✂️ A Fitch rebaixou a nota de crédito da Compass nessa quinta-feira (18), de AAA(bra) para AA(bra), com observação negativa, por causa da situação financeira complicada da sua controladora, a
Cosan (CSAN3).
A agência de classificação de risco já havia cortado o rating da holding no final de fevereiro, devido à "contínua pressão sobre a estrutura financeira e a flexibilidade financeira da Cosan, que precisa vender ativos para amortizar dívidas de longo prazo".
Agora, disse que a Compass apresenta um perfil de crédito individual superior ao da sua controladora, mas tem o seu rating limirado pela forte influência da Cosan.
"Como acionista majoritária, a Cosan controla as decisões da subsidiária e tem forte capacidade de influenciar suas políticas financeiras, incluindo priorização de dividendos", explicou.
Os prós e contras
⛽ Para a Fitch, a Compass se beneficia do seu robusto negócio no setor de gás natural. Afinal, é dona da maior distribuidora de gás natural encanado do Brasil, a
Comgás (CGAS5), e ainda atua na infraestrutura de regaseificação e armazenamento de gás natural, por meio da subsidiária TRSP (Terminal de Regaseificação de São Paulo).
"A Compass apresenta forte fluxo de recebimento de dividendos, alongado cronograma de vencimento de dívida e moderadas alavancagens financeiras no nível individual e consolidado", avaliou.
O problema, na avaliação da agência, é de que a companhia deve enfrentar uma "forte pressão" para continuar distribuindo
dividendos elevados à Cosan, o que pode pressionar seu fluxo de caixa.
Embora reconheça que a existência de acionistas preferenciais e de debenturistas pode amenizar essa pressão, o cenário-base da Fitch incorpora que a Compass buscará maximizar os dividendos pagos à Cosan.
Ainda assim, a Fitch acredita que "o perfil financeiro consolidado da Compass deve permanecer conservador, sustentado pela melhora do desempenho e da geração operacional de caixa das subsidiárias".
Vale ressaltar ainda que o novo rating da Compass ainda indica um risco de inadimplência muito baixo, se comparado com o de outras empresas nacionais. Este é, por sinal, o mesmo rating da
Aegea, que também está na fila de IPOs da B3.
"Aegea e Compass possuem amplo potencial de crescimento da geração operacional de caixa por meio de suas subsidiárias e desempenho acima da média dos principais pares do segmento. Além disto, devem manter uma alavancagem moderada", avaliou a Fitch.
Moody's é mais otimista
📊 A Moody's também avaliou a situação da Compass nessa quinta-feira (18), mas foi mais otimista do que a Fitch e atribuiu uma nota de crédito AAA.br, com perspectiva estável, para a empresa.
Segundo a agência, o rating reflete o perfil de negócios da Compass, "com maior parcela de seu resultado advindo de ativos com natureza regulada no segmento de distribuição de gás natural, que possuem boa previsibilidade de geração de fluxos de caixa, e os prazos extensos de suas principais concessões".
A Moody's ainda observou que os ativos da Compass operam de forma independente e espera que a companhia mantenha uma distribuição prudente de recursos aos acionistas, de modo a não pressionar a sua qualidade de crédito e liquidez, apesar dos vínculos com a Cosan.
"Apesar de o estatuto prever a distribuição de no mínimo 50% do resultado, a Compass historicamente apresentou pagamentos acima desse patamar. No entanto, esperamos que a Compass deva reduzir os pagamentos a serem realizados, de forma a não comprometer suas métricas de crédito", disse.
A Moody's também avaliou de forma positiva a situação operacional da Compass, devido à diversificação geográfica e à previsibilidade na geração de fluxo de caixa. Além disso, espera que o Ebitda siga crescendo, impulsionado pela expansão da rede, ganhos de eficiência operacional, maior exposição a setores com margens mais elevadas e pelo crescimento do segmento de Marketing e Serviços.
IPO no forno
A Compass apresentou o
pedido de IPO no início deste mês de março e estaria tentando precificar a sua oferta ainda nesta semana, de acordo com o "Valor Econômico".
Segundo o "Brazil Journal", o Bradesco estaria travando o IPO da Compass, para tentar com a Cosan melhores condições para a reestruturação das dívidas da Raízen.
Caso consiga vencer esse impasse, a Compass pode ser a primeira empresa em mais de quatro anos a fazer um IPO na B3.
A Bolsa brasileira não recebe IPOs desde o final de 2021, mas espera acabar com esse jejum em breve. Afinal, além da Compass, empresas como
BRK Ambiental e Aegea já mostraram a intenção de estrear na Bolsa.