Banco Central tem ‘gordura’ para analisar momento atual com cautela, diz Galípolo

Autoridade monetária avalia próximos passos da Selic que sofreu primeiro corte em mais de um ano.

Publicado em 26/03/2026 às 14:34h Publicado em 26/03/2026 às 14:34h por Wesley Santana
Galípolo foi indicado por Lula para um mandato de quatro anos (Imagem: Lula Marques/Agência Brasil)
Galípolo foi indicado por Lula para um mandato de quatro anos (Imagem: Lula Marques/Agência Brasil)
Em evento na tarde desta quinta-feira (26), o Banco Central lançou o Relatório de Política Monetária do 1º trimestre de 2026. O documento veio acompanhado de falas do presidente Gabriel Galípolo sobre o movimento da inflação e as projeções econômicas para este ano de 2026.

Galípolo destacou a posição do BC neste momento, depois de ter feito um corte de 0,25% na taxa básica de juros, mesmo em um cenário de guerra, que pode impactar a alta dos preços ao longo do ano. “O conservadorismo que o Banco Central brasileiro adotou ao longo do ano de 2025 reservou para a gente uma posição melhor do que se não tivesse sido conservador”, disse o executivo.

Gabriel preferiu não comentar sobre as próximas decisões do Copom, mas disse que a autarquia está acompanhando o cenário global para tomar as futuras decisões. “Estamos entendendo e vamos aprender mais daqui até a próxima reunião do Copom. O BC tem esse benefício de que só precisa tomar uma decisão a cada 45 dias”, disse o banqueiro central.

Na última reunião, o BC decidiu por um corte menos forte, contrariando a expectativa do mercado, que projetava algo em torno de 0,5%. O cenário mudou completamente entre a reunião de janeiro e a de março, com o conflito no Irã, iniciado por Estados Unidos e Israel na primeira semana de março.

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“Eu acho que a posição em que o Banco Central está hoje, e em que o Brasil está, tem alguns benefícios decorrentes de ser exportador de petróleo e de ter uma taxa de juros bastante contracionista”, afirmou.

O relatório divulgado manteve a expectativa de crescimento de 1,6% no PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil em 2026. Além disso, mostra que a possibilidade de a inflação terminar o ano acima do teto da meta é de 30%, citando o conflito como a maior pressão para o resultado negativo.

O documento é divulgado horas depois da prévia da inflação, que veio com alta de 0,44% nos preços em março, acima da projeção do mercado. Diante disso, no acumulado do ano, o IPCA-15 acumula alta de 3,9%, dentro do intervalo da meta, que vai de 1,5% a 4,5% ao ano.

Novos diretores

Outro tema debatido pelo presidente do BC foi a indicação de novos membros da diretoria, que também serão integrantes do Copom. Desde o fim do ano passado, o colegiado conta com dois nomes a menos, depois que terminaram os mandatos do diretor de política econômica do BC, Diogo Guillen, e do diretor de organização do sistema financeiro e resolução, Renato Gomes.

“Essa é uma decisão que cabe ao presidente da República, a prerrogativa é do presidente”, pontuou Galípolo, questionado por jornalistas. O Planalto ainda não sinalizou a indicação dos nomes que devem compor o quadro máximo do BC.