Investiu nos fundos da Reag? Entenda o que acontece após a liquidação

O acesso aos fundos fica congelado até a escolha de um novo administrador.

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Publicado em 16/01/2026 às 14:10h - Atualizado Agora Publicado em 16/01/2026 às 14:10h Atualizado Agora por Marina Barbosa
A Reag perdeu o direito de gerir os fundos com a liquidação (Imagem: Divulgação)
A Reag perdeu o direito de gerir os fundos com a liquidação (Imagem: Divulgação)
A liquidação extrajudicial da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, a antiga Reag, deixou muitos investidores em alerta. 
💰 Afinal, esta era a maior gestora independente de investimentos do país e, por isso, tinha muitos fundos sob sua administração.
Só em novembro de 2025, havia R$ 352,9 bilhões investidos nos fundos geridos pela Reag, segundo dados da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais).
A Anbima, por sinal, foi rápida e retirou a Reag da sua lista de credenciados logo após o anúncio da liquidação, na quinta-feira (15).

O que acontece agora?

⚠️ Com isso, os fundos da Reag terão que ser transferidos para um novo gestor ou administrador de carteira. Até que isso aconteça, no entanto, o acesso aos fundos fica congelado. Ou seja, os cotistas não podem resgatar nenhum valor. 
Ainda assim, especialistas ouvidos pelo Investidor10 dizem que o impacto é limitado para os cotistas, pois a recuperação dos valores investidos é garantida neste caso.
"Cada fundo possui CNPJ e patrimônio próprios, pertencentes aos cotistas, e não se confundem com a gestora. Assim, os recursos não entram na massa da liquidação da Reag e não podem ser usados para pagar suas dívidas", explicou a advogada e sócia da MBW Advocacia, Francine Behn.
 
Ou seja: "O patrimônio dos fundos continua separado do da gestora liquidada e pertence integralmente aos cotistas, o que significa que os recursos aplicados não são utilizados para pagar credores da Reag e não 'desaparecem' por causa da liquidação da empresa que os administrava".
Na prática, o que acontece é a suspensão temporária das movimentações (aportes e resgates) até que o Banco Central aprove a substituição da gestora/administradora por outra instituição. Mas, uma vez feita a troca, o fundo pode voltar a operar normalmente, segundo a advogada.

Opinião dos cotistas será ouvida

O planejador financeiro e especialista em investimentos, Jeff Patzlaff, acrescentou que os cotistas terão direito de opinar sobre a escolha do novo administrador. E, caso entendam que é melhor não seguir com esse investimento, também podem decidir encerrar o fundo, o que permitiria o resgate de todos os valores aplicados.
"Os fundos não vão deixar de existir, mas será necessário convocar uma assembleia geral de cotistas e os investidores decidirão se vão transferir a administração dos fundos para uma nova instituição ou se encerram o fundo de vez", contou.
Os fundos ainda podem ser liquidados pelo Banco Central, caso nenhuma outra instituição aceita assumir a sua gestão ou administração. Mas, nessa situação, o patrimônio líquido seria distribuído proporcionalmente aos cotistas, de acordo com a carteira existente no momento da liquidação.

Até lá, patrimônio pode variar

📉 Os especialistas reconhecem, no entanto, que esse processo pode gerar incertezas para os investidores. E, nos casos mais graves, algum prejuízo. 
Patzlaff explicou que, embora o acesso aos fundos esteja bloqueado até a escolha de um novo administrador, o seu patrimônio ainda pode oscilar. E, diante das investigações em torno da Reag, alguma desvalorização não pode ser descartada.
"O valor do fundo pode oscilar, se os ativos dentro do fundo forem de boa qualidade, o valor se mantém, porém, como há investigações sobre fraudes se for descoberto que o fundo tinha papéis ruins a cota pode cair", alertou.

A liquidação da Reag

O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, a antiga Reag, na quinta-feira (15), após constatar "graves violações às normas que regem as atividades das instituições integrantes do Sistema Financeiro Nacional".
A gestora foi um dos alvos da Operação Carbono Oculto, que em agosto de 2025 revelou o envolvimento de fintechs, fundos de investimentos e empresas de combustíveis em um esquema de fraudes e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis.
Depois disso, também foi citada nas investigações sobre o Banco Master. A suspeita era de que o Master concedia empréstimos suspeitos a determinadas empresas e que parte desse dinheiro foi para fundos da Reag, que, com isso, multiplicaram seu patrimônio em poucos dias.
Diante da suspeita, o fundador da Reag, João Carlos Mansur, foi um dos alvos da segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada na quarta-feira (14) pela PF (Polícia Federal) para "apurar a prática dos crimes de organização criminosa, gestão fraudulenta de instituição financeira, manipulação de mercado e lavagem de capitais".

Reag vendeu ativos antes da liquidação

Depois que as primeiras suspeitas vieram à tona, o fundador da Reag vendeu alguns ativos, desmembrando o grupo.
A Reag Investimentos, gestora listada na bolsa de valores, por exemplo, foi vendida para alguns dos seus executivos e passou a se chamar Arandu Investimentos (ARND3).
Já a carteira da provedora de serviços fiduciários do grupo foi vendida para a Planner Corretora. Por isso, a CBSF - Companhia Brasileira de Serviços Financeiros publicou um comunicado ao mercado para tentar esclarecer as suas conexões com a Reag após a liquidação.
"Não há, atualmente, qualquer vínculo societário, administrativo ou operacional entre a Companhia e o Grupo Reag", garantiu a companhia. Ainda assim, a CBSF teve os seus bens bloqueados pelo BC, por ser a ex-controladora da CBSF DTVM.
Segundo a empresa, o bloqueio pode afetar transitoriamente o fluxo de pagamentos de fornecedores e a folha de salários de seus colaboradores. A CBSF garantiu, por sua vez, que "já está adotando as medidas judiciais e administrativas cabíveis para levantamento da indisponibilidade de seus bens".