Fictor Alimentos (FICT3) fica com diretoria desfalcada, em meio à investigação da PF

O Diretor Financeiro e de Relações com Investidores da empresa renunciou nesta 6ª feira (27).

Publicado em 28/03/2026 às 14:23h Publicado em 28/03/2026 às 14:23h por Marina Barbosa
Diretoria financeira da Fictor ficou vaga com a renúncia (Imagem: Shutterstock)
Diretoria financeira da Fictor ficou vaga com a renúncia (Imagem: Shutterstock)
A Fictor Alimentos (FICT3) desabou na B3 e ainda ficou com a diretoria desfalcada diante das suspeitas de fraudes financeiras que envolvem o seu controlador.
O Diretor Financeiro e de Relações com Investidores da Fictor Alimentos, Raul Alves Araujo do Nascimento, renunciou aos cargos nesta sexta-feira (27).
Em fato relevante, a empresa não informou o motivo da renúncia. Apenas agradeceu o empenho, dedicação e contribuição do executivo durante o período em que participou da sua administração.
A renúncia, contudo, ocorre dois dias depois que o presidente do Conselho de Administração e CEO Interino da companhia, Rafael Góis, foi alvo de uma operação da PF (Polícia Federal). E fará com que o executivo ganhe ainda mais espaço na empresa.
A diretoria da Fictor Alimentos era dividida apenas entre Raul Nascimento e Rafael Góis. Por isso, Rafael Góis assumiu de forma interina a diretoria de relações com investidores a partir da renúncia de Raul Nascimento. Já a diretoria financeira ficou vaga, até a eleição de um substituto.

A operação da PF

Rafael Góis também é CEO do Grupo Fictor -empresa que tentou comprar o Banco Master antes de a instituição ser liquidada e acabou entrando em recuperação judicial depois disso. Ele foi alvo de um mandado de busca e apreensão na última quarta-feira (25), durante a Operação Fallax.
Segundo a PF, o objetivo da operação foi desarticular uma organização criminosa especializada em fraudes bancárias contra a Caixa Econômica Federal, além das práticas de estelionato e lavagem de dinheiro.
As investigações da PF indicam que a organização desviou mais de R$ 500 milhões, por meio de um esquema que contava com a participação de funcionários de instituições financeiras, empresas de fachada e estruturas empresariais que ajudavam a dissimular a origem dos recursos ilícitos.

O que diz a Fictor Alimentos

Em fato relevante, a Fictor Alimentos informou que suas instalações não foram alvo das diligências da PF.
Segundo a empresa, o mandado de busca e apreensão mirou apenas a residência de Rafael Góis e levou exclusivamente à apreensão do celular do executivo.
A Fictor Alimentos disse ainda que, até o momento, não há nenhuma indicação de que os fatos investigados estejam relacionados com as atividades da companhia.
Além disso, prometeu colaborar integralmente com as autoridades competentes, fornecendo todas as informações e documentos que venham a ser solicitados, além de manter o mercado informado acerca de eventuais desdobramentos relevantes.

Fictor também se posiciona

A controladora da Fictor Alimentos também emitiu uma nota nesta sexta-feira (27) tentando se blindar dos fatos investigados pela PF.
"A Fictor esclarece que não possui qualquer conhecimento acerca de eventual relação com a organização criminosa mencionada, tampouco teve acesso, até o presente momento, aos elementos informativos utilizados pela Polícia Federal para sustentar tal afirmação", afirmou.
A empresa disse ainda que vai prestar todos os esclarecimentos pertinentes assim que tiver acesso aos autos e aos dados que embasam as investigações. E reafirmou o "compromisso inegociável com as melhores práticas de governança, integridade corporativa e estrita observância da legislação vigente".

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