Dólar bate nova máxima e Ibovespa cai ao menor nível em quase 6 meses

O dólar atingiu R$ 6,09 e o Ibovespa fechou aos 123 mil pontos pela primeira vez desde junho.

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Publicado em 16/12/2024 às 18:20h - Atualizado 3 meses atrás Publicado em 16/12/2024 às 18:20h Atualizado 3 meses atrás por Marina Barbosa
Dólar subiu mesmo com intervenção do BC (Imagem: Shutterstock)
Dólar subiu mesmo com intervenção do BC (Imagem: Shutterstock)

O Ibovespa recuou ao menor nível em quase seis meses e o dólar bateu uma nova máxima histórica nesta segunda-feira (16), diante da piora da percepção de risco fiscal.

📉 O principal índice da B3 tombou 0,84% e, com isso, perdeu mais de mil pontos. Fechou aos 123.560 pontos. É a primeira vez desde o final de junho que o Ibovespa fecha no patamar dos 123 mil pontos.

Já o dólar disparou 1,04% e terminou o dia cotado a R$ 6,09. É o maior valor de fechamento da história.

💵 O dólar bateu um novo recorde mesmo com o BC (Banco Central) intervindo no mercado de câmbio para tentar conter a escalada da moeda. 

O Banco Central injetou US$ 4,6 bilhões no mercado nesta segunda-feira (16), por meio de leilões de linha e da venda de dólares à vista. A intervenção, no entanto, não foi suficiente para fazer com que o dólar ficasse longe da máxima do dia.

Diretor de investimentos da Nomos, Beto Saadia explicou que há um aumento natural na demanda por dólar nesta época do ano, já que muitas empresas precisam liquidar contratos ou repatriar lucros ao exterior antes do fechamento do ano fiscal. Além disso, o dólar segue pressionado pela situação fiscal.

Na sua primeira reunião após a alta médica, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez um apelo para que o pacote fiscal não seja desidratado. Além disso, indicou ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que está disposto a negociar o assunto com os líderes partidários do Congresso Nacional.

Ainda assim, o mercado segue olhando com cautela para as medidas apresentadas pelo governo com o intuito de reforçar o arcabouço fiscal.

"Estamos acompanhando a tramitação do pacote fiscal em Brasília, mas a aprovação integral parece improvável no momento. O que se espera é a aprovação apenas do reajuste do salário mínimo, enquanto outros pontos, como abono salarial e mudanças no BPC, devem ser discutidos no início do próximo ano", disse Beto Saadia, por exemplo.

Diante dessas incertezas e do choque fiscal prometido pelo Copom (Comitê de Política Monetária) na semana passada, o mercado voltou a elevar as expectativas para a inflação e a taxa Selic. Segundo o Boletim Focus, os analistas agora acreditam que os juros podem chegar a 14% em 2025.

EUA

Já nos Estados Unidos, as bolsas fecharam mistas, diante da expectativa por mais uma decisão de juros do Fed (Federal Reserve) e do otimismo com o setor de tecnologia. Veja o fechamento:

  • Dow Jones: -0,25%;
  • S&P 500: 0,38%;
  • Nasdaq: 1,24%.

Baixas

A Petrobras (PETR4), a Vale (VALE3) e os bancos também não ajudaram o Ibovespa nesta segunda-feira (16).

A Petrobras recuou 0,42% e a Vale cedeu 0,05%, após um dia de instabilidade. Já os grandes bancos caíram em bloco. Destaque para o Bradesco (BBDC4), que perdeu 1,65%.

Os varejistas também sentiram a alta dos juros futuros. O Assaí (ASAI3), por exemplo, afundou 6,09% e o Magazine Luiza (MGLU3), -5,37%.

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Altas

Por outro lado, o GPA (PCAR3) disparou 15,61% depois que a Reag Investimentos, ligada a Nelson Tanure, ampliou a participação na empresa.

Já a Kora Saúde (KRSA3) avançou 12,50% depois que os seus controladores retomaram o plano de fechar o capital da empresa, por meio do lançamento de uma OPA (Oferta Pública de Aquisição).

Ainda vale destacar o desempenho da Automob (AMOB3), que decolou 180% na sua estreia na B3. O grupo de concessionárias entrou na bolsa depois da reorganização societária da Vamos (VAMO3), que por sua vez, recuou 11,61% nesta segunda-feira (16).

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