Israel ameaça intensificar ataques ao Irã enquanto EUA dá prazo para reabrir Ormuz

O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, afirmou que o país "pagará um preço alto e cada vez maior".

Publicado em 27/03/2026 às 16:03h Publicado em 27/03/2026 às 16:03h por Matheus Silva
O Irã não sinalizou recuo e rejeitou a proposta americana de cessar-fogo (Imagem: Shutterstock)
O Irã não sinalizou recuo e rejeitou a proposta americana de cessar-fogo (Imagem: Shutterstock)
🚨 Israel ameaçou "intensificar e expandir" seus ataques contra o Irã nesta sexta-feira (27), mesmo com o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmando que as negociações para o fim da guerra estavam avançando e concedendo a Teerã mais tempo para reabrir o Estreito de Ormuz. 
O Irã não sinalizou recuo e rejeitou a proposta americana de cessar-fogo.
O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, afirmou que o país "pagará um preço alto e cada vez maior". 
"Apesar dos avisos, os disparos continuam. E, portanto, os ataques no Irã irão se intensificar e se expandir para alvos e áreas adicionais que auxiliam o regime na construção e operação de armas contra cidadãos israelenses", declarou.
As Forças Armadas de Israel informaram que seus ataques desta sexta-feira tiveram como alvo instalações "no coração de Teerã", onde mísseis balísticos e outras armas são produzidos, além de lançadores e depósitos de mísseis no oeste do Irã. 
Sirenes de alerta soaram em território israelense, com o exército relatando interceptação de mísseis iranianos diariamente.

Irã rejeita proposta americana e apresenta contraproposta

O enviado de Trump, Steve Witkoff, confirmou que Washington entregou ao Irã uma lista de 15 pontos para um possível cessar-fogo, intermediada pelo Paquistão, propondo restrições ao programa nuclear iraniano e a reabertura do Estreito de Ormuz. 
O Irã rejeitou a oferta e apresentou sua própria proposta de cinco pontos, que incluía reparações e o reconhecimento de sua soberania sobre o estreito.
Trump afirmou que, se o Irã não reabrir o Estreito para todo o tráfego até seis de abril, ordenará a destruição das usinas de energia iranianas. 
O Irã mantém a posição de que não está envolvido em nenhuma negociação.
Diplomatas do Egito, Turquia e Paquistão intensificaram esforços para organizar um encontro direto entre enviados dos EUA e do Irã. O Ministério das Relações Exteriores do Egito afirmou que trabalha por "esforços graduais de desescalada que, em última análise, levassem ao fim da guerra." 
O Conselho de Segurança da ONU realizou consulta fechada sobre o conflito nesta sexta, convocada pela Rússia e agendada pelos EUA, que detêm a presidência do colegiado.

Irã ataca países do Golfo e China é indiretamente afetada

O Ministério da Defesa da Arábia Saudita informou ter abatido mísseis e drones direcionados a Riade. O Kuwait relatou danos materiais em dois portos, incluindo o porto de Mubarak Al Kabeer, vinculado à iniciativa chinesa de infraestrutura. 
Segundo analistas, foi uma das primeiras vezes que um projeto ligado à China nos estados árabes do Golfo foi atingido durante o conflito. A China continua comprando petróleo iraniano.
Um bloco árabe do Golfo afirmou que o Irã tem cobrado pedágio de navios para garantir passagem segura pelo Estreito de Ormuz.

Impacto humanitário se aprofunda e ONU alerta para desastre

A OIM (Organização Internacional para as Migrações) informou que 82 mil edifícios civis no Irã, incluindo hospitais e residências de 180 mil pessoas, foram danificados. 
Jan Egeland, secretário-geral do Conselho Norueguês para Refugiados, alertou: "Se esta guerra continuar, corremos o risco de um desastre humanitário muito maior. Milhões de pessoas poderão ser forçadas a fugir para além das fronteiras, exercendo uma pressão imensa sobre uma região já sobrecarregada."
Segundo autoridades, mais de 1.900 pessoas morreram no Irã e mais de 1.100 no Líbano. Dezoito pessoas morreram em Israel, onde quatro soldados também foram mortos no Líbano. Pelo menos 13 soldados americanos perderam a vida no conflito. 
No Iraque, onde grupos paramilitares apoiados pelo Irã entraram no combate, 80 membros das forças de segurança morreram.

Mercados encerram quinta semana negativa com petróleo a US$ 112

Os mercados globais voltaram a sofrer com a escalada do conflito. As ações americanas abriram em queda, com S&P 500 recuando 0,4%, Dow Jones perdendo 0,6% e Nasdaq cedendo 0,6%, acumulando a quinta semana consecutiva de perdas em Wall Street, a maior sequência negativa em quase quatro anos. Os mercados asiáticos também encerraram em queda. 
O Brent foi cotado a US$ 112 o barril, acumulando alta superior a 48% desde o início do conflito em 28 de fevereiro.
📊 Navios americanos transportando cerca de 2.500 fuzileiros navais se aproximaram da região, e pelo menos mil paraquedistas da 82ª Divisão Aerotransportada receberam ordens de deslocamento para o Oriente Médio.