Pão de Açúcar (PCAR3): Pedido de recuperação extrajudicial derruba ações na B3

Grupo varejista diz que acordo com credores prevê ajuste no perfil da dívida e que operações seguem normalmente.me

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Publicado em 10/03/2026 às 11:55h - Atualizado 3 minutos atrás Publicado em 10/03/2026 às 11:55h Atualizado 3 minutos atrás por Wesley Santana
Pão de Açucar é uma das maiores redes de supermercado do Brasil (Imagem: Shutterstuck)
Pão de Açucar é uma das maiores redes de supermercado do Brasil (Imagem: Shutterstuck)

Parte do mercado foi pega de surpresa na manhã desta terça-feira (10) com um anúncio feito por uma das maiores redes de varejo do país. O Grupo Pão de Açúcar (PCAR3) entrou com um pedido de recuperação extrajudicial junto a seus credores.

Proprietário de marcas como Extra, Qualitá e Taeq, além do próprio supermercado Pão de Açúcar, que também inclui uma rede de postos de combustíveis, a empresa soma dívidas de R$ 4,5 bilhões, que devem ser alvo de renegociações.

A abertura do pregão na bolsa de valores foi suficiente para os investidores saírem vendendo ações da companhia. Nos primeiros minutos do pregão, o grupo empresarial viu seu valor de mercado cair quase 7%.

Por volta das 11h, a baixa havia se estabilizado em cerca de 1%, com certa recuperação em relação ao resultado inicial. Com isso, os papéis eram negociados a R$ 2,65, conforme dados da B3.

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Apesar da surpresa, o mercado já vinha esperando alguma decisão de reestruturação do GPA, que vem passando por maus bocados. Só na bolsa, a perda desde o começo do ano passa de 33%.

Essa performance é alimentada não só pelo alto endividamento, mas também por disputas internas que trazem volatilidade à gestão da companhia. Além disso, nos últimos anos, a empresa passou por uma série de mudanças na tentativa de se adequar ao novo comportamento do consumidor brasileiro.

Uma dessas alterações foi o fim dos hipermercados Extra, que mesclavam produtos de cesta básica com eletrodomésticos e outros itens em lojas gigantes. Todas essas unidades foram vendidas ao Assaí, que passou a usar os locais para atacarejos, formato que mistura vendas no atacado e no varejo.

A gestão do GPA diz que a recuperação extrajudicial não deve afetar a operação das 728 lojas. O CEO destacou que o objetivo é puramente organizar o perfil da dívida, em negociações com credores como Itaú, HSBC e BTG Pactual.

“Essa medida é o início de um processo de reestruturação das nossas dívidas não operacionais. Ela não envolve pagamento a fornecedores, aluguel de loja ou salário de colaborador. A operação segue funcionando normalmente”, afirmou Alexandre Santoro, em entrevista ao Estadão.

Por que ajustar o perfil da dívida?

Imagine que você tomou um empréstimo de R$ 10 mil que custa 5% ao ano pelo prazo de 10 anos. Pelo contrato, o valor final do acordo ficaria em R$ 12,6 mil, o que representa um juro total de R$ 2,6 mil.

Agora, pense que no ano seguinte essa correção aumentou três vezes e, agora, você deve arcar com 15% somente em juros. O montante sobe para R$ 19,3 mil, com uma diferença de quase R$ 6,7 mil em relação ao acordado inicialmente. Agora multiplique essa operação por milhões de reais.

É mais ou menos esse contexto que grande parte das grandes empresas está enfrentando no Brasil. Depois de buscarem dinheiro no mercado com um custo baixo, por causa do novo patamar da Selic, elas estão pagando muito mais por isso.

E isso afeta ainda mais as empresas que atuam no segmento de varejo, que têm margens menores se comparadas a outros setores da economia. Com o aperto de juros prolongado, a única saída para diminuir o custo da dívida é fazer acordo com os credores para reduzir os juros.

Seja para construir novas lojas, montar estoque ou fazer qualquer coisa que tenha retorno futuro, as empresas buscam crédito no mercado. Há quem opte por dívidas de 20, 30 ou até 50 anos, dependendo do projeto em execução. 

No caso do GPA, a companhia afirma que ainda tem outros pontos críticos que a fizeram chegar a essa situação: baixa demanda por causa da inflação, custos com mudanças internas na gestão e pagamento de dívidas fiscais e trabalhistas.

“Estas condições indicam a existência de incerteza relevante que pode levantar dúvida significativa sobre a continuidade operacional da companhia”, disse a empresa no balanço trimestral divulgado no mês passado.

PCAR3

Grupo Pão de Açúcar
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