Refinarias privadas operam no limite e comemoram reajuste da Petrobras (PETR4)

A estatal reajustou o diesel em R$ 0,38 por litro no sábado, reduzindo a defasagem frente ao mercado internacional após a alta do petróleo.

Publicado em 18/03/2026 às 20:57h Publicado em 18/03/2026 às 20:57h por Matheus Silva
Com preços mais justos, refinarias viram mais sentido em produzir no limite (Imagem: Shutterstock)
Com preços mais justos, refinarias viram mais sentido em produzir no limite (Imagem: Shutterstock)
🚨 As refinarias privadas brasileiras operam no máximo de sua capacidade e se sentem mais seguras para manter a produção elevada após o reajuste de 11,6% no preço do diesel A praticado pela Petrobras (PETR4) e o lançamento do programa federal de subvenção ao combustível, afirmou Matheus Soares, diretor de Novos Negócios da Refina Brasil, associação que reúne cinco refinarias privadas.
A Petrobras elevou o preço médio do diesel A em R$ 0,38 por litro no último sábado (14), movimento que atenuou a defasagem do valor da estatal em relação ao mercado internacional e às refinarias privadas, após a disparada do petróleo provocada pela guerra no Golfo Pérsico.

Reajuste reduz pressão competitiva sobre setor privado

Segundo Soares, a recomposição de preços pela Petrobras reduziu a pressão competitiva que, na avaliação do setor, poderia limitar o incentivo econômico para ampliar a oferta de combustíveis por entes privados. 
Com uma precificação mais alinhada ao mercado, as refinarias passaram a ver maior racionalidade em operar com fator de utilização elevado.
"O que do nosso ponto de vista poderia resultar numa perda de condições das refinarias privadas de botar mais produto no mercado é o fato de os nossos produtos terem de ir para a praça competir com o preço da Petrobras, com uma defasagem de 80%, 60%", disse o executivo.
O diretor destacou que a Petrobras responde por 60% do suprimento de diesel do mercado brasileiro, enquanto as importações somam cerca de 20% e as refinarias privadas respondem pelos demais 20%.

Acelen adere ao programa de subvenção

A Acelen, dona da Refinaria de Mataripe, segunda maior do país em capacidade e localizada na Bahia, informou que aderiu voluntariamente ao programa de subvenção ao diesel, "alinhada ao interesse de cooperar com o abastecimento estável e contribuir para o equilíbrio do mercado."
Soares ponderou, no entanto, que há preocupação sobre como será calculado o preço de referência do diesel para o programa, ainda a ser definido pela ANP (Agência Nacional do Petróleo). 
Segundo ele, o indicador precisa seguir a paridade de preço de importação para fazer sentido econômico ao setor.

Ameaça de greve dos caminhoneiros ainda preocupa

O executivo também comentou sobre a ameaça de paralisação dos caminhoneiros, que ganhou força nos últimos dias em meio a protestos contra a alta do diesel nos postos. 
Para tentar conter o movimento, o governo anunciou nesta quarta-feira (18) que irá impedir empresas de descumprirem o frete mínimo, vai propor mudança no ICMS estadual sobre combustíveis e abrirá inquérito para apurar possíveis crimes relacionados a aumentos abusivos de preços.
🛢️ "A gente ainda não teve manifestação dos caminhoneiros depois da coletiva do governo que anunciou as medidas, então ainda está todo mundo meio apreensivo mesmo", afirmou Soares.

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