Cogna dispara, Ibovespa voa e só duas ações ficam no vermelho na semana

Pela primeira vez, o índice superou a marca dos 180 mil pontos no intradia, avançando mais de 14 mil pontos em apenas cinco pregões.

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Publicado em 24/01/2026 às 11:33h - Atualizado Agora Publicado em 24/01/2026 às 11:33h Atualizado Agora por Matheus Silva
No mercado de câmbio, o dólar à vista encerrou a semana cotado a R$ 5,28 (Imagem: Shutterstock)
No mercado de câmbio, o dólar à vista encerrou a semana cotado a R$ 5,28 (Imagem: Shutterstock)
🚨 A Bolsa brasileira viveu uma semana que já entra para a história do mercado. Embalado por um fluxo intenso de capital estrangeiro e por um ambiente global de rotação de portfólios, o Ibovespa (IBOV) acumulou alta de 8,53% entre os dias 19 e 23 de janeiro e encerrou a sexta feira (23) próximo dos 178,8 mil pontos.
O movimento foi marcado por uma sequência de recordes. Pela primeira vez, o índice superou a marca dos 180 mil pontos no intradia, avançando mais de 14 mil pontos em apenas cinco pregões. 
O desempenho reforça a percepção de que o mercado brasileiro voltou ao radar do investidor global em meio à saída de recursos dos Estados Unidos, fenômeno que ganhou o apelido de Sell America.
Dados da B3 (B3SA3) mostram que, até a última quarta-feira (21), investidores estrangeiros aportaram cerca de R$ 12,3 bilhões na Bolsa brasileira apenas em janeiro. 
O valor já representa quase metade de todo o fluxo registrado ao longo de 2025, sinalizando uma mudança relevante no apetite por risco em mercados emergentes.
No mercado de câmbio, o dólar à vista encerrou a semana cotado a R$ 5,28, com alta acumulada de 1,61% frente ao real, refletindo tanto o fortalecimento da moeda americana no exterior quanto ajustes técnicos após semanas de volatilidade.
No noticiário doméstico, os investidores acompanharam de perto novos capítulos do caso Master. 
O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da Will Financeira, controlada pelo Banco Master, enquanto a Polícia Federal avançou nas investigações com mandados de busca e apreensão envolvendo autoridades do Rioprevidência. 
O tema seguiu no radar por seus possíveis impactos sobre o sistema financeiro e sobre o FGC (Fundo Garantidor de Crédito).

Cenário político

Já no cenário político, a pesquisa AtlasIntel indicou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva lidera com folga os cenários de primeiro turno e mantém vantagem nas simulações de segundo turno. 
Em paralelo, dados divulgados pela Receita Federal mostraram que a arrecadação do governo federal atingiu R$ 2,887 trilhões em 2025, o maior valor da série histórica iniciada em 1995, reforçando a percepção de melhora fiscal no curto prazo.

Clima lá fora

No exterior, o tom foi de cautela com sinais pontuais de alívio. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, suavizou o discurso sobre a disputa envolvendo a Groenlândia, enquanto o mercado passou a especular sobre a sucessão no comando do Federal Reserve, fator relevante para a dinâmica global de juros e fluxo de capitais.

Destaques da semana

Entre as ações, o grande destaque da semana foi a Cogna (COGN3), que liderou os ganhos do Ibovespa com valorização superior a 20%. O papel foi impulsionado por uma mudança clara de percepção dos analistas. 
O BTG Pactual (BPAC11) elevou a recomendação para compra e revisou o preço alvo, enquanto o Santander (SANB11) destacou a empresa como uma das preferidas no curto prazo dentro do setor de educação, citando melhora operacional e potencial de geração de caixa.
Outras companhias também tiveram desempenho positivo, como C&A Modas (CEAB3), Braskem (BRKM5), Telefônica Brasil (VIVT3), Banco do Brasil (BBAS3) e Cyrela (CYRE3), refletindo um movimento amplo de recuperação em diferentes setores.
Na outra ponta, o cenário foi quase simbólico. Apenas duas ações encerraram a semana em queda, RD Saúde (RADL3) e Raízen (RAIZ4), ambas em ajustes técnicos após desempenhos recentes mais fortes.
📈 O saldo final foi de uma semana rara na Bolsa brasileira, marcada por forte otimismo, liquidez elevada e uma percepção clara de que o investidor voltou a olhar para o Brasil como uma alternativa relevante em um cenário global mais incerto.

Confira as maiores altas da semana

Ticker Nome Variação na semana
COGN3 Cogna ON +20,16%
CEAB3 C&A Modas ON +19,56%
BRKM5 Braskem PN +16,18%
VIVT3 Telefonica Brasil ON +13,98%
BBAS3 Banco do Brasil ON +13,62%

Confira as únicas quedas da semana

Ticker Nome Variação na semana
RADL3 RD Saúde ON -1,39%
RAIZ4 Raízen ON -1,22%