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Petrobras (PETR4) está recusando pedidos de distribuidoras por volumes adicionais de diesel enquanto mantém os preços do produto em suas refinarias com defasagem recorde frente ao mercado externo, segundo quatro fontes com conhecimento do assunto.
A escalada do conflito no Oriente Médio fez o
petróleo Brent fechar com alta de 1,30%, a US$ 90,16 o barril nesta segunda-feira (9), ampliando a pressão sobre a estatal.
Segundo cálculo da Abicom (Associação de Importadores de Combustíveis), o diesel da Petrobras estava R$ 2,74 por litro abaixo da paridade de importação na abertura do mercado nesta segunda-feira (9).
"Todas as distribuidoras estão pedindo cota adicional de combustíveis para fazer estoque a preços baixos. A Petrobras só está dando a cota prevista em contrato e não está dando nesse momento cota adicional", disse uma fonte da companhia, em condição de anonimato.
"Agora não dá para dar cota adicional para o distribuidor comprar nosso diesel barato, se encher de volume, para depois vender. Vão fazer estoque e ganhar dinheiro em cima da Petrobras", completou.
Procurada, a Petrobras não comentou o assunto.
Dilema entre reajuste e abastecimento preocupa o setor
A ausência de reajuste tem travado negociações internas e gerado incertezas sobre o abastecimento futuro, dado que cerca de 25% do consumo de diesel brasileiro é importado, segundo três das fontes consultadas e o presidente da Abicom, Sérgio Araujo.
"Essa semana que passou não teve negócio de importações em função dessa incerteza", afirmou Araujo, alertando que navios com produto importado estão chegando agora, mas que em 20 a 30 dias poderá faltar volume.
Segundo ele, a defasagem de preços amplia a preferência pelo produto da estatal e desloca a demanda de alternativas importadas e de refinarias privadas, gerando impactos logísticos que podem comprometer o abastecimento.
Uma fonte de distribuidora sintetizou o impasse: "ou a Petrobras ajusta preço ou abastece todo o mercado e paga a conta de comprar produto lá fora mais caro e revender com prejuízo."
Elevar o preço do diesel, contudo, pode trazer ônus político ao presidente
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em ano eleitoral. Na semana passada, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, reiterou que a empresa não repassa volatilidades externas ao mercado interno e que avaliava o cenário antes de considerar eventuais reajustes.
Agricultores no RS enfrentam dificuldades no abastecimento
As incertezas também geraram reflexos logísticos. No Rio Grande do Sul, estado com duas refinarias e ampla oferta de diesel, foi registrada restrição no fornecimento do produto para o agronegócio.
A ANP (Agência Nacional do Petróleo) informou que vai investigar denúncias de dificuldades na aquisição de diesel por produtores rurais no estado, bem como altas "injustificadas" de preços em pleno período de colheita das principais safras.
Segundo Araujo, o problema central não é falta de produto, mas dificuldade de acordo entre compradores e vendedores. "O comprador quer comprar olhando o preço da Petrobras. O vendedor quer vender pensando que amanhã vai precisar comprar por um preço maior", explicou.
O presidente da Abicom ponderou ainda que pode haver agentes retendo produto de forma especulativa, mas avaliou que "o maior problema é esse, de que é difícil chegar a um acordo de preço."
Em carta às associadas, o SindTRR (Sindicato Nacional do Comércio Transportador-Revendedor-Retalista) informou que "tão logo começamos a receber reclamações de associadas de todas as regiões do país relatando restrições no fornecimento de diesel aos TRRs (Transportadores Revendedores Retalhistas) pelas distribuidoras, mantivemos contato com as superintendências da ANP, informando sobre as restrições existentes."
A ANP afirmou que, ao longo do fim de semana, entrou em contato com os principais fornecedores do Rio Grande do Sul e apurou que o estado "conta com estoques suficientes para assegurar o abastecimento regular de diesel."
📊 O IBP (Instituto Brasileiro de Petróleo), que reúne as maiores distribuidoras, informou que não comentaria o assunto.