ROE o que é e como calcular o Retorno Sobre Patrimônio Líquido?

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Publicado em 28/03/2020 às 15:34h Publicado em 28/03/2020 às 15:34h por Louise Daud
Saiba o que é o ROE como calcular o Retorno Sobre Patrimônio Líquido (Imagem: Shutterstock/Canva))
Saiba o que é o ROE como calcular o Retorno Sobre Patrimônio Líquido (Imagem: Shutterstock/Canva))

O ROE (Return on Equity) é um indicador fundamentalista que mede o Retorno sobre o Patrimônio Líquido de uma empresa. Seu objetivo é avaliar a capacidade que a companhia tem de gerar lucro utilizando os recursos próprios e o capital investido pelos acionistas. Em outras palavras, o ROE mostra a eficiência da empresa na geração de resultados a partir do seu próprio patrimônio. O ROE indica quanto a empresa gera de lucro para cada R$ 1 de patrimônio líquido.

Exemplo simples: Se o ROE é 20%, significa que cada R$ 100 de patrimônio gerou R$ 20 de lucro no ano.

Como funciona o ROE?

O ROE funciona de forma simples, expressando, em percentual, o retorno que a empresa obteve sobre seu patrimônio líquido.

O cálculo parte de dois elementos principais.

  1. O lucro líquido: representa o resultado final da empresa após a dedução de todos os custos, despesas, juros e impostos ao longo do período. 

  2. Patrimônio líquido: corresponde ao capital próprio da companhia, o que sobra depois de subtrair todas as dívidas dos ativos totais.

Ao dividir o lucro líquido pelo patrimônio líquido, descobrimos o quanto a empresa rendeu sobre o dinheiro dos sócios. 

Por exemplo, se uma empresa possui R$ 1 bilhão em patrimônio líquido e gera R$ 150 milhões de lucro no ano, seu ROE será de 15%. Isso significa que, para cada R$ 100 investidos pelos acionistas, a empresa gerou R$ 15 de lucro no período.

A fórmula é:

ROE = (Lucro Líquido ÷ Patrimônio Líquido) × 100

É importante destacar que o ROE deve sempre ser analisado junto com o nível de endividamento.

Qual é o valor ideal do ROE?

Quando o ROE é elevado, significa que a empresa está gerando mais lucro para cada real investido pelos acionistas. De forma geral, o mercado costuma interpretar da seguinte maneira:

  • Abaixo de 8%: geralmente é visto como fraco pelo mercado, podendo indicar baixa eficiência ou retorno inferior ao custo de capital.

  • Entre 9% e 15%: considerado saudável na maioria dos setores, sinalizando boa capacidade de geração de valor.

  • Acima de 15% de forma consistente: indica empresa eficiente e potencial criadora de valor no longo prazo.

  • Acima de 20% recorrente: costuma colocar a empresa no grupo de alta qualidade, desde que não seja resultado de endividamento excessivo.

Mas existe um ponto importante: não é uma regra universal. O que é “bom ROE” depende muito do setor. O mercado observa se o ROE supera o custo de capital próprio (Ke), se é sustentável ao longo do tempo e se vem de eficiência operacional, e não apenas de alavancagem financeira.

Por exemplo, bancos costumam ter ROE estruturalmente mais alto, enquanto empresas de utilities tendem a ter ROE mais estável e moderado e empresas de crescimento podem ter ROE menor no início devido à reinversão intensa.

O ROE ideal: como saber se o ROE de uma empresa é bom?

Não existe um número mágico que determine o ROE ideal. O que é considerado bom varia de acordo com o setor e o momento econômico. 

De forma geral, o mercado costuma considerar um ROE acima de 15% como positivo, especialmente quando é consistente ao longo dos anos. 

No entanto, mais importante do que o número isolado é analisar três fatores principais: se o ROE é sustentável no tempo, se está acima da média das empresas do mesmo setor e se supera o custo de capital próprio.

Além disso, é fundamental verificar se o indicador não está sendo inflado por endividamento elevado ou por lucros não recorrentes. Um ROE verdadeiramente “bom” é aquele que combina rentabilidade, consistência e estrutura financeira saudável.

Quanto maior o ROE, melhor?

Em geral, quanto maior o ROE, melhor. Isso indica que a empresa está conseguindo gerar mais lucro para cada real investido pelos acionistas. 

Um ROE elevado costuma sinalizar eficiência operacional, boa gestão e potencial de geração de valor.

No entanto, um ROE muito alto pode ser resultado de alto nível de endividamento, o que reduz o patrimônio líquido e eleva o indicador artificialmente. 

Por isso, é fundamental analisar a estrutura de capital da empresa antes de concluir que um ROE elevado é necessariamente positivo.

Como calcular o ROE?

Para calcular o ROE entenda o passo a passo (Imagem: Shutterstock/Canva)

Para calcular o ROE, o primeiro passo é identificar o lucro líquido da empresa no período analisado. Em seguida, é necessário encontrar o valor do patrimônio líquido, que corresponde à diferença entre ativos e passivos no balanço patrimonial.

Por exemplo:

Lucro Líquido da CSAN3 (últimos 12 meses): R$ 2,42 bilhões
Patrimônio Líquido da CSAN3: R$ 10,55 bilhões

Aplicando a fórmula:

ROE = (2,42 ÷ 10,55) × 100
ROE = 0,23 × 100
ROE = 23%

Isso significa que a empresa gerou um retorno de 23% sobre o patrimônio líquido no período analisado.

Como interpretar o ROE?

O ROE influencia diretamente múltiplos como:

  • P/L (Preço/Lucro)

  • P/VPA (Preço/Valor Patrimonial)

Empresas com ROE alto e sustentável tendem a negociar com prêmio, pois o mercado antecipa maior capacidade de crescimento e geração de dividendos.

No entanto, o ROE deve ser analisado junto com:

  • ROA (retorno sobre ativos)

  • Margem líquida

  • Dívida Líquida/EBITDA

  • Fluxo de Caixa Livre

  • Payout

O cálculo mais preciso do ROE utiliza o patrimônio líquido médio, evitando distorções quando há variações relevantes no capital ao longo do ano. Além disso, o ROE está diretamente ligado ao crescimento sustentável da empresa por meio da fórmula g = ROE × (1 − payout), base do Modelo de Gordon. 

Isso mostra que quanto maior o ROE e maior a parcela do lucro reinvestida, maior tende a ser o potencial de crescimento e de expansão dos dividendos no longo prazo.

Pela Análise DuPont, o ROE pode ser decomposto em margem líquida, giro dos ativos e alavancagem financeira, permitindo identificar se o retorno vem de eficiência operacional ou de endividamento. 

Do ponto de vista econômico, o ROE só gera valor quando supera o custo de capital próprio (Ke). Por isso, o indicador está diretamente conectado ao valuation, ao crescimento sustentável e à capacidade da empresa de manter dividendos consistentes sem comprometer sua estrutura financeira.

Essa visão integrada evita erros de interpretação e permite avaliar rentabilidade, risco, crescimento e precificação de forma estruturada.

Se o ROE for negativo?

Se o ROE for negativo, significa que a empresa teve prejuízo no período, ou seja, gastou mais do que ganhou. 

Nessa situação, o investidor deve investigar o motivo do prejuízo e analisar outros pontos, como se a empresa está gerando caixa, se tem muitas dívidas e métricas como EV/Receita, que compara o valor total da empresa com sua receita e é útil quando a companhia ainda não tem lucro.

O prejuízo pode ter sido algo pontual, causado por um evento específico ou por um momento econômico difícil. Porém, se isso acontecer repetidamente, pode indicar problemas mais profundos no negócio.

Diferença entre ROE e ROA

A principal diferença entre ROE e ROA está na base de cálculo:

  • O ROE mede o retorno sobre o patrimônio líquido, ou seja, apenas sobre os recursos próprios dos acionistas.

  • Já o ROA (Return on Assets) mede o retorno sobre os ativos totais da empresa, considerando todos os recursos, inclusive capital de terceiros.

Enquanto o ROE foca na rentabilidade do capital próprio, o ROA avalia a eficiência da empresa na utilização de todos os seus ativos para gerar lucro.

Vantagens e desvantagens do ROE

Entre as principais vantagens do ROE estão a simplicidade de cálculo, a facilidade de comparação entre empresas do mesmo setor e a capacidade de indicar eficiência na utilização do capital próprio.

Por outro lado, suas limitações incluem a possibilidade de distorções causadas por alto endividamento e a necessidade de análise complementar com outros indicadores.

Quando usado de forma estratégica e contextualizada, o ROE se torna uma ferramenta poderosa dentro da análise fundamentalista.

Conclusão: o ROE e a capacidade de lucro da empresa

O ROE é um dos principais indicadores para avaliar a capacidade de uma empresa gerar lucro com o capital próprio dos acionistas.

Ele permite medir a eficiência na utilização dos recursos investidos e identificar se a companhia consegue transformar patrimônio em resultado de forma consistente.

Para o investidor, o ROE deve ser analisado com contexto. É fundamental observar sua estabilidade ao longo dos anos, compará-lo com empresas do mesmo setor e verificar se supera o custo de capital próprio sem depender de endividamento excessivo. 

Quando elevado e sustentável, o ROE tende a indicar empresas com maior potencial de crescimento, geração de dividendos e criação de valor no longo prazo.

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