Demissão em instituto levanta dúvidas sobre dados de inflação na Argentina

Saída de Marco Lavagna reacende debate sobre metodologia de cálculo.

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Publicado em 07/02/2026 às 08:00h - Atualizado Agora Publicado em 07/02/2026 às 08:00h Atualizado Agora por Wesley Santana
Inflação argentina alcançou menor patamar dos últimos cinco anos (Imagem: Shutterstock)
Inflação argentina alcançou menor patamar dos últimos cinco anos (Imagem: Shutterstock)

O mercado argentino foi pego de surpresa na semana passada com o pedido de demissão de Marco Lavagna, chefe do Indec (Instituto Nacional de Estatística e Censo), responsável pela medição da inflação no país vizinho. 

A decisão teria acontecido depois de uma interferência do presidente Javier Milei, que decidiu adiar uma atualização na metodologia que calcula o aumento de preços na Argentina.

A situação remonta a um passado não tão distante, quando o governo local já foi acusado por organismos internacionais de mascarar os dados inflacionários. Em 2013, o FMI (Fundo Monetário Internacional) repreendeu o país por subnotificar a variação mensal.

A redução da inflação foi uma das promessas de campanha de Milei, que promete levar o índice a até 1% no mês de agosto. Em janeiro, os preços variaram 2,2%, alcançando o menor patamar dos últimos cinco anos, mostraram dados do Indec.

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“O que me surpreendeu foi a veemência com que o governo afirmou que ele renunciou porque o presidente não concordava com uma política que este instituto, que deveria ser autônomo para tomar essas decisões profissionais, estava implementando”, disse Marcelo Garcia, consultor financeiro da Horizon Engage, em entrevista ao InfoMoney.

O movimento dos preços na Argentina já vinha sendo alvo de discussões há alguns meses por causa da metodologia de cálculo. A atual conta feita pelo instituto foi implementada em 2004 e considera itens que já não são mais usados pela população.

Uma reportagem da Bloomberg, publicada no ano passado, mostrou que telefone fixo de parede, cigarros e até jornal de papel estão na lista de pesquisa. Por isso, muita gente acredita que o índice oficial não acompanha a realidade, inclusive agentes do mercado, que temem que o valor real seja bem superior ao divulgado neste momento.

Parte do mercado pressiona o governo argentino para que a atualização seja feita, mas a equipe de Milei diz que o novo modelo será implementado depois que o país entrar no processo de desinflação.

Dólar atrelado à inflação
Recentemente, o governo argentino fez uma nova mudança nas regras monetárias do peso. Desta vez, definiu que a faixa de negociação da moeda vai seguir o desempenho da inflação do mês anterior.

Assim, a faixa de variação que hoje existe será atualizada com o aumento dos preços divulgado mensalmente. É como se, a cada mês, o governo permitisse que o valor do dólar subisse cerca de 1% ou 2%, já que a moeda não circula de forma livre.

As medidas começaram a valer em 1º de janeiro, mas, desde esse dia, a divisa norte-americana perdeu força. Segundo o Banco Central, a cotação oficial cresceu 2% na conversão do dólar para o peso argentino.