IPCA-15: Prévia da inflação sobe 0,44% em março, acima do esperado

Os preços dos alimentos e as despesas pessoais pressionaram o índice, segundo o IBGE.

Publicado em 26/03/2026 às 10:11h Publicado em 26/03/2026 às 10:11h por Marina Barbosa
Os preços dos alimentos para consumo domiciliar subiram 1,10% em março (Imagem: Shutterstock)
Os preços dos alimentos para consumo domiciliar subiram 1,10% em março (Imagem: Shutterstock)
A prévia da inflação oficial brasileira subiu 0,44% em março, pressionada pelos preços dos alimentos e pelas despesas pessoais.
O IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15) desacelerou em relação aos 0,84% observados em fevereiro. Porém, ficou acima do esperado pelo mercado, que projetava uma alta de 0,29% do indicador.
Com esse resultado, a prévia da inflação já acumula uma alta de 1,49% neste ano e de 3,90% nos últimos 12 meses, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Impacto na Selic

A meta de inflação perseguida pelo BC (Banco Central) é de 3% ao ano, com um intervalo de tolerância de 1,5% a 4,5%.
Há um receio de que a inflação volte a acelerar nos próximos meses devido ao impacto da guerra no Oriente Médio no petróleo.
Por isso, o mercado elevou a expectativa de inflação deste ano para 4,17% e o BC subiu a sua projeção para 3,90%.
Já o Copom (Comitê de Política Monetária) avisou que os próximos movimentos da taxa Selic vão depender dos desdobramentos do conflito e do comportamento da inflação.
Com isso, o mercado passou a ver menos espaço para cortes de juros em 2026. Veja aqui as projeções dos analistas, segundo o Focus.

O que pesou no IPCA-15?

Segundo o IBGE, todos os nove grupos de produtos e serviços pesquisados subiram de preço no período de apuração do IPCA-15 de março.
O destaque foi da inflação dos alimentos, que avançou 0,88% pressionada pela alimentação no domicílio. Puxaram a alta itens como açaí (29,95%), feijão-carioca (19,69%), ovo de galinha (7,54%), leite longa vida (4,46%) e carnes (1,45%).
As despesas pessoais também pesaram sobre a prévia da inflação, por causa dos maiores custos com serviço bancário (2,12%) e empregado doméstico (0,59%).
Além disso, o plano de saúde (0,49%), a energia elétrica residencial (0,29%) e as passagens aéreas (5,94%) subiram de preço.
Já os combustíveis tiveram um leve recuo de 0,03%, mesmo diante de uma alta de 3,77% do diesel, devido ao barateamento do gás veicular (-2,27%), do etanol (-0,61%) e da gasolina (-0,08%).
O IPCA-15, porém, ainda não captou todos os efeitos do reajuste do diesel anunciado recentemente pela Petrobras (PETR4). Isso porque o índice considerou os preços praticados entre 13 de fevereiro e 17 de março e o reajuste só entrou em vigor no dia 14 de março nas distribuidoras.

Veja como os grupos do IPCA-15 se comportaram em março:

  • Alimentação e bebidas: 0,88%;
  • Despesas pessoais: 0,82%;
  • Vestuário: 0,47%;
  • Artigos de residência: 0,37%;
  • Saúde e cuidados pessoais: 0,36%;
  • Habitação: 0,24%;
  • Transportes: 0,21%;
  • Educação: 0,05%;
  • Comunicação: 0,03%.