PIB do Brasil desacelera e cresce 2,3% em 2025, diz IBGE

O resultado foi afetado pelo peso dos juros altos na atividade econômica.

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Publicado em 03/03/2026 às 09:18h - Atualizado Agora Publicado em 03/03/2026 às 09:18h Atualizado Agora por Marina Barbosa
No quarto trimestre de 2025, o PIB do Brasil cresceu 0,1% (Imagem: Shutterstock)
No quarto trimestre de 2025, o PIB do Brasil cresceu 0,1% (Imagem: Shutterstock)
A economia brasileira sentiu o peso dos juros altos e desacelerou em 2025.
O PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil cresceu 2,3% no ano passado, segundo dados divulgados nesta terça-feira (3) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
O resultado é o mais fraco desde 2020, quando a economia tombou 3,3% em meio à pandemia de covid-19. Em 2024, por exemplo, o PIB havia crescido 3,4%.
Ainda assim, este foi o quinto ano consecutivo de crescimento da economia brasileira e este desempenho foi superior ao observado nos anos que antecederam a pandemia.
O resultado do PIB de 2025 veio em linha com o esperado. O mercado projetava uma alta de 2,26% da economia brasileira e o governo esperava um crescimento levemente maior, de 2,3%.

Juros pressionam atividade

Segundo o IBGE, o PIB do Brasil foi puxado sobretudo pelas atividades menos afetadas pela alta da taxa de juros, como o agronegócio e a extração de petróleo.
Coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis explicou que apenas quatro atividades contribuíram com 72% de todo o valor adicionado à economia brasileira em 2025: agropecuária, indústrias extrativas, informação e comunicação e outras atividades de serviços.
Com isso, o setor agropecuário terminou o ano com um avanço de 11,7%, puxado sobretudo pelo aumento da produtividade e pelas safras recordes de milho e soja.
Já a indústria cresceu 1,4%, graças à extração de petróleo e gás. E o setor de serviços, o maior da economia brasileira, avançou 1,8%, influenciado principalmente pelas atividades de informação e comunicação, atividades financeiras e de seguros, transporte, armazenagem e correio.

Consumo e investimentos desaceleram

Pela ótima da demanda, o consumo das famílias e a taxa de investimento também desaceleraram diante dos juros altos.
O consumo das famílias cresceu 1,3%, sustentado pelo mercado de trabalho forte, pelos programas de transferência de renda do governo e pelo aumento do crédito. 
Já a Formação Bruta de Capital Fixo, que mede o volume de investimentos feitos no país, cresceu 2,9%, refletindo o aumento da importação de bens de capital, o desenvolvimento de software e a alta mesmo que tímida da construção.
Em 2024, no entanto, esses componentes do PIB haviam crescido a um ritmo bem mais forte: 5,1% e 6,9%, respectivamente.
Por outro lado, o consumo do governo mostrou resiliência ao crescer 2,1%, um pouco acima dos 2,0% observados em 2024.
Com isso, a taxa de investimento da economia brasileira recuou de 16,9% para 16,8% do PIB. Já a taxa de poupança subiu de 14,1% para 14,4%.

Exportações crescem

Exportações e importações cresceram em 2025, apesar das incertezas trazidas pelo tarifaço de Donald Trump.
As exportações cresceram 6,2%, puxadas pelas vendas de petróleo, veículos e produtos agropecuários.
Já as importações subiram 4,5%, com compras maiores de equipamentos de transportes, máquinas e equipamentos e produtos químicos.

PIB cresce 0,1% no 4T25

A desaceleração da economia brasileira fica ainda mais clara quando se observam os dados do quarto trimestre de 2025.
Segundo o IBGE, o PIB do Brasil cresceu apenas 0,1% no quarto trimestre, na comparação com o terceiro trimestre.
O resultado foi sustentado pelos serviços e pela agropecuária, pois a indústria recuou no período, pressionada pelas atividades da construção.
Os investimentos também recuaram no período, enquanto o consumo das famílias ficou de lado.
Veja os resultados do PIB do 4T25:
  • Serviços: 0,8%;
  • Agropecuária: 0,5%;
  • Indústria: -0,7%;
  • Consumo do governo: 1,0%;
  • Consumo das famílias: 0,0%;
  • Formação Bruta de Capital Fixo: -3,5%;
  • Exportações: 3,7%;
  • Importações: -1,8%.

O que esperar de 2026?

Apesar da previsão de que a taxa básica de juros comece a cair nos próximos meses, a expectativa é de que a tendência de desaceleração da economia brasileira continue neste ano.
O mercado projeta uma alta de 1,82% do PIB em 2026, segundo o Boletim Focus. O Banco Central é ainda mais cauteloso e projeta um resultado de 1,6%. Já o governo federal acredita que será possível manter uma taxa de crescimento de 2,3%.
Segundo o Ministério da Fazenda, a perspectiva é de que a indústria e os serviços consigam mostrar um ritmo mais forte de crescimento neste ano.
A expectativa é de que a indústria extrativa siga forte, enquanto a indústria de transformação e a construção respondam à possível queda da Selic.
Além disso, o governo espera que o aumento da faixa de isenção do IR (Imposto de Renda) e o crédito consignado privado impulsionem o consumo das famílias e os serviços, junto com o mercado de trabalho ainda resiliente.
Já a agropecuária pode apresentar uma "desaceleração acentuada" em 2026, na avaliação do governo, devido a uma menor produção esperada de milho e arroz, bem como a um menor abate de bovinos.