Boa Safra (SOJA1) quer acelerar expansão, com novas sementes e aquisições

Em entrevista ao Investidor10, o CEO Marino Colpo contou como a empresa pretende investir os R$ 300 milhões captados no follow-on.

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Publicado em 04/05/2024 às 10:14h - Atualizado 1 mês atrás Publicado em 04/05/2024 às 10:14h Atualizado 1 mês atrás por Marina Barbosa
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A Boa Safra (SOJA1) é líder na produção de sementes de soja no Brasil, mas quer mais. A companhia pretende ampliar o market share no segmento e intensificar a venda de outras culturas agrícolas, como milho, feijão e sorgo. 

🌱 Segundo o CEO da Boa Safra, Marino Colpo, há potencial para ser uma empresa “meio a meio”. Ou seja, com metade das operações focadas em soja e metade nas outras culturas. E é com isso em mente que a companhia vai investir os R$ 300 milhões captados recentemente na bolsa.

Três anos depois do IPO, a Boa Safra voltou à B3 no último dia 22 de abril para captar de R$ 200 milhões a R$ 400 milhões em uma oferta subsequente de ações (follow-on). Saiu de lá com R$ 300 milhões no bolso, mesmo diante do estresse que tomou conta dos mercados em abril e das adversidades enfrentadas pelo agronegócio neste ano.

Para o cofundador e CEO da Boa Safra, Marino Colpo, o retorno positivo do follow-on reflete os resultados apresentados pela empresa desde o IPO. As ações da companhia subiram mais de 13% desde a estreia na bolsa. Já o faturamento e o lucro da companhia triplicaram. 

💰 Em 2023, a Boa Safra teve uma receita líquida recorde de R$ 2 bilhões e um lucro líquido ajustado de R$ 245 milhões, 45% maior que o de 2022. Além disso, a companhia tem o melhor ROE (retorno sobre o patrimônio líquido) das empresas do agronegócio da B3, um ROE de 35,07%, segundo dados do Investidor10

“No IPO, captamos R$ 459,9 milhões para investir. Até o momento, já investimos R$ 616 milhões e pagamos R$ 130 milhões em dividendos. Agora, fizemos o follow-on para continuar e acelerar essa trajetória”, afirma Marino Colpo, em entrevista ao Investidor10.

“Nova avenida de crescimento”

Segundo o CEO da Boa Safra, a empresa tem um fluxo de caixa líquido e não precisaria do follow-on para manter os investimentos em soja. Contudo, decidiu realizar a oferta porque vê boas oportunidades de crescimento em outras cinco culturas agrícolas: milho, feijão, trigo, sorgo e forrageira.

“Estamos abrindo uma nova avenida de crescimento. Essas culturas representaram 2% da receita da Boa Safra em 2022 e 6% em 2023. Isso triplicou em um ano. Em 2030, teria potencial de ser uma empresa meio a meio”, projeta Marino Colpo.

Ele explica que o mercado de sementes movimenta cerca de R$ 60 bilhões no Brasil por ano, sendo R$ 27 bilhões de soja e R$ 33 bilhões das outras culturas. “Juntas, as outras culturas são maiores do que a soja. Então, tem mercado e potencial para crescer até mais rápido do que cresceu na soja”, acredita o executivo.

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Fundada em 2009, a Boa Safra tem 8,5% de market share na produção e venda de sementes de soja e entrou no mercado de milho em 2022, por meio da compra de uma participação majoritária na Bestway Seeds. 

Marino Colpo diz que as sementes de milho “já estão virando um foco do negócio” e afirma que o produto é uma prioridade no atual plano de crescimento da empresa, já que é a segunda cultura mais representativa do Brasil, atrás apenas da soja. 

“Pelo tamanho, é uma prioridade. E é uma cultura que cresce muito, dada a nova era de biocombustíveis, com etanol de milho. A força do etanol vai abrir espaço para o crescimento da venda de sementes de milho”, projeta o executivo.

Aquisições à vista

A Boa Safra não descarta fazer outras aquisições para acelerar o seu plano de crescimento. Além da compra de 2/3 da Bestway Seed em 2022, a companhia adquiriu 45% da DaSoja em 2023 e Marino Colpo considera a possibilidade de manter o ritmo de uma aquisição por ano“Temos olhado muito as opções de M&A (fusões e aquisições). Agora, tudo depende de preço”, afirma

Ele disse, contudo, que o momento atual, de baixa dos preços das commodities pode contribuir com esse plano, já que tem pressionado outras empresas do setor. “Na visão da Boa Safra, é uma baixa de curto prazo e uma oportunidade para fazer aquisições e investir com um valor mais baixo para o próximo boom”, avalia.

Sem descuidar da soja

Apesar de mirar novas culturas, a Boa Safra segue focada no seu negócio principal, as sementes de soja. Por isso, também tem investido em tecnologia e novos centros de distribuição, além de ampliar a presença no Sul do Brasil.

A companhia considera que oferecer uma entrega rápida das sementes é fundamental para osucesso do negócio. Logo, quer estar perto dos clientes finais. Para isso, tem três CDs (Centros de Distribuição), deu início à construção de outros dois em abril e “quer continuar acelerando nos CDs para chegar ao Brasil inteiro”.

O CEO disse que a Boa Safra terá uma cobertura adequada do Mato Grosso com os dois novos CDs, que devem entrar em operação em meados do ano. Contudo, ainda vê espaço para crescer no Nordeste e, sobretudo, no Sul do Brasil. A companhia ainda pretende ter uma planta no Sul. Além disso, tem feito testes de laboratório para melhorar a qualidade das sementes de soja. 

Com 8,5% de market share, a companhia já indicou anteriormente que mira uma participação de 15% no mercado. Marino Colpo não confirma guidances, mas garante que há espaço para crescer e cita como exemplo o caso dos Estados Unidos, onde o líder do mercado de sementes tem uma participação de 37%. 

Dividendos

Diante dessas diversas fontes de trabalho, Marino Colpo garante aos investidores que “não vai deixar o dinheiro do follow-on parado”. “Vamos manter a estratégia de sempre, de investir de forma diligente e crescer. Até porque, tem espaço para termos um market share maior”, declara.

O CEO disse ainda que a companhia não deve mudar sua política de dividendos. Embora esteja focada em crescer e investir, a Boa Safra tem feito distribuições anuais e não deve interromper os pagamentos diante do novo plano de investimentos.

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