Pagadora de dividendos? BBI vê Tenda (TEND3) barata demais para ignorar

Para o banco, o mercado ainda não precificou corretamente a virada operacional da companhia nem o potencial de geração de caixa.

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Publicado em 28/01/2026 às 15:29h - Atualizado Agora Publicado em 28/01/2026 às 15:29h Atualizado Agora por Matheus Silva
Para o BBI, o grande gatilho está nos dividendos (Imagem: Shutterstock)
Para o BBI, o grande gatilho está nos dividendos (Imagem: Shutterstock)
💲 O Bradesco BBI voltou a reforçar sua confiança na Tenda (TEND3) e elevou o preço-alvo das ações para R$ 40, mantendo a recomendação de compra mesmo após meses de forte oscilação dos papéis.
Para o banco, o mercado ainda não precificou corretamente a virada operacional da companhia nem o potencial de geração de caixa que começa a se desenhar para 2026.
Na visão dos analistas, a Tenda segue sendo negociada com um desconto excessivo quando comparada a outras construtoras do segmento de baixa renda. 
Hoje, a ação roda próxima de 5,3 vezes o lucro, enquanto pares como Cury (CURY3) e Direcional (DIRR3) operam entre 8 e 9 vezes P/L. Para o BBI, essa diferença reflete mais a desconfiança de curto prazo do mercado do que problemas estruturais no negócio.
O relatório ressalta que os resultados recentes ajudaram a reduzir incertezas e tornaram as projeções de lucro mais previsíveis. 
Mesmo assim, o valuation permanece pressionado, o que cria, segundo o banco, uma janela interessante para investidores dispostos a atravessar períodos de volatilidade.
No pregão desta quarta-feira (28), o mercado reagiu de forma positiva. As ações da Tenda subiram cerca de 5%, negociadas em torno de R$ 26,60, recuperando parte das perdas acumuladas após o papel ter encostado em R$ 22,77 na semana anterior.

Alea pesa no humor, mas impacto é limitado

Um dos fatores por trás das oscilações recentes é a Alea, braço de casas industrializadas do grupo. O tema costuma gerar ruído entre investidores, mas o BBI avalia que o efeito econômico é bem mais contido do que o mercado sugere.
Pelas estimativas do banco, a Alea deve responder por aproximadamente 14% do lucro por ação esperado para 2026, o que limita seu impacto sobre o resultado consolidado. 
Na prática, eventuais ajustes negativos ligados à unidade — especialmente após a divulgação do balanço do 4T25 — podem acabar funcionando mais como ponto de entrada do que como sinal de deterioração do case.
O banco também chama atenção para a base acionária da companhia, ainda bastante concentrada em fundos multimercados. 
Esse perfil tende a amplificar movimentos de curto prazo, aumentando a volatilidade mesmo sem mudanças relevantes nos fundamentos.

Dividendos ganham protagonismo

Para o BBI, o grande gatilho para uma reavaliação mais estrutural da Tenda está nos dividendos. Com a melhora esperada na geração de caixa ao longo de 2026, o banco vê espaço para que a empresa passe a ser percebida como uma pagadora relevante de proventos.
As projeções apontam para um dividend yield próximo de 7%, acompanhado de um free cash flow em torno de 13%. Esse conjunto tende a atrair um perfil diferente de investidor e ajudar a suavizar a volatilidade das ações ao longo do tempo.

Risco limitado e cenário favorável

O BBI destaca ainda que o risco de queda parece restrito aos níveis atuais. O valuation já está bastante comprimido e o ambiente para o segmento de habitação popular segue estável, oferecendo visibilidade de demanda.
📈 Combinando fundamentos mais sólidos, potencial de dividendos e um cenário macro que pode se tornar menos adverso após o ciclo eleitoral, o banco avalia que 2026 apresenta uma assimetria interessante para a Tenda, com mais espaço para surpresas positivas do que negativas no preço das ações.

TEND3

CONSTRUTORA TENDA
Cotação

R$ 26,70

Variação (12M)

105,90 % Logo CONSTRUTORA TENDA

Margem Líquida

10,99 %

DY

4.86%

P/L

7,75

P/VP

2,67