Ozempic perde patente no Brasil e abre corrida por genéricos mais baratos

Fim da exclusividade abre espaço para genéricos e queda de até 30% no valor.

Publicado em 20/03/2026 às 07:00h Publicado em 20/03/2026 às 07:00h por Wesley Santana
Ozempic é fabricado pela Novo Nordisk, uma companhia da Dinamarca (Imagem: Shutterstock)
Ozempic é fabricado pela Novo Nordisk, uma companhia da Dinamarca (Imagem: Shutterstock)

Depois de 20 anos, nesta sexta-feira (20), chega ao fim a patente da semaglutida, princípio ativo de medicamentos criados para controle do diabetes. Esse fármaco está presente em medicamentos como Ozempic e Wegovy, produzidos pela Novo Nordisk (N1VO34), hoje também indicados para emagrecimento.

A queda da patente abre caminho para que empresas brasileiras e estrangeiras criem suas próprias versões das canetas que estão fazendo sucesso ao redor do mundo. A lista de empresas com pedidos em análise junto à Anvisa (Agência de Vigilância Sanitária) só cresce, mostrando que a concorrência pode derrubar o preço dos medicamentos no país.

Ainda não está claro qual o tamanho de desconto que os consumidores vão encontrar, mas o mercado estima algo próximo de 20%. Desta forma, uma caneta que hoje é vendida por quase R$ 1 mil, nos próximos meses pode ser encontrada por até R$ 750 na forma genérica.

Leia mais: ‘Ozempic brasileiro’ faz Itaú BBA recomendar compra de Hypera (HYPE3)

"A expectativa é que, uma vez que sejam aprovados pela Anvisa, os novos medicamentos com semaglutida ofereçam um benefício terapêutico equivalente ao original", afirma Rodrigo Lamounier, diretor da Abeso (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica), em entrevista ao UOL. "Vale reforçar que, mesmo com produtos mais baratos no mercado, o uso desse tipo de medicamento deve ser feito apenas com prescrição e orientação médica", complementa.

O surgimento de novas versões no mercado não muda a maneira como os pacientes de diabetes devem seguir o tratamento. A queda da patente só permite que mais empresas produzam o mesmo medicamento, sem mudanças na fórmula original, que já se mostrou eficaz para o tratamento da doença.

O prazo de até duas décadas da patente é dado pela legislação de propriedade intelectual como forma de garantir que a desenvolvedora obtenha vantagens comerciais. No ano passado, a empresa até tentou estender a duração da patente, mas o pedido foi negado pela Justiça brasileira.

Corrida de bilhões

Assim como outros bancos de investimentos já analisaram o setor, o BTG Pactual publicou um relatório nesta semana avaliando a queda da patente. A instituição destacou que a corrida deve movimentar até R$ 15,6 bilhões apenas em 2026 e fez uma aposta de redução de 30% no preço atual dos medicamentos.

“Olhando para o futuro, há uma grande oportunidade. Esse abismo de patentes do GLP-1 poderia remodelar significativamente o cenário farmacêutico no Brasil, reduzindo os preços, expandindo o acesso dos pacientes e criando oportunidades para empresas farmacêuticas locais e internacionais”, destaca o documento.

Entre as empresas que devem aproveitar essa oportunidade estão a Hypera (HYPE3), EMS e a Eurofarma, todas com forte atuação em todo o território nacional. Só a EMS já estaria trabalhando na estruturação de um plano para a produção de até 1 milhão de canetas no segundo semestre deste ano.

Parte desse efetivo pode ser enviado ao SUS (Sistema Único de Saúde), que deve avaliar a incorporação dos novos medicamentos à rede pública. Por meio de nota à imprensa, o Ministério da Saúde disse que o momento deve influenciar a discussão do tema.

“Com a entrada de novos medicamentos genéricos no mercado e o aumento da concorrência, os preços devem cair de forma significativa. Esse é um fator determinante para a análise da possível incorporação de uma nova tecnologia ao SUS”, disse a pasta.

N1VO34

Novo Nordisk
Cotação

US$ 24,10

Variação (12M)

-56,79 % Logo Novo Nordisk

Margem Líquida

33,05 %

DY

3,61 %

P/L

10,76

P/VP

5,54