Governo troca comando do INSS, para tentar reduzir fila de espera

A servidora de carreira Ana Cristina Silveira assume o comando do INSS nesta 2ª feira (13).

Publicado em 13/04/2026 às 13:52h Publicado em 13/04/2026 às 13:52h por Marina Barbosa
Ana Cristina reuniu-se com Lula antes de ser anunciada presidente do INSS (Imagem: Previdência Social)
Ana Cristina reuniu-se com Lula antes de ser anunciada presidente do INSS (Imagem: Previdência Social)
O governo federal decidiu trocar o comando do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), para tentar reduzir a fila de espera por benefícios previdenciários.
Com isso, a servidora de carreira Ana Cristina Viana Silveira assume a presidência do órgão, no lugar de Gilberto Waller, que estava no cargo há apenas 11 meses.
Ana Cristina Silveira ingressou no INSS há 23 anos, como Analista do Seguro Social. E, nos últimos meses, ocupava a secretaria-executiva adjunta do Ministério da Previdência Social. 
Antes, foi presidente do Conselho de Recursos da Previdência Social por quase três anos, período em que ajudou a acelerar a capacidade de análise de recursos do órgão.

Fila do INSS na mira

Em nota, o Ministério da Previdência Social sugeriu que a troca de comando visa acelerar a análise dos benefícios previdenciários, para reduzir a fila do INSS em meio à corrida eleitoral.
"A escolha de uma servidora com visão sistêmica — que compreende o fluxo previdenciário desde o atendimento nas agências até a fase recursal — marca um novo momento para o Instituto, focado na redução do tempo de espera e qualidade do atendimento aos segurados", afirmou a pasta.
O ministro Wolney Queiroz disse ainda que Ana Cristina Silveira "tem o perfil ideal para iniciar esse novo momento e cumprir a determinação do presidente Lula, que é solucionar a fila e não deixar nenhum brasileiro para trás". 
"Sua nomeação também entrega o comando do Instituto nas mãos de seus próprios servidores. Tenho a alegria ainda de anunciar mais uma mulher para a alta cúpula do órgão, que já tem quatro diretoras", acrescentou Queiroz, que também agradeceu a Waller pela "importante contribuição nesse período".

Waller rebate

Membro da Advocacia-Geral da União, Gilberto Waller deixa o comando do INSS depois de apenas 11 meses. 
Ele assumiu o posto em abril de 2025, depois que a PF (Polícia Federal) revelou um esquema bilionário de desvio de recursos, por meio de descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas.
O esquema levou à prisão do antecessor de Waller, Alessandro Stefanutto, além do afastamento de servidores da cúpula do órgão.
O agora ex-presidente do INSS, no entanto, indicou que não concorda com o argumento do governo de que a troca visa reduzir a fila de espera do órgão.
Em um post realizado nas redes sociais pouco depois da sua demissão, Waller disse que a análise de pedidos previdenciários bateu recorde em março.

Os números do INSS

Segundo dados divulgados pelo próprio INSS nesta segunda-feira (13), 1,625 milhão de processos foram concluídos no mês passado, levando a uma redução de quase 11% no estoque de pedidos em espera. 
"O recorde de desempenho impacta diretamente quem aguarda uma resposta para os principais pedidos de benefícios, como aposentadorias, pensões e o Benefício de Prestação Continuada (BPC) — destinado a idosos e pessoas com deficiência de baixa renda", afirmou o INSS.
O órgão disse ainda que a análise acelerou devido a iniciativas como a nacionalização da fila de análise, a criação de grupos de trabalho especializados e a promoção de mutirões de análise administrativa e perícia médica.

De olho na eleição

Com a conclusão desses processos, a fila de espera do INSS diminuiu de 3,1 milhões para 2,7 milhões em março. O número, no entanto, ainda está bem acima da média história. 
Para se ter ideia, essa fila era de 1,2 milhão em janeiro de 2023, quando teve início este governo Lula (PT), e estava em 1,3 milhão dois anos atrás, em abril de 2024. 
A fila já rondava os 2,7 milhões quando Waller assumiu, há pouco menos de um ano. Porém, disparou nos últimos meses, passando dos 3 milhões no final de 2025.
De acordo com o INSS, a fila vem crescendo de forma acelerada devido ao aumento de pedidos. Só em março, o órgão recebeu cerca de 61 mil novos pedidos por dia.
O estoque, no entanto, é visto como um problema pelo governo neste período de corrida eleitoral. Afinal, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) havia prometido zerar a fila do INSS na campanha de 2022 e vem perdendo espaço para Flávio Bolsonaro (PL) nas pesquisas de intenção de voto deste ano.
A última pesquisa Datafolha, por exemplo, mostra Flávio com 46% das intenções de voto, contra 45% de Lula, no segundo turno das eleições. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.