Correios cortam dívidas, planejam venda de imóveis e demitem até mil funcionários

Segundo o Estadão, os Correios renegociaram 98,2% das dívidas com fornecedores desde janeiro e acumularam economia de R$ 321 milhões.

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Publicado em 13/03/2026 às 19:08h - Atualizado 2 minutos atrás Publicado em 13/03/2026 às 19:08h Atualizado 2 minutos atrás por Matheus Silva
A estatal implementou PDV com meta de desligar até dez mil funcionários (Imagem: Shutterstock)
A estatal implementou PDV com meta de desligar até dez mil funcionários (Imagem: Shutterstock)
🚨 A cúpula dos Correios avaliou os primeiros resultados do plano de reestruturação da estatal, com cumprimento das metas de receita e despesa.
De janeiro até esta sexta-feira (13), a empresa economizou R$ 321 milhões com a renegociação de 98,2% das dívidas com fornecedores e prestadores de serviços, segundo o Estadão Conteúdo.
Pelos acordos firmados, os credores abriram mão de multas e juros para receber os valores, com parte dos pagamentos parcelada de forma nominal, sem correções.
A negociação foi viabilizada pelo empréstimo de R$ 12 bilhões obtido pelos Correios junto a um consórcio de bancos com garantia da União, firmado no fim de 2025. Apesar dos avanços, a expectativa interna ainda é de prejuízo expressivo em 2026, com reversão prevista apenas para 2027.

Precatórios, impostos e venda de imóveis reforçam o caixa

Para ampliar a liquidez, os Correios também conseguiram parcelar R$ 1,2 bilhão em pagamentos de precatórios e impostos. Os valores ainda precisarão ser quitados, mas o espalhamento no tempo alivia o caixa da companhia no curto prazo.
Ainda este mês, a estatal planeja ofertar em leilão cerca de R$ 600 milhões em prédios de sua propriedade, especialmente em cidades médias e grandes. A expectativa é de que entre 20% e 40% da oferta seja vendida, totalizando até R$ 120 milhões.
O plano de reestruturação prevê, ao todo, a venda de R$ 1,5 bilhão em imóveis da empresa.

PDV já desligou 500 funcionários e deve alcançar mil até segunda

A estatal implementou PDV (Plano de Demissão Voluntária) com meta de desligar até dez mil funcionários. Até o momento, 500 já deixaram a empresa, e outros mil devem ser desligados até a próxima segunda-feira (16).
A expectativa é que a meta total seja atingida ao longo de 2026, à medida que o fechamento de pontos físicos também estimule os desligamentos. Dos mil pontos previstos para encerramento, 127 já foram fechados.

Plano de saúde e metas operacionais sustentam a recuperação

Apenas com a revisão do Postal Saúde, plano de saúde dos empregados, os Correios economizaram cerca de R$ 70 milhões em janeiro. A expectativa é de que a economia total com o benefício fique entre R$ 500 milhões e R$ 700 milhões em 2026.
Números internos obtidos pelo Estadão Conteúdo mostram que o índice de entregas no prazo prometido saltou de 65% para 91% já no início de 2026. A meta considerada ideal para elevar as receitas da empresa é de 97%.
Para potencializar a qualidade do serviço, a estatal realizou processo seletivo para superintendentes e impôs metas de economia para as unidades regionais que somam R$ 1 bilhão ao ano.
A empresa estuda formas de recompensar os funcionários pelo cumprimento das metas, mas a falta de caixa dificulta o pagamento de incentivos financeiros nos moldes adotados por outras corporações. Por enquanto, o atingimento dos objetivos acelera a progressão de carreira dos trabalhadores.

Três frentes políticas complicam a reestruturação

A direção dos Correios avalia, nos bastidores, que há três dimensões políticas a equilibrar: a do governo, a dos trabalhadores e a da sociedade.
Enquanto a estatal conta com apoio do Executivo, enfrenta dificuldades em convencer seus funcionários de que a reestruturação é um processo doloroso, mas necessário para a recuperação da empresa.
📊 A estatal tenta se reerguer após a maior crise de sua história, que resultou em prejuízo de R$ 6,057 bilhões entre janeiro e setembro do ano passado. Para 2026, o governo estima um déficit primário de R$ 9,101 bilhões.