Selic fica em 15% de novo? Copom define o rumo dos juros nesta 4ª

A maior parte do mercado acredita que o Copom deixará para março o início do corte de juros.

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Publicado em 28/01/2026 às 07:10h - Atualizado Agora Publicado em 28/01/2026 às 07:10h Atualizado Agora por Marina Barbosa
Selic está em 15% ao ano desde junho de 2025 (Imagem: Shutterstock)
Selic está em 15% ao ano desde junho de 2025 (Imagem: Shutterstock)
A prévia da inflação subiu menos que o esperado em janeiro, levantando dúvidas sobre qual será a decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) nesta quarta-feira (28).
💲 Depois de algumas contas, no entanto, a expectativa do mercado ainda é de que a taxa Selic seja mantida em 15% mais uma vez, começando a cair apenas em março.
Alguns analistas dizem que a inflação caiu, mas ainda apresenta dados que inspiram cautela. Outros avaliam que já há espaço para a redução dos juros, mas acreditam que o ajuste ficará mesmo para março, por causa do tom duro do Copom.

Copom mantém cautela

🏦 O comitê mantém a Selic em 15% desde junho de 2025. E, na sua última reunião, em dezembro de 2025, não deu nenhum sinal de que pretende fazer alguma mudança nos juros neste início de ano.
O Copom argumenta que, apesar da recente melhora da inflação, as expectativas de inflação seguem acima da meta de 3%, a inflação de serviços ainda exibe certa pressão e o mercado de trabalho continua forte.

A avaliação do mercado

📊 Na avaliação do mercado, esse cenário não mudou muito desde então, mesmo depois que a prévia da inflação medida pelo IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15) subiu apenas 0,20% em janeiro.
Para a XP, a inflação de bens e alimentos mostrou-se comportada, mas a de serviços ainda é pressionada pelo mercado de trabalho forte. A casa diz, portanto, que o resultado do IPCA-15 apenas reforçou a percepção de que o corte de juros ficará para a próxima reunião do Copom.
Já a Monte Bravo acredita que o arrefecimento da atividade econômica, das expectativas de inflação e da própria inflação justificariam uma redução dos juros já nesta quarta-feira (28). Contudo, também não trabalha com essa possibilidade.
"A ausência de sinalização quanto à possibilidade de corte e a consolidação das expectativas em torno da manutenção da taxa nesse patamar reforçam o cenário de que o Copom não deverá contrariar o consenso. Além disso, há uma agenda de recuperação de credibilidade da autoridade monetária", explica.
Para a analista de macroeconomia da InvestSmart XP, Sara Paixão, o resultado do IPCA-15 não muda o cenário para os juros. Contudo, reforça a possibilidade de queda em março, sobretudo porque a inflação pode desacelerar ainda mais em fevereiro diante da decisão da Petrobras (PETR4) de cortar os preços da gasolina.

O que esperar da decisão e do comunicado do Copom?

🧾 Diante disso, o mercado espera que o Copom mantenha a Selic em 15% ao ano nesta quarta-feira (28), mas faça ajustes no seu comunicado para abrir espaço para o corte de juros em março. O recado, no entanto, pode não ser muito explícito, segundo alguns analistas.
A XP, por exemplo, espera que o Copom mantenha um tom duro, para evitar a percepção de que o corte de juros já está dado. Contudo, deixe alguma margem para o ajuste, ressaltando a ênfase na abordagem "dependente dos dados'".
O Santander também acredita que o Copom não fará grandes mudanças no seu comunicado, mas pode abrir caminho para um corte de juros, sem necessariamente se comprometer com isso. Ou seja, introduzindo uma "flexibilidade limitada para reuniões futuras, sem sinalizar explicitamente um ciclo de afrouxamento iminente".
O Bank of America, no entanto, vai na contramão e diz que o Copom deve cortar a Selic em 0,50 ponto percentual nesta quarta-feira (28), levando os juros para 14,50%.

O ritmo dos cortes

✂️ Mesmo entre os que só projetam o ajuste para março há certa divergência entre o ritmo do ciclo de corte de juros que se aproxima.
A Monte Bravo diz que, ao postergar o início desse ciclo para março, o Copom tende a adotar um ritmo mais forte de corte dos juros. Ou seja, começar já com uma redução de 0,50 ponto percentual dos juros, que levaria a Selic para 14,50%.
Já o Itaú BBA espera que o comitê ainda mantenha certa cautela, fazendo um corte inicial de 0,25 ponto percentual.
De toda forma, o consenso do mercado coletado pelo Boletim Focus é de que a Selic vai cair até 12,25% até o final de 2026 e chegará a 10,50% em 2027.