‘Não é por acaso’: Entenda por que o JPMorgan está otimista com o Ibovespa

Segundo o banco, a retomada dos fluxos para essa classe de ativos tende a beneficiar a Bolsa brasileira ao longo do ano.

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Publicado em 21/01/2026 às 15:31h - Atualizado 3 minutos atrás Publicado em 21/01/2026 às 15:31h Atualizado 3 minutos atrás por Matheus Silva
Os fluxos para ações de mercados emergentes já somam US$ 14,6 bilhões no início de 2026 (Imagem: Shutterstock)
Os fluxos para ações de mercados emergentes já somam US$ 14,6 bilhões no início de 2026 (Imagem: Shutterstock)
📈 O JPMorgan avalia que o Brasil começa 2026 nos holofotes para capturar parte do movimento global de realocação de recursos para mercados emergentes. 
Segundo o banco, a retomada dos fluxos para essa classe de ativos tende a beneficiar a Bolsa brasileira ao longo do ano.
O Ibovespa renovou recorde nesta terça-feira (21) ao superar pela primeira vez o nível dos 170 mil pontos, em um movimento impulsionado pela forte entrada de capital estrangeiro. 
Para os analistas do JPMorgan, esse fluxo não é pontual e faz parte de uma tendência mais ampla que deve se estender ao longo de 2026.
A seguir, os cinco fatores destacados pelo banco que ajudam a explicar o otimismo com o mercado acionário brasileiro.

Fundos de ações voltam ao jogo

Os fluxos para ações de mercados emergentes já somam US$ 14,6 bilhões no início de 2026, o equivalente a cerca de metade de todo o volume registrado em 2025. 
Os ETFs continuam liderando as entradas, mas o JPMorgan observa sinais iniciais de retomada do interesse por fundos ativos.
Esse movimento é impulsionado pela melhora do desempenho relativo dos emergentes, pela expansão da liquidez global e pela expectativa de um dólar mais fraco ao longo do ano.

Ainda há muito dinheiro fora de emergentes

Outro ponto ressaltado pelo banco é o baixo nível de alocação global em mercados emergentes. 
Atualmente, apenas 5,3% dos ativos globais em ações estão direcionados a essa classe, apesar de os emergentes representarem 10,8% do índice MSCI ACWI.
Segundo o JPMorgan, uma convergência mesmo que parcial para médias históricas pode gerar entradas relevantes de capital ao longo de vários anos, favorecendo países com valuations atrativos e gatilhos domésticos claros, caso do Brasil.

Corte de juros no Brasil é questão de tempo

No cenário local, o banco projeta um ciclo de afrouxamento monetário de aproximadamente 350 pontos-base ao longo de 2026. 
Os analistas lembram que, nos últimos 20 anos, o mercado subestimou em média em 310 pontos-base a intensidade dos ciclos de corte promovidos pelo Banco Central do Brasil.
Historicamente, movimentos mais fortes de queda da Selic funcionam como um impulso relevante para o mercado acionário, especialmente em setores sensíveis ao custo de capital.

Eleições trazem volatilidade e oportunidade

O JPMorgan também chama atenção para o cenário eleitoral brasileiro. A avaliação é de que a disputa tende a ser apertada e binária, com grande volume de pesquisas ao longo do ano, o que pode elevar a volatilidade a partir do segundo trimestre.
Ao mesmo tempo, esse ambiente cria o que o banco define como uma opcionalidade eleitoral, capaz de destravar movimentos relevantes nos preços dos ativos. 
Em resumo, o investidor estrangeiro não vê a continuidade do atual governo como um fator negativo, mas enxerga um potencial adicional de valorização em caso de alternância para um governo mais pró-mercado.

Ações baratas e pouca participação local

Por fim, o relatório destaca que, apesar de o consenso global já estar overweight em Brasil dentro do universo de emergentes, as ações brasileiras seguem com baixa alocação nos portfólios locais.
📊 Além disso, os valuations continuam considerados atrativos pelo banco, o que reforça a assimetria favorável em um cenário de melhora de fluxos, queda de juros e condições financeiras mais benignas.