Imagem: Shutterstock)
Segundo o governo, o impacto fiscal do conjunto é neutro (Imagem: Shutterstock)
🚨 O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinou nesta segunda-feira (6), uma medida provisória, um projeto de lei e decretos que ampliam as ações do governo para conter os impactos da alta dos combustíveis decorrente da guerra no Oriente Médio. 
As medidas abrangem as cadeias de fornecimento de combustíveis e o setor aéreo, com efeitos sobre diesel, biodiesel, GLP e querosene de aviação. 
Segundo o governo, o impacto fiscal do conjunto é neutro, conforme confirmado pelo ministro do Planejamento e Orçamento.

Diesel: subvenção de R$ 1,20 na importação e R$ 0,80 na produção nacional

O governo federal criou uma subvenção de R$ 1,20 por litro para a importação de diesel rodoviário, em cooperação com os estados. A União pagará o benefício diretamente, mas os estados que aderirem ao programa compensarão metade do valor, ou seja, R$ 0,60 por litro.
A medida se soma à subvenção de R$ 0,32 por litro criada em 12 de março pela MP 1.340, ampliando o suporte à importação necessária ao abastecimento do país. Em contrapartida, os importadores deverão elevar o volume vendido às distribuidoras e garantir o repasse do benefício aos preços ao consumidor.
A ação terá duração mínima de abril e maio de 2026, com custo estimado de R$ 4 bilhões, sendo R$ 2 bilhões para a União e R$ 2 bilhões para os estados e o Distrito Federal. Até o momento, 25 unidades da federação confirmaram disposição de participar.
A MP também cria uma nova subvenção de R$ 0,80 por litro para os produtores brasileiros de diesel, que se adiciona aos R$ 0,32 já vigentes. Essa linha conta exclusivamente com recursos federais, com custo estimado de R$ 3 bilhões por mês, válida por dois meses com possibilidade de prorrogação por igual período.
Os produtores também deverão ampliar o volume vendido às distribuidoras e repassar o benefício ao consumidor final.

Biodiesel e GLP também recebem alívio tributário e subvenções

O governo publicará decreto zerando o PIS e a Cofins sobre o biodiesel, gerando economia de R$ 0,02 por litro do combustível renovável, que hoje compõe 15% do diesel vendido nas bombas. 
Para o GLP, a MP autoriza subvenção federal de R$ 850 por tonelada importada, com valor total de R$ 330 milhões. Com isso, o produto importado passará a ser comercializado ao mesmo preço do produzido internamente. A medida terá duração de dois meses, prorrogável por outros dois.

Setor aéreo recebe até R$ 9 bi em crédito e isenção sobre QAV

Para as companhias aéreas, o governo criou duas linhas de crédito. A primeira, com recursos do FNAC (Fundo Nacional de Aviação Civil), oferece até R$ 2,5 bilhões por mutuário com foco em reestruturação financeira, operada pelo BNDES ou instituição por ele habilitada. 
A segunda destina R$ 1 bilhão para capital de giro por seis meses, com condições a serem definidas pelo CMN (Conselho Monetário Nacional) e risco assumido pela União.
Além do crédito, o governo publicará decreto zerando o PIS e a Cofins sobre o QAV, gerando economia de R$ 0,07 por litro do combustível, principal insumo do setor. 
As medidas se somam ao mecanismo já adotado pela Petrobras para mitigar a alta do querosene, anunciado na semana passada. 
O governo também autorizou a postergação das tarifas de navegação aérea da FAB (Força Aérea Brasileira). Os valores referentes a abril, maio e junho serão pagos pelas companhias somente em dezembro.

Novas penalidades e tipo penal para preços abusivos

O pacote também reforça a fiscalização da ANP (Agência Nacional do Petróleo) em situações de conflitos geopolíticos ou calamidade, com agravamento das penalidades para elevação abusiva de preços e recusa de fornecimento de combustíveis. 
Em regime de urgência constitucional, o PL encaminhado ao Congresso cria um novo tipo penal para coibir aumentos abusivos, com pena prevista de dois a cinco anos de prisão. 
📈 A MP inclui ainda previsão para que os agentes econômicos que recebam as subvenções adotem mecanismos para suavizar as oscilações internacionais de preços ao longo do tempo.