Ibovespa bate mais um recorde e chega aos 184 mil pontos com aposta na Selic

O indíce chegou a avançar quase 3 mil pontos intradiários e encerrou o dia em alta de 1,52%, aos 184.691 pontos.

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Publicado em 28/01/2026 às 18:42h - Atualizado Agora Publicado em 28/01/2026 às 18:42h Atualizado Agora por Matheus Silva
Durante a sessão, o índice também superou pela 1ª vez o nível dos 185 mil pontos (Imagem: Shutterstock)
Durante a sessão, o índice também superou pela 1ª vez o nível dos 185 mil pontos (Imagem: Shutterstock)
🚀 O Ibovespa (IBOV) voltou a renovar máximas históricas nesta quarta-feira (28), sustentado por um ambiente externo mais favorável, pela manutenção dos juros nos Estados Unidos e, principalmente, pela expectativa em torno da decisão do Comitê de Política Monetária no Brasil.
O principal índice da bolsa brasileira ganhou força ao longo do pregão, chegou a avançar quase 3 mil pontos intradiários e encerrou o dia em alta de 1,52%, aos 184.691,05 pontos, novo recorde de fechamento.
Durante a sessão, o índice também superou pela primeira vez o nível dos 185 mil pontos, renovando o recorde nominal intradia.
Até então, o maior fechamento havia sido registrado na véspera, aos 181.919,13 pontos, o que evidencia a intensidade do movimento positivo observado nos últimos dias.
No mercado de câmbio, o dólar à vista fechou praticamente estável, cotado a R$ 5,20, permanecendo no menor patamar desde maio de 2024. 
A moeda norte-americana segue pressionada pela fraqueza global do dólar e pelo forte fluxo de capital estrangeiro direcionado ao mercado brasileiro.

Copom concentra atenções no cenário doméstico

No Brasil, os investidores passaram o dia à espera da decisão do Copom, divulgada após o fechamento do mercado. 
A leitura predominante é de manutenção da taxa Selic em 15% ao ano, o que marcaria a quinta reunião consecutiva sem alteração nos juros. Ainda assim, cresce a percepção de que o ciclo de afrouxamento monetário pode estar mais próximo do que se imaginava.
Pesquisa do BTG Pactual com gestores, traders, economistas e estrategistas mostrou que 76% esperavam a manutenção da Selic, mas 68% consideram que um corte já seria justificável diante do atual cenário de inflação, atividade econômica e política monetária. 
Quase metade avalia que a redução seria plenamente defensável, enquanto cerca de 20% veem espaço para corte, ainda que com riscos relevantes.

Fluxo estrangeiro impulsiona os pesos-pesados

O novo recorde do Ibovespa segue fortemente apoiado pela entrada consistente de recursos externos. 
Segundo dados da B3, o investidor estrangeiro já aportou US$ 17,7 bilhões na bolsa brasileira em 2026, sendo US$ 2 bilhões apenas na última sexta-feira. Esse fluxo tem dado sustentação sobretudo às ações de maior peso no índice.
A Vale (VALE3) esteve entre os principais destaques do dia, com alta superior a 2%. Os papéis da mineradora lideraram o volume financeiro da B3, somando mais de 62,8 mil negócios e giro de R$ 2,25 bilhões. 
Além do fluxo estrangeiro, o mercado reagiu positivamente à divulgação da prévia operacional do quarto trimestre, que mostrou produção de 90,4 milhões de toneladas de minério de ferro, número acima das estimativas mais conservadoras.
A Petrobras (PETR4) também contribuiu para o desempenho positivo do índice ao registrar o nono pregão consecutivo de alta, acompanhando a valorização do petróleo no mercado internacional. 
O contrato do Brent para março subiu 1,17%, encerrando a US$ 67,37 o barril, em meio a expectativas de demanda mais firme e ajustes na oferta global.

Destaques do pregão

Apesar do peso dos grandes nomes, a liderança da sessão ficou com a Raízen (RAIZ4). As ações da companhia dispararam mais de 17% e voltaram a ser negociadas acima de R$ 1,00, refletindo expectativas de reestruturação financeira e melhora na percepção de risco por parte dos investidores.
Na ponta negativa, a Embraer (EMBJ3) liderou as perdas do dia, mesmo após divulgar um novo recorde em sua carteira de pedidos firmes. O movimento foi interpretado como uma realização de lucros após a sequência recente de fortes valorizações.

Exterior sem atrapalhar o rali local

No exterior, os mercados tiveram desempenho misto. Nos Estados Unidos, o Federal Reserve manteve os juros na faixa entre 3,50% e 3,75% ao ano, interrompendo oficialmente o ciclo de cortes iniciado no ano passado. 
A decisão, embora amplamente esperada, voltou a expor divisões internas no comitê, com dois dirigentes votando por um corte adicional.
Na Europa, os principais índices fecharam em queda, pressionados por cautela antes de novos dados econômicos.
📈 Já na Ásia, o tom foi positivo, com destaque para Hong Kong, impulsionado por expectativas de estímulos e especulações sobre intervenção cambial no Japão.