Crise da água pressiona Sabesp, mas risco já está precificado, diz JP Morgan

Relatório eleva preço-alvo e destaca regulação, infraestrutura e gestão de perdas

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Publicado em 19/01/2026 às 15:40h - Atualizado 11 horas atrás Publicado em 19/01/2026 às 15:40h Atualizado 11 horas atrás por Wesley Santana
Sabesp era uma estatal do governo de SP, mas foi privatizada (Imagem: Shutterstock)
Sabesp era uma estatal do governo de SP, mas foi privatizada (Imagem: Shutterstock)

O estado de São Paulo passa por uma das piores crises hídricas de sua história, com os reservatórios nos limites mínimos da capacidade. Mesmo assim, alguns bancos de investimentos não enxergam que isso seja um problema para as ações da Sabesp (SBSP3), que é a responsável pelo abastecimento da capital e da região metropolitana.

Nesta segunda-feira (19), o JP Morgan publicou um relatório destacando suas projeções para a companhia, no qual os analistas disseram que a queda do nível dos reservatórios já está precificada no preço das ações da companhia, que acumulam baixa de 7% desde o começo do ano.

Por isso, o banco norte-americano manteve a recomendação de compra para os papéis, com preço alvo de R$ 160. Isso representa um potencial de valorização de até 30% em relação ao preço em que a companhia opera no pregão de hoje.

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“Não ignoramos os riscos, mas acreditamos que a recente queda já precifica um cenário pessimista em que: a entrada de água fique abaixo de 50% da média histórica (versus os atuais 50–60% no Cantareira e acima de 80% nos demais reservatórios); e os impactos não sejam compensados nas revisões tarifárias”, diz o documento.

Para eles, a queda recente nos papéis está atrelada a uma vazão de água inferior a 50% da média.

Para fazer essa projeção, além da situação dos reservatórios, outros pontos foram citados pela equipe de research: regulação, infraestrutura hídrica e gestão de perdas. A união destes três fatores mostra que há limitação na queda no preço das ações.

“Para contextualizar, assumindo compensação financeira zero (desconsiderando a regulamentação atual), estimamos um impacto de R$ 2,7 bilhões caso os volumes caiam 4% em relação ao ano anterior e os custos unitários de eletricidade/materiais aumentem 10% em relação ao ano anterior, similar à crise hídrica de 2014”, dizem os analistas.

Se comparado o acumulado dos últimos 12 meses, a alta no valor de mercado da Sabesp acompanha o movimento do Ibovespa (IBOV). O avanço é positivo em mais de 30%, uma notícia bastante relevante para quem aproveitou a privatização da ex-estatal paulista.

A empresa se consolidou como um dos principais ativos da bolsa brasileira, com um valor de mercado de R$ 87 bilhões.

E a crise hídrica, como está?

Na tarde desta segunda, o Sistema Cantareira opera com cerca de 20% da sua capacidade, conforme dados disponíveis no Portal dos Mananciais. Por isso, hoje a vazão de água nos reservatórios é de 23 metros cúbicos por segundo, abaixo dos 31 metros cúbicos que são liberados em tempos normais.

A situação se complica porque, mesmo com a quantidade de chuva que vem caindo em SP, os reservatórios não voltam a níveis normais.

“O que está no reservatório não é o que vai acontecer hoje. É algo histórico, isso acumula. Não é o que cai em São Paulo. Precisa cair nas áreas de captação para chegar no reservatório. E, como a chuva está acontecendo de maneira muito irregular, não necessariamente está chovendo o suficiente naquelas áreas”, diz Adriana Cuartas, hidróloga e pesquisadora do Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais), em entrevista à Agência Brasil.

De acordo com as projeções do acordo, na atual situação, mesmo que as chuvas que atinjam os reservatórios nos próximos dias sejam acima da média histórica, o nível ainda seria precário. Isso porque subiria para 40%, o que ainda é pouco para atravessar os próximos seis meses, que são de estação seca.

Por isso, o órgão entende que o estado já deveria ter começado a fazer racionamento de água, conforme indicação publicada no fim do ano passado.