O raio-X cirúrgico sobre a realidade da renda variável brasileira foi revelado em carta anual da gestora Sharp Capital neste início de 2026. Além de só 15% das
ações brasileiras superarem o
IPCA+ 3% ao ano no período, apenas 6% das empresas de capital aberto bateram o rendimento de 20% ao ano desde 2010.
"Um número tão baixo é, muito possivelmente, consequência de um mercado pouco funcional, caracterizado por um custo de capital excessivamente elevado. Se 85% dos alunos reprovam, talvez o problema seja a prova. Ainda assim, mesmo neste ambiente infrutífero, algumas empresas prosperaram – e outras mais do que prosperaram", destaca a carta.
Os analistas da Sharp Capital argumentam que, para um investidor sócio de empresa ter, de fato, geração de valor, é preciso que o mesmo esteja por cima do que o
Tesouro IPCA+ é capaz de pagar. Logo, a renda variável no Brasil deveria superar a proteção do poder de compra acima da inflação presente no
Tesouro Direto, que, inclusive, oferece juro real de 7% ao ano neste início de 2026.
Por sua vez, três companhias não estatais já listadas no mercado brasileiro em 2010 se destacam pela combinação entre os retornos acumulados e o tamanho da riqueza gerada:
O que podemos aprender com as três empresas de capital aberto que mais se destacaram nos últimos 15 anos? O que elas têm em comum com outras grandes histórias, e como se diferenciam daquelas que deixaram a desejar? Eis que a gestora Sharp Capital tem uma análise ponderada.
MELI34, EQTL3 e WEGE3: por que são campeãs?
As histórias de Mercado Livre, Equatorial e WEG teriam sido muito distintas se três elementos não estivessem presentes em suas trajetórias: negócios de qualidade excepcional, execução operacional de excelência e alocação de capital exemplar. O primeiro é análogo ao talento, o segundo exige imenso esforço e o terceiro só se sedimenta com o tempo.
Chegando à bolsa de valores em 2006, a
EQTL3 atraiu o dinheiro de investidores para a compra de
distribuidoras elétricas que possivelmente seriam privatizadas nos anos seguintes. Passaram-se anos sem que tais oportunidades de fato se materializassem. A Equatorial, percebendo um conjunto de condições diferente do que havia imaginado, virou seu playbook do avesso: desinvestiu ao invés de investir e elevou substancialmente o seu payout.
Já a
WEGE3 aproveitou a última década para comprar uma série de fabricantes de transformadores. Poucos anos depois – talvez antes do que a própria WEG imaginava – a maré virou completamente: transformadores se tornaram um dos
produtos industriais mais desejados do mundo, com volumes fortes e margens nunca antes vistas.
"Em nossas estimativas, uma dessas adquiridas da WEG já entregou um lucro acumulado 10 vezes superior ao Valor de Firma (EV, na sigla em inglês) pago em 2017. Contraciclicidade é sempre desconfortável, mas pode ser muito rentável na alocação de capital", pondera a equipe da Sharp Capital.
O
MELI34 pode até ser uma empresa argentina, só que é no Brasil onde ocorre mais de 50% da geração de suas receitas. A maior varejista da América Latina chocou investidores em 2017 ao tomar uma decisão extremamente agressiva: zerar o lucro do negócio para oferecer frete grátis aos consumidores. A ação chegou a sofrer, mas hoje está quase 10 vezes acima daqueles níveis.
Renda Fixa ou Renda Variável no Brasil?
- 50% das empresas listadas na B3 superaram o IPCA desde 2010
- 42% das empresas listadas na B3 superaram o IVBX desde 2010
- 33% das empresas listadas na B3 superaram o CDI desde 2010
- 29% das empresas listadas na B3 superaram o Tesouro IPCA+, com vencimento acima de cinco anos (IMA-B5+) desde 2010
- 15% das das empresas listadas na B3 superaram o Tesouro IPCA+ com juro real de 3% ao ano desde 2010
- 12% das empresas listadas na B3 superaram a taxa prefixada de 15% ao ano desde 2010
- 6% das empresas listadas na B3 superaram a taxa prefixada de 20% ao ano desde 2010