Crise no Irã faz preço do gás subir e agrava cenário energético europeu

Europa enfrenta risco de desabastecimento enquanto tenta reduzir dependência do gás russo.

Publicado em 19/03/2026 às 12:05h Publicado em 19/03/2026 às 12:05h por Wesley Santana
Gás é usado tanto no ramo industrial quanto no doméstico (Imagem: Shutterstuck)
Gás é usado tanto no ramo industrial quanto no doméstico (Imagem: Shutterstuck)

O preço do gás natural voltou a subir nesta semana, alcançando o maior patamar desde o início da guerra no Irã. Países que são dependentes do combustível, como é o caso dos europeus, agora sofrem não mais só pelo petróleo, mas também pelo gás que abastece carros, residências, empresas e outras coisas da vida diária.

O novo aumento acontece depois de sucessivos ataques a campos de produção do combustível no Oriente Médio. Tanto os EUA e Israel, quanto o Irã bombardearam instalações de países que produzem gás na região.

Os preços ainda ganharam mais força depois da ameaça dos Estados Unidos de explodir o campo de gás South Pars, no Irã, caso o país fizesse novos ataques ao Catar. Este é o maior campo de produção de gás do mundo, responsável por exportar grande parte do combustível fornecido a outros países.

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O local também já havia sido atacado por Israel anteriormente, mas Washington garantiu que Tel Aviv não voltaria a fazê-lo. A estratégia ocidental neste momento é evitar escalar o conflito que já se arrasta há mais tempo do que o imaginado por Donald Trump e seus aliados.

A escalada nos preços também acontece no momento em que a Europa tenta substituir sua dependência do gás russo. No entanto, com outras fontes secando, importar de Moscou é a melhor opção para contornar os preços e um eventual desabastecimento.

Nesta semana, o bloco econômico aprovou uma série de medidas para reduzir as especificações do GNL importado não russo. Está previsto, por exemplo, uma redução em impostos especiais para combustíveis que vêm de outros lugares.

E no Brasil?

Neste primeiro momento, os impactos do gás são mais limitados no Brasil, já que o país importa apenas uma pequena parte do que consome. No entanto, órgãos do setor já fazem alertas sobre a duração do conflito e os impactos sobre os preços do gás industrial, do GLP de uso doméstico e de derivados, como os fertilizantes.

Uma nota da Confederação Nacional da Indústria diz que, se o conflito se arrastar, já está previsto um aumento de preços para empresas que utilizem o combustível. Nestes casos, as mais impactadas seriam a indústria química, a siderurgia, a petroquímica, a cerâmica e a de vidros.

"Caso a guerra não termine antes disso, teremos uma pressão de custos e sérios problemas econômicos para as indústrias, em razão da dependência de gás e energia", afirmou a Coinfra/CNI. "Com as turbulências no mercado de GNL (gás natural liquefeito), aumenta a percepção de risco para projetos de usinas termelétricas que farão uso do combustível e pretendem se viabilizar no leilão de reserva de capacidade em forma de potência (LRCAP)", continua.