Dólar cai para R$ 5, mas ainda pode chegar em R$ 4,50, dizem economistas

Moeda norte-americana alcançou menor cotação em dois anos; economista cita preço justo no horizonte.

Publicado em 10/04/2026 às 16:30h Publicado em 10/04/2026 às 16:30h por Wesley Santana
Dólar é a moeda mais negociada do mundo (Imagem: Shutterstuck)
Dólar é a moeda mais negociada do mundo (Imagem: Shutterstuck)

O real brasileiro ganhou terreno na comparação com a moeda mais importante do mundo. Nesta sexta-feira (10), o dólar dos Estados Unidos alcançou sua menor cotação em mais de dois anos.

Durante todo o dia, a divisa era negociada à vista abaixo de R$ 5,05, mas, em alguns momentos, chegou a cravar os R$ 5, conforme dados do Banco Central. O valor representa uma queda de quase 1% em relação ao pregão da última quinta (10).

O movimento acontece como fruto das negociações da guerra no Irã, que fazem com que os mercados ao redor do mundo se acomodem. Com o cessar-fogo, os investidores calculam um ambiente de menor risco, o que os fazem voltar a apostar em ativos alternativos ao dólar, ouro e outros considerados portos seguros para as carteiras de investimentos.

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No entanto, outro aspecto que reflete essa queda é a própria perda de força do dólar em face ao seu protagonismo histórico. A moeda perdeu espaço para ativos de diversos países, incluindo outros emergentes latinos, como o peso mexicano (-16%) e até o novo sol peruano (-9%).

“Desde que Donald Trump assumiu, ele colocou em prática uma série de tarifas contra outros países, além de iniciar conflitos; os investidores começaram a ver uma deterioração marginal do excepcionalismo norte-americano e começaram a sair dos Estados Unidos e a buscar em outros mercados, o que fez com que o dólar se enfraquecesse e outras moedas passassem a se fortalecer”, explica Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, em entrevista ao InfoMoney.

Ainda não está claro até onde esse movimento de baixa pode durar, mas o ano tende a ser mais conturbado para o Brasil. Em cerca de seis meses, haverá eleições presidenciais, período que tende a mexer com os mercados.

Outro ponto de atenção é justamente o Oriente Médio e os desdobramentos da guerra atual ou de outros conflitos que podem surgir. No entanto, o Brasil tem sido considerado um país menos exposto a esses problemas, com exceção da dependência de alguns combustíveis importados, e até beneficiado em alguns momentos.

Pode chegar a R$ 4,50, diz economista

Já há quem olhe o horizonte e veja o dólar ainda mais baixo do que o valor atual. Em relatório recente, o economista Robin Brooks destacou que o real é uma das poucas moedas globais que podem se valorizar ainda mais frente ao seu par da América do Norte e garantir o que chamou de “preço justo”, que será R$ 4,50.

“A única vez em que o real brasileiro se aproximou do meu valor justo de R$ 4,50 foi nos meses seguintes à invasão da Ucrânia pela Rússia, que elevou os preços do petróleo em 40% e melhorou drasticamente os termos de troca. O real valorizou-se 20% em relação ao dólar. Isso vai acontecer novamente agora”, disse Brooks.