Novo Mercado: entenda o que é e quais as empresas da B3

Author
Publicado em 06/03/2026 às 12:16h - Atualizado 12 minutos atrás Publicado em 06/03/2026 às 12:16h Atualizado 12 minutos atrás por Carlos Filadelpho
Entenda o que é Novo Mercado - Imagem: Shutterstock
Entenda o que é Novo Mercado - Imagem: Shutterstock

Novo Mercado é o segmento de listagem da B3 que reúne empresas que se comprometem com um “pacote” mais robusto de governança corporativa, transparência e proteção ao acionista minoritário. 

Na prática, é como se a companhia dissesse ao mercado: “vou jogar com regras mais rígidas do que o mínimo exigido na legislação, porque quero atrair capital, reduzir desconfianças e construir reputação no longo prazo”.

Isso não significa que uma empresa do Novo Mercado seja automaticamente “boa” ou “barata” para investir. Significa, sim, que ela adota um conjunto de padrões que tende a reduzir algumas assimetrias clássicas do mercado brasileiro, dentre elas: 

  • Conflitos entre controladores e minoritários;
  • Qualidade de divulgação de informações;
  • Previsibilidade de regras internas.

Para o investidor, entender o Novo Mercado é útil por três motivos bem objetivos:

  • Ajuda a filtrar empresas com um nível de governança mais exigente;
  • Melhora a leitura de risco, principalmente em cenários de crise;
  • Dá contexto para comparar companhias de setores parecidos, mas com “grades de governança” diferentes. 

A seguir, vamos destrinchar o que caracteriza esse segmento, por que ele é tão valorizado e como usar essa informação na sua análise.

O que muda quando uma empresa está no Novo Mercado?

Quando uma companhia entra no Novo Mercado, ela assume compromissos que vão além do básico. O ponto mais conhecido (e mais fácil de entender) é que as empresas do Novo Mercado, em regra, negociam apenas ações ordinárias (ON), que são as ações com direito a voto. 

Isso é relevante porque elimina a “separação” clássica entre quem manda (votantes) e quem recebe dividendos (não votantes), algo que pode acontecer com ações preferenciais em outros segmentos. 

Para o investidor pessoa física, isso costuma gerar uma sensação de maior alinhamento: se todo mundo tem o mesmo tipo de ação, o controlador não consegue “empurrar” certas decisões sem que os minoritários tenham pelo menos instrumentos melhores de proteção.

Mas o Novo Mercado não se resume ao tipo de ação. O segmento pressupõe um padrão de transparência e controles que costuma envolver:

  • Mais disciplina de divulgação;
  • Melhores práticas de conselho;
  • Comitês e ritos que “obrigam” a empresa a ser mais organizada. 

Na prática, isso aparece no dia a dia do investidor de várias formas: 

  • Comunicados mais claros;
  • Prestação de contas mais consistente;
  • Políticas internas mais públicas;
  • Previsibilidade maior sobre eventos corporativos relevantes.

Outro conceito que ganha peso no Novo Mercado é a ideia de equidade: a empresa precisa tratar o acionista minoritário com um nível mais alto de respeito às regras do jogo, especialmente em mudanças que envolvem controle, reorganizações e decisões que afetem o valor do investimento. 

Na prática, isso não impede erros de gestão, nem blinda contra crises do setor, mas ajuda a reduzir riscos de “surpresas” desagradáveis.

E por que isso importa? Porque, no fim do dia, a governança é uma forma de reduzir o “desconto de risco” que o mercado cobra. 

Empresas com governança mais frágil, mesmo lucrativas, podem sofrer com um custo de capital mais alto. Já empresas com governança forte tendem a acessar capital com mais facilidade, atrair investidores institucionais e construir uma base acionária mais estável, o que pode influenciar liquidez e valuation.

Por que o Novo Mercado é valorizado por investidores?

Por que o Novo Mercado é valorizado por investidores - Imagem: Shutterstock

O Novo Mercado é valorizado porque a governança corporativa representa uma camada extra de segurança. E segurança, no mercado, tem preço. 

Quando a empresa se compromete com regras mais rígidas, ela está sinalizando que aceita ser mais cobrada e mais auditável, o que por sua vez, costuma reduzir incertezas sobre números, decisões e conflitos de interesse.

Para o investidor, isso aparece em situações muito concretas. Em momentos de estresse (crises macro, aperto monetário, queda forte do setor), empresas com governança mais sólida tendem a lidar melhor com cobranças do mercado, com renegociações e com comunicação. 

Não é “mágica”: o lucro pode cair, a ação pode cair, mas o investidor consegue entender melhor o que está acontecendo e quais são as decisões que estão sendo tomadas.

Outra razão para essa valorização é a mudança no perfil do dinheiro que entra na bolsa: Muitos investidores profissionais, especialmente fundos, grandes gestores e alguns investidores estrangeiros, possuem mandatos que priorizam a governança.

Na prática, isso não significa que eles só compram empresas do Novo Mercado, mas significa que estar nesse segmento pode reduzir barreiras de entrada para certos tipos de capital.

Além disso, existe um efeito reputacional: O Novo Mercado ajuda a empresa a contar uma história de maturidade. 

Em um país onde a bolsa já viveu ciclos de baixa confiança e casos conhecidos de problemas de governança, adotar regras mais rígidas vira um diferencial competitivo. 

Quais são as regras e vantagens do Novo Mercado?

Quais são as regras e vantagens do Novo Mercado - Imagem: Shutterstock

Em termos práticos, dá para pensar nas exigências do Novo Mercado como um conjunto de “travas ou vantagens” para reduzir assimetrias e abusos, dentre elas: 

  • Estrutura de capital baseada em ações ordinárias

A estrutura baseada apenas em ações ordinárias é um diferencial importante, pois garante direito a voto para todos os investidores.

  • Exigência de Tag along: 

A Tag Along é uma ferramenta de segurança que garante que os acionistas minoritários possuem o direito de vender suas ações pelo mesmo preço que o controlador, em caso de venda da empresa.

  • Estrutura de governança

O conselho de administração das empresas do Novo Mercado, possuem composição mais alinhada a boas práticas, incluindo presença de conselheiros independentes, e mecanismos internos que elevem o nível de fiscalização e conformidade.

  • Exigências ligadas a transparência: 

Empresas do segmento, precisam investir em prestação de contas, divulgação de informações relevantes ao mercado e ritos mais claros para eventos corporativos. 

  • Volume de ações em circulação: 

A empresa se compromete a manter, no mínimo, 25% das ações em circulação (free float);

Em resumo, o Novo Mercado aumenta o nível de compromisso público da companhia. E compromisso público vira cobrança. Isso, por si só, já muda o comportamento de empresas e executivos.

Quais são as empresas do Novo Mercado na B3?

Ao todo, existem mais de 200 empresas, de setores econômicos diversos, que estão dentro do segmento Novo Mercado. Na prática, esse número representa aproximadamente 25% das companhias listadas na bolsa hoje. 

No entanto, não podemos listar neste artigo as empresas que atualmente estão dentro da categoria Novo Mercado, pois essa lista não é fixa.

A carteira muda porque empresas entram e saem do segmento por motivos como IPOs, migração de nível de governança, reorganizações societárias, incorporações, fusões, fechamento de capital ou reestruturações de classe de ações. 

Sendo assim, o caminho para o investidor que deseja descobrir se uma empresa faz parte do Novo Mercado, é: a realização da consulta diretamente no site da B3.

A B3 mantém uma lista oficial e atualizada em seu site. 

No entanto, leve em consideração que a lista é útil como referência e filtro inicial, mas não deve substituir a análise de fundamentos. 

Uma empresa pode ter governança excelente e ainda assim estar cara, endividada, com margens sob pressão ou em um setor em declínio. Governança é uma camada de qualidade, não uma garantia de retorno.

Como usar o Novo Mercado na sua análise?

Se você quer transformar o Novo Mercado em ferramenta de decisão, pense nele como um filtro de risco e de processo, não como “selo de compra”. 

Um bom uso é comparar empresas similares do mesmo setor e perguntar: “Qual delas oferece melhor equilíbrio entre fundamentos e governança?”. 

Isso pode ser especialmente valioso em setores onde há muito investimento, aquisições e decisões estratégicas sensíveis (como tecnologia, varejo, educação, saúde, infraestrutura e indústria).

Aqui vai um roteiro prático que funciona bem para o investidor pessoa física:

  • Passo 1: Entenda como a empresa ganha dinheiro: Novo Mercado não conserta modelo de negócio fraco.

  • Passo 2: Avalie a qualidade do lucro e do caixa: DRE “bonita” com caixa ruim merece desconfiança em qualquer segmento.

  • Passo 3: Verifique governança na prática: Leia fatos relevantes, estrutura do conselho, políticas e postura em crises.

  • Passo 4: Compare valuation com pares: Muitas empresas do Novo Mercado carregam “prêmio de governança” — e você precisa decidir se faz sentido pagar esse prêmio.

  • Passo 5: Liquidez e free float importam: Uma empresa pode ser ótima, mas ter baixa liquidez e alta volatilidade em momentos ruins.

Esse roteiro é simples, mas evita um erro comum: comprar “governança” e esquecer “preço e fundamento”.

Novo Mercado x outros segmentos da B3: quando isso pesa mais na decisão?

O Novo Mercado costuma ser comparado com outros segmentos de listagem que têm níveis diferentes de exigência. 

A lógica é: quanto mais alto o nível de governança, maior a expectativa de proteção ao investidor e transparência. 

Só que existe um ponto sutil: empresa boa pode estar fora do Novo Mercado, e empresa ruim pode estar dentro. O que muda é a qualidade das regras do jogo, não o resultado do jogo.

Então, quando o Novo Mercado pesa mais?

  • Quando você é mais conservador e quer reduzir risco de governança na carteira de ações.

  • Quando a empresa tem controlador forte e você quer garantias mais claras de proteção ao minoritário.

  • Quando você investe pensando em longo prazo, e transparência/processo importam mais do que “narrativa”.

  • Quando o setor tende a ter muitas reestruturações e você precisa de regras mais robustas para eventos corporativos.

E quando pesa menos?

  • Quando a empresa é extremamente descontada por fundamentos e a tese é de reprecificação; nesse caso, governança é relevante, mas o motor da decisão pode ser outro.

  • Quando você investe via ETFs amplos e seu objetivo é exposição de mercado; aí o foco está na estratégia macro, não em segmento específico.

No fim, o uso mais inteligente do Novo Mercado é: reduzir um tipo de risco (governança) para você poder focar nos riscos que realmente quer correr (setor, ciclo econômico, crescimento, margem, execução).

Conclusão: vale a pena priorizar empresas do Novo Mercado?

O Novo Mercado é um excelente atalho para encontrar empresas que aceitam padrões mais elevados de governança, mas ele não é “selo de rentabilidade”. 

A melhor forma de usar esse conceito é como filtro inicial e como camada de proteção, principalmente se você quer construir uma carteira de ações com mais previsibilidade e menos surpresas desagradáveis.

Se você quer continuar aprendendo a avaliar empresas, comparar segmentos e entender o que realmente reduz risco (sem perder retorno), acompanhe os conteúdos do Investidor10 e use nossas ferramentas para analisar indicadores, histórico, múltiplos e qualidade dos negócios.

Clique aqui e cadastre-se!