Debênture: O que é? Vale a pena investir?

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Publicado em 14/07/2023 às 10:31h - Atualizado 11 meses atrás Publicado em 14/07/2023 às 10:31h Atualizado 11 meses atrás por Redação
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Antes de falarmos mais se vale ou não a pena investir em debêntures, primeiro é importante começarmos pelo conceito. De forma prática, debêntures são títulos de crédito emitidos por empresas como forma de captar recursos financeiros. Elas representam uma forma de investimento em renda fixa, na qual o investidor empresta dinheiro para a empresa em troca de uma remuneração determinada. Essa remuneração pode ser feita por meio de juros, participação nos lucros ou uma combinação de ambos. Assim, uma debênture é uma forma de empréstimo que as empresas fazem junto ao mercado de capitais, buscando recursos para financiar suas atividades, expandir seus negócios, investir em novos projetos ou refinanciar dívidas existentes. Como vamos falar mais para frente, a emissão de debêntures é totalmente regulamentada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e pode ser feita por empresas de capital aberto ou fechado. Sendo um investidor, você precisa ter em mente que, ao adquirir uma debênture, você se torna credor da empresa emissora e tem direito a receber o valor investido de volta no vencimento do título, além dos juros acordados. Preste atenção nessa questão de você se tornar o credor. Mais para frente, quando formos falar sobre os riscos, voltaremos nisso...

Remuneração / Retorno

A remuneração pode ser prefixada, ou seja, com uma taxa fixa estabelecida no momento da emissão, ou pós-fixada, atrelada a algum índice de referência, como o CDI ou a taxa Selic. É importante ressaltar que as debêntures são consideradas investimentos de maior risco em relação a outros produtos de renda fixa, como os títulos públicos. Isso ocorre porque o pagamento dos valores investidos e dos juros está condicionado à capacidade de pagamento da empresa emissora. Em caso de falência ou problemas financeiros, os investidores de debêntures podem enfrentar dificuldades para receber seus recursos. No entanto, como tudo na vida, também tem seus pontos positivos. Na prática, as debêntures podem oferecer retornos mais atrativos em comparação a outras opções de investimento de renda fixa, principalmente quando emitidas por empresas sólidas e bem estabelecidas.

Debênture é renda fixa ou renda variável?

Ao falar sobre debênture, é natural que apareça uma dúvida clássica: "Mas, afinal, debênture é renda fixa ou renda variável?" Geralmente as pessoas têm essa dúvida pelo fato da debênture ser um investimento onde o investidor está emprestando dinheiro para uma empresa. Diferente dos outros investimentos em renda fixa que estamos acostumados, onde você empresa para o governo ou para bancos - com debêntures, a sua ligação é direta com o negócio. Contudo, muito cuidado para não se confundir. Não é porque você está emprestando para o negócio que é uma renda variável. Debênture compõe a classe de renda fixa, mesmo você emprestando o dinheiro diretamente para uma empresa. Falando nisso, um ponto importante é em relação ao porquê uma empresa emite um debênture. Como investidor, é imprescindível que você entenda isso.

O que faz uma empresa emitir um debênture?

A questão dos motivos que fazem uma empresa emitir um debênture realmente é muito prolongada. Mas, explicando da forma mais simples, podemos entender que empresas emitem debêntures como uma forma de captar recursos financeiros para atender as suas necessidades - sejam elas de crescimento ou de débitos. Dessa forma, essa modalidade de financiamento oferece vantagens tanto para a empresa emissora quanto para os investidores. Mas, olhando sob o prima da empresa, vemos que há alguns motivos principais que podem fazer ela querer emitir um debênture. São eles:

Diversificação das fontes de financiamento:

Ao emitir debêntures, as empresas podem diversificar suas fontes de recursos além de empréstimos bancários tradicionais. Isso reduz a dependência de um único tipo de financiamento e aumenta a flexibilidade financeira da empresa. Além disso, tem também a questão de que, muitas vezes, elas já têm um valor a pagar para as instituições tradicionais. Assim, para conseguir mais capital, elas precisam buscar por novas fontes. Uma dessas fontes pode ser a emissão de debênture.

Custo do capital

Como sabemos bem, o Brasil é um país com ciclos claros de alta e baixa de juros. Desse modo, dependendo das condições de mercado, a emissão de debêntures pode ser uma alternativa mais vantajosa em termos de custo do capital se comparada a outras formas de captação - como empréstimos bancários ou emissão de ações. Em alguns casos, as taxas de juros das debêntures podem ser mais atraentes do que as taxas praticadas pelos bancos. O que faz com que essa modalidade de financiamento acabe chamando mais atenção das empresas.

Prazos mais longos

Uma outra questão importante é que as debêntures geralmente possuem prazos mais longos em comparação a empréstimos bancários. Isso permite que as empresas tenham acesso a recursos no curto prazo, mas que só precisem bancá-los a médio ou longo prazo. Isso é especialmente útil quando as empresas necessitam de capital para expansão, aquisição de ativos ou investimentos - mas não podem pagar em um prazo tão curto. Dessa forma, elas podem emitir um debênture com um prazo mais longo.

Flexibilidade nos termos

Sem dúvidas uma das grandes vantagens que as empresas têm é a questão da flexibilidade nos termos. A emissão de debêntures permite que as empresas negociem as condições da emissão conforme suas necessidades específicas. Elas podem estabelecer as taxas de juros, a forma de remuneração, prazos, garantias, entre outros termos. Tudo isso não aconteceria caso elas fossem pegar um empréstimo nos moldes tradicionais - com bancos, por exemplo. Nos outros métodos, elas deveriam acabar tendo que se adequar as condições do banco. Já, aqui, elas conseguem ter esse controle dos termos do empréstimo. Isso proporciona maior flexibilidade para a empresa adaptar as debêntures às suas preferências e capacidade de pagamento.

Diferenças principais entre ação e debênture

Uma outra dúvida muito comum é sobre a diferença entre debênture e ações. Para que a gente consiga prosseguir e se aprofundar nos investimentos em debênture, é de suma importância que essa diferença entre ação e debênture esteja clara para você. Debêntures e ações são dois tipos de investimentos disponíveis no mercado financeiro, mas cada um com características e propósitos distintos. As debêntures são títulos de dívida emitidos por empresas, representando um empréstimo feito pelo investidor para a empresa emissora. Ao adquirir uma debênture, o investidor se torna um credor da empresa, recebendo juros e o valor investido de volta no vencimento do título. As debêntures são consideradas investimentos de renda fixa, pois oferecem uma remuneração fixa ou variável predefinida. Por outro lado, as ações representam a propriedade de uma parcela de uma empresa. Ao comprar ações, o investidor se torna acionista e adquire direitos de voto nas assembleias da empresa. Além disso, os acionistas podem participar dos lucros da empresa por meio do recebimento de dividendos. Uma diferença importante entre debêntures e ações está no risco e retorno. As debêntures são consideradas investimentos de menor risco - pois o pagamento dos juros e o valor investido são garantidos pela empresa emissora.

Oscilação

Já as ações são investimentos de renda variável, sujeitos a oscilações no mercado. Os retornos das ações dependem do desempenho da empresa e do mercado acionário, podendo ser maiores ou menores do que o investimento inicial. Outra distinção é a prioridade de pagamento em caso de falência ou liquidação da empresa. Os detentores de debêntures têm prioridade sobre os acionistas na recuperação de seus investimentos. Isso significa que os credores têm preferência em receber antes que os acionistas possam receber qualquer valor. No que diz respeito ao prazo de investimento, as debêntures geralmente possuem prazos de vencimento mais longos, tornando-se uma opção interessante para investimentos de médio a longo prazo. Já as ações não possuem prazo de vencimento e podem ser mantidas por tempo indeterminado - dependendo da estratégia e objetivos do investidor.

Tipos de Debênture

Agora que você já conhece a diferença entre ações e debêntures, é interessantes que você conheça os 3 principais tipos de debêntures que temos acesso no mercado.

Simples

Iniciando pelo tipo mais fácil de entender, temos a debênture simples. A debênture simples é a forma mais comum de debênture. Ela representa um empréstimo feito pelo investidor para a empresa emissora, que se compromete a pagar juros periódicos e devolver o valor investido no vencimento do título. Dessa forma, as debêntures simples geralmente possuem prazos de vencimento mais longos e oferecem uma taxa de juros fixa ou variável, que pode ser pré-fixada ou indexada a algum indicador de mercado, como o CDI ou a inflação.

Incentivada

Um outro tipo possível de encontrarmos é a Incentivada. Nesse caso, as debêntures incentivadas, também conhecidas como debêntures de infraestrutura, são uma categoria especial de debêntures com incentivos fiscais oferecidos pelo governo. Desse modo, elas são emitidas com o objetivo de financiar projetos de infraestrutura, como obras públicas, energia, transporte, entre outros. Ao investir em debêntures incentivadas, o investidor pode obter benefícios fiscais, como isenção ou redução de impostos, tornando o investimento mais atrativo. Essa medida tem o propósito de incentivar o financiamento de projetos de interesse público.

Conversível

Como terceiro e último tipo, temos as debêntures conversíveis. A debênture conversível possui uma característica adicional em relação à debênture simples. Além de pagar juros e devolver o valor investido no vencimento, a debênture conversível dá ao investidor a opção de convertê-la em ações da empresa emissora em determinadas condições. Isso significa que o detentor da debênture pode, em um momento futuro, trocar o título por um número pré-determinado de ações da empresa. Essa opção de conversão permite que o investidor se beneficie da valorização das ações, caso ocorra, além de receber os juros previstos. Conhecendo cada um dos tipos de debênture, o que mais sugerimos é que, ao analisá-las, você veja qual atende mais ao que você está procurando. Dessa forma, depois de entender qual tipo mais lhe atende, vamos agora ver como começar a investir em debêntures...

Como começar a investir em Debênture?

Para começar a investir em debêntures, é muito mais simples do que parece. Na prática, você terá apenas que seguir quatro etapas simples para começar hoje mesmo a fazer investimentos neste tipo de ativo. Sendo assim, vamos conhecer cada uma das etapas.

Criar conta em uma corretora

Ao decidir investir em debêntures, o primeiro passo é criar uma conta em uma corretora. Assim como acontece caso você queira investir em outros ativos, ter uma conta em corretora é algo primordial. Mas, se você ainda não tem uma conta em corretora, sem problemas, essa é uma tarefa super simples. O ideal é que você escolha uma corretora confiável e regulamentada, verificando sua reputação e os serviços oferecidos. Sempre sugerimos que você opte pelas corretoras mais conhecidas e que estão há mais tempo no mercado. Geralmente essas corretoras grandes prestam um bom serviço, além de serem confiáveis. Desse modo, para abrir a conta, será necessário preencher um formulário de cadastro com informações pessoais e apresentar documentos como RG, CPF, comprovante de residência e, possivelmente, comprovante de renda.

Abertura

Quando você faz esse processo de abertura de conta em uma corretora, geralmente ele leva de 3-4 dias para ser concretizado. Nesse meio tempo, a corretora checará as informações que você colocou e, se for o caso, pedirá mais algum documento. Ao passar desse prazo, sua conta será oficialmente aberta em uma corretora. Vale a pena ressaltar que algumas corretoras também solicitam que você responda a um questionário de perfil de investidor para identificar suas características e objetivos financeiros. Com base nas respostas, a corretora poderá oferecer recomendações adequadas ao seu perfil. Mas, para quem quer investir em debêntures, isso não fará muita diferença.

Cadastro Aprovado

Após o cadastro e a análise do perfil, é provável que seja necessário assinar contratos e termos de adesão. Leia atentamente esses documentos para compreender todas as cláusulas e condições envolvidas. Passando por toda essa fase burocrática do processo de abertura de conta em corretora, você já poderá fazer o seu primeiro depósito na corretora para começar a investir.

Escolher o Tipo de Debênture

Com tudo ponto para iniciar os seus investimentos, é preciso analisar que tipo de ativo você aportará. Como bem comentamos anteriormente, no mercado de debêntures, existem três principais tipos. Por isso, é essencial que você veja qual o tipo de debênture que mais lhe atende. Antes de investir em qualquer tipo de ativo, é de suma importância que você estude sobre ele. Não há nada pior do que investir em algo que você não entende. De modo geral, vemos que os debêntures simples são os mais fáceis de entender e os que mais chamam atenção de iniciantes. Contudo, vale a pena analisar cada um deles para ver qual mais lhe apetece.

Analisar os Prazos e Riscos

Entendendo o tipo de debênture que você deseja investir, é preciso começarmos a fazer algumas análises. Para nós, as análises mais importantes nesse processo são as análises de prazos e de risco.

Prazos

Começando pela análise do prazo de investimento, vemos que isso é algo crucial - mas que também não tem uma regra. A questão do prazo dependerá exclusivamente do seu perfil como investidor e do tempo que você deseja ficar naquele investimento. Você deve considerar se deseja retornos a curto, médio ou longo prazo. Sempre levando em conta seus objetivos financeiros específicos. É importante ter em mente também que, ao escolher o prazo, é preciso refletir sobre a necessidade daquele dinheiro. Se o dinheiro que será investido faz muita diferença e você sabe que precisará no curto prazo - então busque por debêntures com prazos mais curtos. Mas, se você deixaria o dinheiro parado e não tem necessidade de resgatá-lo em um curto espaço de tempo, aí é possível olhar para prazos maiores. O prazo escolhido influenciará diretamente a taxa de juros oferecida pela debênture e, consequentemente, seu potencial de retorno.

Risco e Juros

Nessa questão dos riscos e dos juros, é preciso ter muita cautela. Mais para frente, falaremos melhor sobre a questão da segurança de investir em debêntures. Mas, já podemos adiantar que, o ideal é escolher debêntures com um risco baixo. Às vezes, nos deixamos levar pela ganância e olhamos apenas para a taxa de juros oferecida. Esse tipo de postura é muito perigosa - pois quando olhamos apenas para o retorno, esquecemos de analisar os riscos. Dessa forma, ao fazer uma análise do quanto o debênture lhe pagará de juros, olhe também o risco que ele possui. Como investidor, é a sua função fazer essa correlação de risco x retorno e ver se lhe atende ou não. Se você é uma pessoa que está investindo em renda fixa exatamente por não querer ter que se preocupar com risco, evite debêntures mais arriscados. Esse racional por trás da decisão algo quase que natural. No outro cenário, se você quer e pode assumir mais risco, aí você poderá abrir o leque e olhar para debêntures que tenham mais risco. Mas, sempre tendo a consciência do tipo de investimento que está fazendo.

Investir em Debêntures

Após passar por todas essas análises que destacamos, pronto, você já pode começar a investir em debêntures. Se você não sabe como fazer isso em sua corretora, é muito simples. Após entrar na corretora, vá até a seleção de investimentos de "Renda Fixa" - geralmente essa seção está logo no primeiro Menu. Dessa forma, ao entrar na seção de renda fixa, é importante que você utilize os filtros para deixar visível apenas debêntures. Isso dependerá da sua corretora, mas muitas já têm uma aba de "Debêntures" prontas. Assim, ao clicar, você verá todos os debêntures que estão disponíveis. Vale lembrar que, junto a eles, tem o prazo, risco e a taxa de juros. Cabe a você filtrar até achar o que atende melhor você.

Dúvidas Frequentes

Agora que já explicamos tudo que você precisa saber para sair do zero e começar hoje mesmo a investir em debêntures, queremos tirar algumas dúvidas que você pode ter.

Debênture tem proteção do FGC?

A primeira grande dúvida que as pessoas tem é em relação ao FGC. Será que os debêntures são protegidos pelo FGC? Para quem não sabe, FGC é o Fundo Garantidor de Crédito, uma instituição que assegura os investidores para determinados tipos de investimentos - como CDBs, por exemplo. Tendo um limite de proteção de R$250.000 por CPF. Mas, além dos CDBs, será que o debênture é protegido também? Bom, infelizmente, não. Os debêntures, por serem emitidos por empresas, não possuem uma proteção do FGC. Logo, se você aplicar em um debênture e, posteriormente, a empresa que emitiu não conseguir lhe pagar - infelizmente, você não tem nenhum tipo de proteção. É por isso que sempre ressaltamos a questão do risco. Empresas menores, com risco maior, devem ser evitadas por aqueles investidores mais conservadores. Se você optar por investir em debêntures, opte sempre por empresas com maior segurança, que já são consolidadas. Mesmo que o juros seja menor.

Debênture e CDB são a mesma coisa?

Assim como comentamos sobre CDB na dúvida anterior, há uma outra questão forte: "Os debêntures e os CDBs são o mesmo investimento?" Não, não são. Eles compõe a mesma classe de ativos (renda fixa), mas são investimentos diferentes. No caso do CDB, o certificado de depósito bancário, é um título de renda fixa que foi emitido por um banco. Diferente dos Debêntures que são emitidos por empresas. Por isso, não são a mesma coisa. Eles possuem riscos diferentes e retornos diferentes. Antes de sair, não deixe de conferir nossos últimos artigos.

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