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Vale (VALE3) entregou números acima do esperado no quarto trimestre de 2025 e encerrou o ano praticamente no teto de suas projeções operacionais.
Mesmo com os efeitos da sazonalidade do período chuvoso, a mineradora produziu 90,4 milhões de toneladas de minério de ferro entre outubro e dezembro, resultado 6% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior.
Na comparação com o terceiro trimestre, houve recuo de 4,2%, movimento considerado natural pelo mercado diante do impacto das chuvas no fim do ano.
Ainda assim, o desempenho ficou acima das estimativas mais conservadoras e em linha com as projeções mais otimistas dos analistas.
No acumulado de 2025, a produção totalizou 336,1 milhões de toneladas, crescimento de 2,6% em relação a 2024 e muito próxima do limite superior do guidance atualizado da companhia, reforçando a leitura de execução operacional consistente ao longo do ano.
O avanço na comparação anual foi impulsionado principalmente pelo melhor desempenho dos sistemas Sudeste e Sul, além do avanço operacional dos projetos Capanema e VGR1, que seguem em fase de ramp-up.
Já a desaceleração trimestral reflete o ritmo operacional mais fraco típico do período chuvoso, após um terceiro trimestre mais forte.
Vendas ficam acima das projeções mais conservadoras
As vendas de minério de ferro somaram 84,9 milhões de toneladas no quarto trimestre, alta de 4,5% na comparação anual e queda de 1,3% frente ao trimestre anterior. No ano, a Vale comercializou 314,4 milhões de toneladas, avanço de 2,5% sobre 2024.
Antes da divulgação, as estimativas de mercado variavam bastante. A Genial projetava volumes em torno de 76,2 milhões de toneladas, enquanto o Santander trabalhava com números próximos de 83,8 milhões de toneladas, considerando minério e pelotas.
O resultado final ficou acima das previsões mais cautelosas e praticamente em linha com o topo do intervalo esperado.
Preços ajudam a compensar volumes
Mesmo com a leve queda sequencial nos volumes, o ambiente de preços ajudou a sustentar o desempenho financeiro do trimestre.
O preço médio realizado dos finos ficou em US$ 95,4 por tonelada, alta de 2,6% em base anual e avanço de 1,1% frente ao terceiro trimestre.
O número ficou alinhado às estimativas dos analistas, que apontavam valores entre US$ 95 e US$ 96 por tonelada, refletindo maior estabilidade no mercado de minério de ferro no período.
Por outro lado, os prêmios seguiram pressionados. O prêmio all-in recuou para US$ 0,9 por tonelada, queda de 80% na comparação anual e de 57% frente ao trimestre anterior.
O movimento reflete a menor participação das pelotas no mix de vendas e um ambiente ainda desfavorável para esse produto específico.
Metais básicos reforçam desempenho operacional
Além do minério de ferro, a Vale apresentou números robustos nos metais básicos, com destaque para o cobre.
A produção do metal somou 108,1 mil toneladas no quarto trimestre, alta de 6,2% em base anual e avanço expressivo de 19,1% frente ao terceiro trimestre.
O resultado ficou acima das projeções de mercado, que variavam entre 98 mil e 101 mil toneladas, segundo estimativas de casas como Genial e Santander.
No acumulado do ano, a produção de cobre atingiu 382,4 mil toneladas, crescimento de 9,8% e acima do teto do guidance atualizado, que girava em torno de 370 mil toneladas.
As vendas acompanharam o avanço da produção e totalizaram 106,9 mil toneladas no trimestre.
O preço médio realizado chegou a US$ 11.003 por tonelada, alta de 19,8% na comparação anual e de 12,1% frente ao trimestre anterior, beneficiado pela forte valorização do cobre na LME e por menores descontos de tratamento e refino.
Níquel segue em linha com o esperado
No níquel, a produção alcançou 46,2 mil toneladas no quarto trimestre, crescimento de 1,5% em base anual e leve recuo de 1,3% frente ao trimestre anterior. O desempenho ficou próximo das projeções do mercado.
No acumulado de 2025, a produção somou 177,2 mil toneladas, alta de 10,8% em relação a 2024 e ligeiramente acima do teto do guidance, estimado em torno de 175 mil toneladas.
As vendas totalizaram 49,6 mil toneladas, refletindo a liberação de estoques no fim do ano. Já o preço médio realizado caiu para US$ 15.015 por tonelada, recuo de 7,1% na comparação anual, pressionado pelo excesso de oferta global, especialmente vindo da Indonésia.
Leitura geral do mercado
O conjunto dos números reforça a percepção de que a Vale encerrou 2025 com execução operacional sólida, entregando volumes próximos ao limite superior do guidance e superando expectativas em segmentos estratégicos, como o cobre.
📊 Mesmo com desafios pontuais nos prêmios e no níquel, o desempenho operacional tende a ser visto de forma positiva pelo mercado, sobretudo diante do ambiente mais favorável de preços no minério e nos metais básicos.