Juros simples x juros compostos: qual a diferença no longo prazo?

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Publicado em 21/01/2026 às 11:09h - Atualizado Agora Publicado em 21/01/2026 às 11:09h Atualizado Agora por Carlos Filadelpho
Juros simples x juros compostos: qual a diferença no longo prazo? - Imagem: Shutterstock
Juros simples x juros compostos: qual a diferença no longo prazo? - Imagem: Shutterstock

Entender a diferença entre juros simples e juros compostos é essencial para quem está começando a investir, ou mesmo para quem quer organizar melhor suas finanças. 

Afinal, essas duas formas de cálculo de rendimento (ou dívida) podem significar impactos completamente distintos no seu bolso.

Se você ainda não sabe exatamente como funciona cada um desses conceitos, ou já ouviu falar mas nunca parou para entender a fundo, este conteúdo é para você. Boa leitura!

O que são juros?

Juros são a remuneração cobrada ou recebida pelo uso de um valor emprestado. Em outras palavras, é o “aluguel do dinheiro”. 

Quando você empresta dinheiro para alguém (ou investe), espera receber uma quantia a mais como compensação. Quando você toma dinheiro emprestado, paga a mais por isso.

Essa remuneração é calculada com base em uma taxa percentual, aplicada sobre o valor original, chamado de principal ou capital inicial.

Exemplo básico:

  • Se você emprestar R$ 1.000,00 a uma taxa de 10% ao ano, após um ano você terá R$ 1.100,00 os R$ 1.000,00 iniciais + R$ 100,00 de juros.

O que vai determinar a forma de cálculo e o valor final recebido (ou pago) é se o juro será simples ou composto.

Juros simples: o básico de tudo

Os juros simples são os mais fáceis de entender: a taxa incide apenas sobre o valor inicial, ou seja, o capital não muda ao longo do tempo, os rendimentos são sempre os mesmos.

Fórmula dos juros simples:

J = C × i × t

  • J: Juros

  • C: Capital inicial

  • i: Taxa de juros (em decimal)

  • t: Tempo (em meses, anos, etc.)

Exemplo prático: Suponha que você invista R$ 5.000,00 com uma taxa de juros simples de 2% ao mês, durante 6 meses.

J = 5.000,00 × 0,02 × 6 = R$ 600,00

Portanto, ao final de 6 meses, o total acumulado será de R$ 5.600,00

Note que todos os meses os juros geram o mesmo valor: R$ 100,00. Isso acontece porque a base de cálculo continua sendo os R$ 5.000,00 iniciais.

Juros compostos: juros sobre juros

Nos juros compostos, o rendimento incide sobre o valor total acumulado: capital inicial + juros já obtidos.

Ou seja, os juros se somam ao principal e formam uma base maior a cada período. Isso cria o famoso efeito bola de neve, tanto para o bem (nos investimentos), quanto para o mal (nas dívidas).

Fórmula dos juros compostos:

M = C × (1 + i)ᵗ

  • M: Montante final

  • C: Capital inicial

  • i: Taxa de juros

  • t: Tempo

Exemplo prático: Usando o mesmo valor do exemplo anterior, R$ 5.000,00 a 2% ao mês por 6 meses, vamos ver como ficaria com juros compostos.

M = 5.000,00 × (1 + 0,02)⁶ ≈ R$ 5.628,56

Ou seja, ao final de 6 meses, você teria R$ 628,56 de juros, e não apenas R$ 600,00 como no modelo de juros simples.

Pode parecer pouca diferença no curto prazo, mas o impacto no longo prazo é gigantesco. E é isso que veremos com mais profundidade na segunda parte deste conteúdo.

A diferença na prática: dívidas

Imagine agora que, em vez de investir, você esteja devendo. Nesse caso, os juros compostos viram um pesadelo.

Um exemplo claro é o rotativo do cartão de crédito, que usa juros compostos com taxas altíssimas, frequentemente acima de 10% ao mês.

Suponha uma dívida de R$ 1.000,00 com juros compostos de 10% ao mês, não paga durante 12 meses:

M = 1.000,00 × (1 + 0,10)¹² = R$ 3.138,43

Ou seja, em 1 ano, a dívida triplica. Você passa de R$ 1.000,00 para mais de R$ 3.100,00. É o efeito bola de neve em ação, agora jogando contra você.

A diferença na prática: investimentos

Para o investidor, os juros compostos podem se tornar um grande aliado. Se você mantiver um investimento por longos períodos, os juros compostos podem multiplicar seu patrimônio.

Exemplo:

  • Aporte inicial: R$ 10.000,00

  • Taxa de juros: 10% ao ano

  • Período: 20 anos

Com juros simples, o total seria:

J = 10.000,00 × 0,10 × 20 = R$ 20.000,00

Total: R$ 30.000,00

Com juros compostos:

M = 10.000,00 × (1 + 0,10)²⁰ ≈ R$ 67.275,00

Ou seja, mais que o dobro dos juros simples. É por isso que os juros compostos premiam o tempo.

A força do tempo e da constância

O efeito dos juros compostos se intensifica quando combinamos tempo + aportes regulares.

Exemplo com aportes mensais de R$ 500 a 0,7% ao mês:

Tempo

Total Investido

Valor Final (juros compostos)

5 anos

R$ 30.000

R$ 36.708,50

10 anos

R$ 60.000

R$ 87.249,60

20 anos

R$ 120.000

R$ 246.619,83

Com o passar do tempo, os juros acumulados superam o valor investido — esse é o verdadeiro poder da constância.

Como os grandes investidores usam os juros compostos

Como os grandes investidores usam juros compostos - Imagem: Shutterstock

Os investidores mais experientes fazem dos juros compostos um pilar da estratégia de longo prazo

Uma das práticas mais comuns, é investir em ações que pagam dividendos (como muitas empresas da Bolsa de Valores), o reinvestimento desses lucros é uma forma de aplicar o conceito de “juros sobre juros”.

  • Você compra ações que pagam dividendos.

  • Recebe os dividendos regularmente.

  • Usa esse dinheiro para comprar mais ações.

  • Com mais ações, os próximos dividendos serão maiores.

  • O ciclo se repete, acelerando o crescimento do patrimônio.

Outra estratégia para potencializar o efeito bola de neve dos juros compostos, é investir em títulos de renda fixa, como o CDB, e realizar novos aportes mensais.

Os novos aportes aumentam o valor do principal, e por consequência dos juros mensais, maximizando assim, os rendimentos e a renda passiva gerada pelos títulos de renda fixa.

É com base em estratégias desse tipo, que alguns investidores conseguem construir uma carteira de aplicações que lhe permitem ter a tranquilidade de viver apenas de rendimentos.

Como usar os juros compostos a seu favor?

Se você quer aproveitar esse efeito acumulativo positivo nos seus investimentos, siga essas dicas:

  1. Comece o quanto antes: O tempo é o principal aliado dos juros compostos. Quanto antes você começar, maior será o impacto. Veja:
  • R$ 10.000,00 aplicados aos 25 anos rendendo 10% ao ano: R$ 72.890,00 aos 50 anos

  • R$ 10.000,00 aplicados aos 35 anos com a mesma taxa: R$ 28.925,00 aos 50 anos

10 anos de diferença representam mais do que o dobro do rendimento final.

  1. Mantenha regularidade nos aportes: Investir todos os meses, mesmo que valores pequenos, é muito mais eficiente do que esperar juntar um valor alto para investir de uma vez.

Exemplo: R$ 300,00 por mês a 0,8% ao mês (aprox. 10% ao ano) por 20 anos = mais de R$ 230 mil acumulados, com apenas R$ 72 mil investidos.

  1. Reinvista os rendimentos: Evite sacar os lucros de seus investimentos se não for necessário. Reinvista os rendimentos para continuar alimentando a bola de neve positiva.
  2. Foque no longo prazo: Evite movimentações impulsivas. Os juros compostos funcionam melhor quando você mantém os investimentos por vários anos, mesmo durante oscilações do mercado.

Use as calculadoras do Investidor10 para simular seus resultados

Entender a teoria é fundamental, mas visualizar os números na prática faz toda a diferença. Para isso, o Investidor10 disponibiliza ferramentas gratuitas que ajudam você a simular cenários reais e comparar o impacto dos juros simples e dos juros compostos ao longo do tempo. 

Com a Calculadora de Juros Simples, é possível calcular rendimentos ou dívidas de forma direta, ideal para entender operações de curto prazo. 

Já a Calculadora de Juros Compostos permite simular investimentos de médio e longo prazo, considerando taxa, tempo e aportes recorrentes, evidenciando o efeito dos “juros sobre juros”. 

Ao usar essas ferramentas, você consegue tomar decisões mais conscientes, planejar melhor seus investimentos e enxergar com clareza como o tempo pode trabalhar a seu favor.

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Conclusão: qual a melhor escolha no longo prazo?

Juros compostos são seu maior aliado para crescer financeiramente, mas pode ser seu maior inimigo se você estiver do lado da dívida.

Por isso, é importante deixar claro, que tanto nos contratos de empréstimos e financiamentos, quanto nos investimentos, o mercado financeiro sempre utiliza os juros compostos. Sendo assim, você precisa se planejar para ficar do lado certo.

Na prática, o juros composto é um potencializador, seja das dívidas ou do crescimento patrimonial. Sendo assim, evite ser quem pega dinheiro emprestado com os bancos, trabalhe para ser quem empresta para às instituições financeiras (investe).

No mercado financeiro, tempo + disciplina + juros compostos = liberdade financeira.

Com a ajuda do Investidor10 você analisa, compara e acompanha seus investimentos com dados sempre atualizados, para tomar decisões mais seguras. 

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